Carrocerias sustentam mercado de implementos rodoviários enquanto reboques enfrentam retração

Por Victor Fagarassi

- junho 8, 2026

Carrocerias sustentam mercado de implementos rodoviários enquanto reboques enfrentam retração

O mercado brasileiro de implementos rodoviários segue dividido entre o bom desempenho dos equipamentos voltados à distribuição urbana e as dificuldades enfrentadas pelo segmento pesado. Dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (ANFIR) mostram que as vendas de carrocerias sobre chassi avançaram em maio, enquanto os emplacamentos de reboques e semirreboques registraram retração no período.

O resultado reforça uma tendência observada nos últimos anos: o crescimento das operações urbanas de transporte, impulsionadas pelo e-commerce, pela distribuição de última milha e pela renovação de frotas voltadas à logística regional. Em contrapartida, os investimentos em equipamentos pesados seguem impactados pelo custo do crédito, pelas incertezas econômicas e pela menor disposição das transportadoras para realizar grandes aportes.

Em maio, o segmento de Carroceria sobre Chassi comercializou 6.662 unidades, acima das 6.232 registradas em abril e também superior às 6.578 vendidas no mesmo mês de 2025.

“Estamos diante de uma curva positiva muito consistente e mostra que as operações logísticas urbanas seguem aquecidas e demandando novos equipamentos”, afirma José Carlos Spricigo, presidente da ANFIR.

josecarlosspricigo 93883Já o mercado de Reboques e Semirreboques apresentou desempenho negativo. Foram licenciados 5.148 implementos em maio, abaixo das 5.535 unidades registradas em abril. O resultado também ficou aquém do volume de maio de 2025, quando foram vendidas 5.912 unidades.

Segundo Spricigo, o segmento pesado enfrenta desafios adicionais relacionados ao acesso ao financiamento e ao comportamento dos investimentos no transporte rodoviário de cargas.

“As dificuldades no mercado de pesados são maiores porque as vendas dependem de condições de financiamento mais robustas, além de serem influenciadas por fatores sazonais”, explica.

Move Brasil pode estimular renovação de frotas

A expectativa da indústria agora está voltada para o início das operações do programa Move Brasil, iniciativa que busca ampliar o acesso ao crédito para aquisição de veículos e implementos rodoviários.

A inclusão do setor de implementos na segunda fase do programa foi comemorada pelos fabricantes, que enxergam na medida uma oportunidade para estimular principalmente a venda de reboques e semirreboques, equipamentos diretamente ligados às operações de transporte de longa distância.

Pelas regras do programa, os financiamentos poderão ser contratados com taxa de juros de 11,3% ao ano. Os prazos chegam a 60 meses para empresas e até 120 meses para motoristas autônomos. Ao todo, serão disponibilizados R$ 21,2 bilhões em crédito. “A inclusão de nossa indústria na segunda fase do projeto é resultado do reconhecimento da importância do implemento rodoviário no vetor de transporte de cargas do País”, destaca Spricigo.

Apesar do otimismo, a entidade avalia que o crédito subsidiado, sozinho, não será suficiente para garantir uma recuperação consistente do mercado.

“O suporte é muito bem-vindo, mas é importante que outras medidas sejam tomadas de maneira a criar um ambiente de crescimento sustentável, favorecendo a produção e o desenvolvimento do Brasil”, afirma o executivo.

Acumulado do ano permanece negativo

Mesmo com a recuperação observada em alguns segmentos, o desempenho acumulado da indústria de implementos rodoviários continua abaixo do registrado em 2025.

Entre janeiro e maio de 2026, o setor comercializou 54.418 unidades, contra 60.492 no mesmo período do ano passado, uma retração de 10,04%. O segmento de Reboques e Semirreboques apresentou a maior queda, com recuo de 12,82%. Nos cinco primeiros meses do ano foram vendidos 26.415 equipamentos, ante 30.301 unidades em igual período de 2025.

Já o segmento de Carroceria sobre Chassi registrou retração mais moderada, de 7,25%, totalizando 28.003 unidades comercializadas entre janeiro e maio, frente às 30.191 registradas no ano anterior.

Para o setor, os próximos meses serão decisivos para medir os efeitos do Move Brasil e avaliar se a melhora do ambiente de crédito será capaz de estimular a renovação das frotas de transporte de cargas. A expectativa da indústria é que a combinação entre financiamento mais acessível, recuperação gradual da atividade econômica e aumento da demanda logística ajude a reduzir a distância em relação aos resultados obtidos em 2025.

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