BBM amplia uso de caminhões e vans elétricas em parceria com fabricante chinesa Farizon

Empresa utiliza vans, caminhões leves e até um cavalo mecânico elétrico para testar a viabilidade da eletrificação em operações urbanas e rodoviárias no Brasil.

Por Victor Fagarassi

- junho 8, 2026

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A BBM Logística está transformando a eletrificação da frota em uma experiência prática dentro de suas operações. Em parceria com a Farizon, fabricante de veículos comerciais elétricos pertencente ao grupo Geely, a empresa vem ampliando o uso de modelos movidos a bateria em atividades de distribuição urbana e última milha, enquanto fortalece sua estratégia de descarbonização por meio da iniciativa BBM Sustentabilidade.

Mais do que adquirir veículos elétricos, a companhia decidiu utilizar suas operações como um ambiente de testes para avaliar o desempenho da tecnologia em condições reais de trabalho. O objetivo é medir fatores como autonomia, tempo de recarga, eficiência energética, adaptação das rotas, comportamento dos motoristas e viabilidade econômica da eletrificação no transporte de cargas.

Atualmente, a BBM opera oito veículos elétricos, entre vans, caminhões leves e um triciclo utilizado principalmente em entregas urbanas ligadas ao e-commerce. A empresa também iniciou avaliações com um cavalo mecânico elétrico para aplicações rodoviárias, em uma etapa considerada estratégica para entender o potencial da tecnologia em operações de maior alcance.

Entre os modelos já incorporados à frota está a van elétrica Farizon V6E, utilizada em Curitiba e Região Metropolitana em rotas de distribuição urbana. Desenvolvida sobre uma plataforma dedicada à eletrificação, a V6E combina capacidade de carga, autonomia e recarga rápida para operações intensivas de logística.

A parceria poderá ganhar novos capítulos nos próximos meses. A BBM avalia ampliar a presença da marca chinesa em sua frota com a incorporação de mais unidades da V6E e também da SuperVan, modelo que oferece maior capacidade operacional e recursos avançados de tecnologia embarcada.

Segundo Luís Felipe Günther Bastos, diretor corporativo de Operações da BBM Logística, a eletrificação ainda exige um trabalho conjunto entre operadores logísticos, clientes e fabricantes.

“Hoje, eletrificar a logística no Brasil ainda exige engenharia operacional, adaptação de rota e parceria entre operador, cliente e fabricante. Não é uma solução plug and play. O que estamos construindo com a Farizon é justamente esse ambiente de aprendizado operacional para entender quais aplicações fazem sentido no cenário brasileiro”, afirma.

De acordo com o executivo, a escolha da Farizon ocorreu pela disposição da fabricante em participar ativamente do desenvolvimento das soluções. “Não queríamos apenas comprar equipamentos. Precisávamos de um parceiro que estivesse disposto a entender a realidade da logística brasileira junto conosco, avaliando operação, autonomia, infraestrutura e comportamento das rotas na prática”, destaca.

Pressão por operações mais sustentáveis

O movimento também acompanha uma demanda crescente de grandes embarcadores por operações com menor emissão de carbono. Um dos exemplos é a Amazon, cliente da BBM e integrante do The Climate Pledge, iniciativa global que busca antecipar para 2040 a neutralidade de carbono.

Além da ampliação da frota elétrica, a BBM criou um comitê interno voltado à consolidação de diretrizes de descarbonização e aderiu oficialmente ao The Climate Pledge, reforçando seu compromisso com a redução das emissões de gases de efeito estufa.

Para Rodrigo Pikussa, diretor executivo da unidade de veículos elétricos da Farizon no Brasil, a parceria permite validar a tecnologia em um ambiente logístico de alta complexidade. “A eletrificação da logística brasileira não será construída apenas no discurso, mas em operações reais que permitam medir eficiência, autonomia, recarga, disponibilidade e custo operacional”, afirma.

Desafio é escalar a eletrificação

Atualmente, a Farizon comercializa no Brasil três modelos voltados ao transporte urbano de cargas: a van V6E, a SuperVan e o caminhão leve H9E. Todos foram desenvolvidos em plataformas originalmente elétricas, sem adaptações de veículos a combustão.

Segundo Pikussa, além da redução das emissões, os veículos elétricos oferecem ganhos operacionais importantes. “Os veículos elétricos possuem menos componentes sujeitos a desgaste, exigem menos manutenção e oferecem maior eficiência energética. Em operações urbanas, a economia no abastecimento pode chegar a até 80% quando comparada a modelos a combustão.”

Apesar dos avanços, o setor ainda enfrenta desafios relacionados ao custo inicial dos veículos e à infraestrutura de recarga. Por isso, a parceria entre BBM e Farizon também busca avaliar a viabilidade financeira da tecnologia em médio e longo prazo. Para Bastos, o segmento de última milha já demonstra maturidade para a adoção dos veículos elétricos. O próximo passo será expandir a tecnologia para operações mais complexas.

“Hoje o last mile já é uma realidade viável para veículos elétricos. O grande desafio é escalar isso para operações mais complexas e de longa distância.” A expectativa da companhia é que os testes em andamento sirvam como base para futuras expansões da frota elétrica, especialmente em operações de e-commerce, distribuição urbana e projetos personalizados para grandes embarcadores.

“Estamos no início dessa jornada. O mais importante agora é construir conhecimento operacional real e entender quais caminhos tornam a eletrificação sustentável dentro da realidade brasileira”, conclui o executivo.

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