Fotografia sem retoque: IMAM apresenta pesquisa sobre intralogística

Estudo inédito revela os maiores desafios e as principais prioridades do mercado logístico nacional para tornar as empresas mais competitivas

Por Gustavo Queiroz

- outubro 23, 2025

IMAM apresenta pesquisa sobre intralogística

Em um cenário de acelerada transformação digital e pressão por eficiência, o Instituto de Movimentação e Armazenagem de Materiais (IMAM) realizou uma pesquisa inédita, que apontou os principais desafios e prioridades do setor logístico brasileiro. O estudo, que ouviu mais de 530 profissionais, sendo 12% deles em cargos de diretoria, 30% em gerência e 58% em posições de supervisão, coordenação e análise, traça um diagnóstico claro: a busca pela excelência operacional e pela automação esbarra mais em questões de gestão e estratégia do que propriamente em limitações tecnológicas ou financeiras.

De acordo com Eduardo Banzato, diretor do IMAM, a pesquisa surgiu da necessidade de “tirar uma fotografia de como o mercado está em relação à excelência operacional, à automação e a tecnologia, dentro da área de cadeia de suprimentos, logística e intralogística“. O objetivo era entender os caminhos para as empresas se tornarem mais competitivas. “Dessa forma, conseguimos identificar onde estão os maiores desafios. E os resultados consolidam aquilo que já intuíamos“, explica Banzato.

Um dos dados mais emblemáticos do estudo respalda essa intuição. Quando questionados sobre o fator mais decisivo para alcançar a excelência operacional, a tecnologia e a automação aparecem em último lugar, com apenas 5% das menções. A esmagadora maioria dos entrevistados aponta “processos bem definidos” (40%) e “envolvimento das pessoas” (30%) como os pilares fundamentais para a boa gestão logística. Sem isso, a aplicação da tecnologia falha, tanto na implementação quanto na sua eficácia máxima. “Não adianta adquirir uma tecnologia e esperar que ela solucione todos os problemas. A ferramenta só irá funcionar se tiver o envolvimento das pessoas e processos claros“, complementa.

Estratégia e planejamento

Respectivamente, Eduardo Banzato e Sidney Rado, diretores do IMAM | Foto: Victor Fagarassi/Frota&Cia
Respectivamente, Eduardo Banzato e Sidney Rado, diretores do IMAM | Foto: Victor Fagarassi/Frota&Cia

A falta de uma estratégia robusta é, de longe, o maior entrave para a automação logística no país, citada por 61% dos participantes. A “pouca mão de obra qualificada” vem em segundo lugar, com 29%, enquanto a “diversidade tecnológica” – a abundância de opções no mercado – é vista como um problema por apenas 1% dos profissionais. “O principal desafio não é a falta de opções, mas a ausência de estratégia e planejamento. Muitas empresas automatizam por onda, porque o concorrente está fazendo ou porque viram uma aplicação na prática. Quando isso dá certo é mais na sorte do que no juízo“, comenta Banzato.

Sidney Rago, também diretor do IMAM, reforça a importância de conectar a tecnologia aos objetivos de negócio. “É preciso adequar ao uso. O que faz sentido para a sua operação? O que a sua empresa realmente precisa para dar um salto em competitividade? Se não identifico com clareza se estou pecando no atendimento, no preço ou no custo do meu produto, vou automatizar algo que pode não ser o que eu mais preciso“, pondera Rago.

Na visão do especialista, a tecnologia deve ser escolhida pela sua aderência à necessidade real, em um exercício de engenharia e análise de valor. “Por que eu precisaria de um robô humanoide com pernas e pés para movimentar caixas, se existem soluções sobre rodas, muito mais eficientes”, questiona.

Áreas mais importantes

A pesquisa também hierarquizou as áreas de maior urgência para investimentos. Quando instados a escolher apenas uma área para impulsionar a excelência operacional, “Logística e Supply Chain” lidera com 43%, seguida por “Planejamento e Controle” (29%). Isso indica um amadurecimento do entendimento de que a eficiência isolada da produção não basta se a cadeia de suprimentos como um todo for ineficiente. “Muitas indústrias acordaram agora para o supply chain. Não adianta ter um processo industrial excelente se o material não chega na hora certa, o fornecedor atrasa ou se há um estoque gigante custando caro para o caixa“, observa Banzato.

Na esteira dessa percepção, a “gestão de estoques” (35%) e o “transporte e roteirização” (32%) são apontados como as áreas mais urgentes para aplicação de tecnologia, superando a “armazenagem” (26%). A Inteligência Artificial, apesar do buzz midiático, aparece com apenas 7%, sinalizando que o mercado ainda está focando em soluções mais imediatas e consolidadas.

Os resultados da pesquisa do IMAM traçam um retrato de um mercado em transição, consciente de que a chave para a competitividade não está na tecnologia mais avançada, mas na tríade formada por estratégia clara, processos sólidos e pessoas engajadas. A automação e a inteligência artificial são ferramentas poderosas, mas seu sucesso depende fundamentalmente do alicerce gerencial sobre o qual são implementadas.

Evitar escorregões

Os diretores do IMAM também destacam que a competitividade setorial influencia a adoção dessas práticas. Segmentos como o automotivo e o varejo, por sua natureza de margens apertadas e alta concorrência, tornaram-se referência. “Quem começou a se preocupar com logística há 20 anos está num grau de maturidade muito maior. Na indústria automotiva, ou você é excelente ou está fora. Qualquer escorregão leva a empresa ao vermelho“, afirma Eduardo Banzato.

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