ZF comprova redução de 47% em CO₂ com caminhão híbrido

Transmissão híbrida da ZF comprova redução de emissões em caminhões pesados em condições reais de operação

Por Gustavo Queiroz

- novembro 28, 2025

ZF TraXon 2 Hybrid

ZF Friedrichshafen confirmou, por meio de testes de campo com frotas europeias e a Associação Alemã de Transporte Rodoviário, Logística e Gestão de Resíduos (BGL) e.V., a eficácia de sua nova transmissão híbrida para veículos comerciais pesados. O sistema TraXon 2 Hybrid demonstrou, em condições reais de tráfego, uma capacidade significativa de reduzir as emissões de CO₂ e o Custo Total de Propriedade (TCO), sem comprometer a autonomia dos caminhões ou a necessidade de adaptação da infraestrutura de abastecimento existente.

A validação prática ocorreu com transportadoras e membros da BGL em vias públicas, utilizando um veículo de testes da ZF. Os resultados iniciais atestam que a tecnologia híbrida oferece uma solução pragmaticamente viável para o setor de transporte, equilibrando as demandas por sustentabilidade e eficiência econômica. A tecnologia é apontada como um passo crucial rumo à eletrificação, especialmente em um cenário onde a infraestrutura de carregamento para veículos totalmente elétricos ainda não está plenamente estabelecida na Europa.

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De acordo com Christian Feldhaus, vice-presidente do segmento de produtos Transmissões & Híbridos da Divisão de Soluções para Veículos Comerciais da ZF, o valor agregado da TraXon 2 Hybrid é claro e tangível para fabricantes e frotistas. “Em aplicações com alta quilometragem diária, o caminhão de longa distância tradicional precisa de uma solução pragmática e independente da infraestrutura de recarga. O trem-de-força híbrido permitirá que montadoras e frotistas alcancem suas metas de redução de CO₂, ao mesmo tempo em que oferece um forte argumento econômico em termos de eficiência de custos”, afirmou Feldhaus.

ZF TraXon 2 Hybrid
ZF TraXon 2 Hybrid | Foto: Divulgação

A perspectiva do usuário final foi reforçada por Roger Schwarz, chefe do grupo de trabalho de tecnologia da BGL, que descreveu a solução como a combinação ideal de eficiência, confiabilidade e sustentabilidade. “Até que a infraestrutura de carregamento europeia esteja amplamente disponível, o sistema híbrido da ZF apresentado oferece uma solução prática para as empresas associadas no caminho rumo à eletrificação completa“, declarou Schwarz.

O sistema, apresentado pela ZF no salão IAA Mobility, é adequado para veículos comerciais pesados nas configurações híbrida completa ou plug-in (PHEV). Sua arquitetura versátil permite uma integração fluida em diversas plataformas veiculares, sendo compatível com motores a diesel, HVO/combustíveis sintéticos, GNV/GLP ou mesmo motores de combustão a hidrogênio.

Simulações realizadas com a ferramenta oficial da União Europeia, VECTO, quantificam o potencial de redução de emissões. Os cálculos indicam uma queda de até 47% nas emissões de CO₂ no transporte de longa distância e de até 73% no transporte de distribuição, desde que sejam realizadas recargas consistentes da bateria. Este desempenho atende diretamente às metas de descarbonização estabelecidas para as frotas até 2030 e oferece flexibilidade estratégica perante futuras regulamentações de pedágios e impostos. Nesse contexto, a ZF defende a inclusão dos caminhões híbridos plug-in (PHEV) nas classificações dos sistemas de pedágio europeus, com possíveis compensações de peso bruto, de forma análoga ao que já é concedido aos caminhões totalmente elétricos.

Tecnicamente, o novo sistema é baseado na já consolidada transmissão TraXon 2 para veículos comerciais pesados, incorporando desenvolvimentos internos da ZF em eletrificação. O motor elétrico é posicionado em uma arquitetura P2, localizado entre a embreagem e a transmissão. Sua potência é transmitida através de um conjunto planetário diretamente para o eixo de entrada, o que permite a operação do caminhão em modo totalmente elétrico, além de fornecer assistência ao motor de combustão em modo “boost” para acelerações e possibilitar a frenagem regenerativa. A arquitetura elétrica opera em uma tensão entre 600 e 800 volts, com uma potência contínua de 190 kW e uma potência de pico consideravelmente superior.

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