Agrale apresenta chassi a gás MT 18.0 LE para o transporte público

Com mais de 7 mil unidades na Argentina, chassi Agrale MT 18.0 LE chega ao Brasil com motor Weichai a gás e câmbio Allison

Por Gustavo Queiroz

- setembro 1, 2026

Agrale MT 18.0 LE

A Agrale apresentou ao mercado brasileiro o chassi MT 18.0 LE (Low Entry), um veículo urbano com motor traseiro a gás natural. O projeto, que já soma mais de 7.000 unidades operando no sistema de transporte de Buenos Aires (Argentina), chega agora ao Brasil com as características do mercado nacional, incluindo a configuração com duas portas traseiras, requisito do sistema SPTrans em São Paulo.

O chassi MT 18.0 LE não nasceu ontem. Segundo Wiliam Menegotto, diretor de Engenharia da Agrale, o projeto remonta a 2004, quando a empresa entrou no mercado argentino de ônibus urbanos piso baixo, um segmento no qual a Agrale nunca havia atuado no Brasil. “Na Argentina, também produzimos um articulado configurado para o sistema de transporte de Buenos Aires”, explica o executivo. O chassi evoluiu de uma versão de 12 toneladas até chegar a 27 toneladas, sempre aperfeiçoado pelas exigências do transporte urbano da capital argentina.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Wiliam Menegotto, diretor de Engenharia da Agrale
Wiliam Menegotto, diretor de Engenharia da Agrale

A decisão de trazer o projeto para o Brasil veio no final do ano passado, e com uma particularidade: o veículo já chegou na versão a gás. “Quando a gente trouxe esse projeto para o Brasil, no final do ano passado, a gente decidiu que já seria na versão gás”, afirma o diretor. A aposta não é por acaso, a Agrale é líder no mercado argentino de ônibus a gás e projeta entregar cerca de 400 unidades similares em 2026. No Brasil, a empresa vê no gás natural e no biometano o caminho mais viável para a descarbonização do transporte urbano.

O coração do MT 18.0 LE é o motor Weichai WP7NG270E61, um propulsor de ciclo Otto de 7,4 litros, desenvolvido especificamente para gás. Com 270 cavalos de potência e torque de 1.150 Nm, o motor entrega desempenho mais que suficiente para as aplicações urbanas de alta demanda.

Menegotto detalha a escolha do fornecedor chinês: “Hoje não tem muitos fabricantes de motores a gás no mundo, dá para contar nos dedos de uma mão e sobra dedos.” A Weichai, que é a maior fabricante de motores do mundo, “não é uma empresa chinesa que vende preço, mas qualidade”. O motor conta com sistema de injeção Bosch, incluindo “injetores, bobina, controlador, toda parte de injeção do motor são componentes extremamente conhecidos no mercado”, e atende à norma Euro 6 com um catalisador simples de três vias.

Motor Weichai e transmissão Allison
Motor Weichai e transmissão Allison

Um dos diferenciais técnicos do propulsor é a rejeição térmica característica dos motores ciclo Otto, significativamente maior que a dos motores diesel. “Esse tubo de escape passa dos 600 graus, fácil”, conta Menegotto, explicando que a Agrale já desenvolveu proteções específicas para lidar com esse calor.

Outra inovação técnica que merece destaque no MT 18.0 LE é o sistema de arrefecimento com eletroventiladores. Diferentemente das soluções convencionais que utilizam bomba hidráulica com ventilador viscoso, polias e correias, o chassi da Agrale emprega seis eletroventiladores acionados por dois alternadores de 280 ampères.

A vantagem, segundo Menegotto, é dupla: eficiência energética e redução de manutenção. “O sistema nunca é 100% ligado ou 100% desligado. O veículo liga, o eletroventilador tá dando a 10% da velocidade. Conforme o calor do motor vai subindo, os eletroventiladores vão aumentando a velocidade gradativa conforme a necessidade”, explica. “Eu uso somente a energia necessária para fazer o sistema de fluido funcionar”, complementa. Além disso, a eliminação de polias, mangueiras e correias reduz significativamente os itens de desgaste que geram manutenção ao longo da vida útil do veículo.

Transmissão Allison T3275 XFE

A transmissão que equipa o MT 18.0 LE é a Allison T3275 XFE (ou T3325xFE_R, conforme algumas especificações), da série 3000. O “XFE” significa Extra Fuel Economy (economia extra de combustível, em português) e, segundo Celso João, diretor de Engenharia de Integração com o Cliente da Allison Transmission, essa característica é obtida principalmente pelo escalonamento de marchas e pelo tipo de conversor de torque.

Celso João, diretor de Engenharia de Integração com o Cliente da Allison Transmission
Celso João, diretor de Engenharia de Integração com o Cliente da Allison Transmission

A principal característica é que ela permite a entrada da embreagem lock-up muito cedo. Então ela elimina o escorregamento do conversor de torque o quanto possível”, explica o executivo. A transmissão conta ainda com um retardador hidrodinâmico na parte traseira, um freio auxiliar acoplado diretamente à caixa que é especialmente importante para motores a gás, que não possuem freio motor.

Celso João destaca que a combinação entre transmissão automática e motor CNG é especialmente vantajosa. “É um motor de combustão interna, ele se associa no comportamento tanto de montagem, interface motor transmissão com o motor a diesel tradicional, e ele responde muito bem pelo ciclo operacional do motor.

A Allison dispõe de uma família de conversores de torque (os chamados “conversores curvos de absorção”) que podem ser calibrados para diferentes curvas de torque, garantindo que a resposta do veículo na partida seja satisfatória independentemente das características do motor a gás.

A transmissão foi otimizada especificamente para o motor Weichai, e Celso João reforça a confiabilidade do conjunto: “Esse chassi ele já é produzido na Argentina há bastante tempo, tem uma população bem significativa lá em Buenos Aires. O produto é bem validado, bem conhecido”, garante.

Cilindros de gás e autonomia

Os quatro cilindros de fibra de carbono são instalados no teto
Os quatro cilindros de fibra de carbono são instalados no teto | Foto: Divulgação

São quatro cilindros de fibra de carbono, com capacidade total de 940 litros de água (equivalente a aproximadamente 260 metros cúbicos de gás), instalados no teto do veículo. Menegotto explica que essa configuração libera toda a parte baixa do chassi para o corredor de passageiros. “Este sistema hidráulico completo consiste nas capacidades de 940 L e 260 m³ de gás, aproximadamente, que proporcionam uma autonomia entre 300 km e 400 km, dependendo da aplicação”, afirma.

Em termos de consumo, o veículo faz cerca de 1,4 km por metro cúbico de gás, o que pode atender até duas diárias de trabalho, dependendo do percurso. O sistema conta com dois pontos de abastecimento, incluindo o conector NGV2 para carga rápida, que abastece o veículo em aproximadamente 8 minutos a 200 bar de pressão, e o ponto de carga convencional, que leva de 20 a 25 minutos, dependendo da vazão do posto.

Arquitetura Piso Baixo

O MT 18.0 LE é um chassi low entry — ou seja, com entrada baixa na parte dianteira — com suspensão pneumática tanto no eixo dianteiro quanto no traseiro. O entre-eixos é de 6.200 mm, e o chassi já é fornecido no comprimento final, dispensando intervenções do encarroçador. “Por isso que ele não é uma versão bug de chassi, ele é um chassi já no comprimento final”, explica Menegotto.

Essa configuração permite atender tanto a versão básica de ônibus com capacidade para aproximadamente 72 a 73 passageiros, quanto a versão padron de São Paulo, com 12,5 a 13,5 metros de comprimento e mais de 80 passageiros transportados. “Conseguimos entregar para o encarroçador esse mesmo chassi, ele faz a versão básica e também padron”, afirma o diretor.

Outro ponto que diferencia o MT 18.0 LE no mercado brasileiro é a possibilidade de instalar as duas portas traseiras enfrentadas, exigência do sistema SPTrans. Menegotto destaca que, até então, o veículo era o único chassi a gás do mercado com essa configuração disponível originalmente de fábrica.

O chassi foi projetado para que o encarroçador toque o mínimo possível na estrutura. Toda a parte baixa já conta com longarinas e pontos de ancoragem para a carroceria, o que facilita e agiliza o processo de encarroçamento. “O encarroçador não tem que fazer intervenções no chassi. Ele vai buscar esse ponto aqui já para fazer a ancoragem do arco da carroceria. Com toda essa parte baixa já estruturada do próprio chassi, isso facilita muito o processo”, finaliza Menegotto.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Compartilhe nas redes sociais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *