O conforto da Ranger Black nas imperfeições das estradas de terra e cascalho

De São Paulo ao interior, a picape da Ford transitou entre os melhores pavimentos aos trechos rurais como se fosse tudo a mesma coisa

Por Gustavo Queiroz

- agosto 31, 2026

Ford Ranger Black

A sexta-feira, 14 de agosto de 2026, amanheceu sobre a capital paulista com o céu encoberto por nuvens e a promessa de uma temperatura amena, típica de um inverno que já ensaiava seus primeiros sinais de fim. Os termômetros do CGE da Prefeitura de São Paulo marcavam 17°C no início da manhã, com a umidade relativa do ar em torno dos 94%. Era o cenário perfeito para colocar à prova a nova Ford Ranger Black, a mais recente aposta da montadora americana para o segmento de picapes médias urbanas.

Com preço de R$ 242.600, a versão Black chega ao mercado como uma opção de entrada bem equipada, mas com um apelo visual diferente e que contempla grade frontal, rodas de 18 polegadas, estribos, retrovisores e para-choques em tons escuros que justificam o nome. A frase do fundador Henry Ford, “So long as its black” (“Desde que seja preto”), estampada no banco do passageiro, é um lembrete irônico e elegante de que a era das cores, para esta picape, é apenas uma questão de detalhe.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O roteiro do test drive consistia em cruzar a cidade de São Paulo, pegar a Rodovia Castelo Branco em direção ao interior e explorar trechos de terra nas proximidades de Iperó e Boituva. A primeira etapa do trajeto, ainda dentro da selva de pedra paulistana, começou pela Avenida dos Bandeirantes, uma das vias mais movimentadas da zona sul.

A Ranger Black, com seus 5,37 metros de comprimento e 2,20 metros de largura, não é exatamente um veículo compacto, mas a direção elétrica e a transmissão automática de seis velocidades tornam a condução surpreendentemente ágil no trânsito pesado. Sob o capô, o motor Panther 2.0 turbodiesel entrega 170 cv de potência a 3.500 rpm e um torque de 41,3 kgfm a 2.000 rpm, números que se traduzem em respostas prontas aos comandos do acelerador, mesmo nas arrancadas entre os semáforos. A transição para a Marginal Pinheiros foi fluida, com a picape absorvendo as irregularidades do asfalto com a desenvoltura de quem tem suspensão dianteira independente com braços sobrepostos e molas helicoidais, e eixo rígido com feixe de molas semielípticas na traseira.

Ford Ranger Black estacionada na Cachaçaria Zé da Varge
A picape se mostrou confortável e eficiente nos diferentes tipos de piso | Fotos: GQ/Frota&Cia

A saída de São Paulo em direção ao interior, pela Rodovia Castelo Branco (SP-280), marcou o início da verdadeira avaliação da picape em estrada. A Ranger Black, com seus pneus All Terrain 255/65 R18 e uma autonomia de até 880 km graças ao tanque de 80 litros, parece ter sido projetada para devorar quilômetros. O consumo de 11 km/l na estrada é um número respeitável para uma picape de 2.069 kg, e a cabine, com revestimentos premium e bancos parcialmente em couro ecológico, oferece um isolamento acústico que transforma a viagem em uma experiência quase luxuosa.

O sistema multimídia SYNC 4 com tela de 10 polegadas, compatível com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, manteve a conexão com o mundo enquanto a paisagem urbana dava lugar aos primeiros campos e fazendas do interior. A meteorologia colaborava e a passagem de uma frente fria pela costa de São Paulo diminuía as temperaturas, com a máxima na capital não passando dos 25°C, mas o céu ainda reservava chuvas isoladas e intermitentes.

Ao se aproximar de Boituva, o asfalto deu lugar a um trecho de estrada de terra nas proximidades de Iperó, onde a Ranger Black pôde mostrar seu lado mais aventureiro. A tração 4×2, que pode parecer uma limitação para alguns, mostrou-se mais do que suficiente para encarar o solo irregular e as pequenas elevações do terreno. A suspensão traseira, com feixe de molas, trabalhou em harmonia com o controle eletrônico de estabilidade e o assistente de partida em rampa, garantindo que a picape mantivesse a aderência mesmo nos trechos mais escorregadios. A sexta-feira terminou com o veículo estacionado em Boituva, sob um céu que ainda carregava as nuvens da frente fria, mas com a promessa de um fim de semana de descobertas.

O sábado, 15 de agosto, amanheceu com temperaturas mais amenas na região. Em Boituva, a previsão indicava uma manhã com céu parcialmente nublado, temperatura em torno de 16°C e ventos suaves de leste. Após um pequeno trecho rodoviário, a aventura continuou por vias de terra vermelha que serpenteavam pelo interior até a Cachaçaria Zé da Varge, na Estrada Municipal José Soares Coelho.

Cenário na Estrada Municipal José Soares Coelho
Cenário na Estrada Municipal José Soares Coelho | Foto: GQ/Frota&Cia

A estrada de terra, com suas curvas e ondulações, exigiu precisão na direção e confiança na suspensão. A Ranger Black respondeu com a firmeza de quem não tem medo de sujar os pneus. A cachaçaria, um tradicional ponto de turismo rural, foi o cenário perfeito para uma pausa, onde o visitante pode curtir uma música caipira ao vivo e conhecer as obras de arte dentro de cada tipo de tonel, entre outras gostosuras e itens disponíveis para compra, bem como sentir o verdadeiro clima do interior paulista.

A tarde de sábado foi dedicada a um passeio por Iperó e Boituva, alternando entre trechos de rodovia e as ruas das pequenas cidades. A temperatura subiu gradualmente, com a máxima prevista para a região atingindo os 27°C, e a umidade relativa do ar começou a cair, indicando a aproximação de um domingo mais ensolarado.

A Ranger Black, com seu visual escuro e imponente, não passou despercebida. Os detalhes em “Bolder Gray” nas rodas e na grade, combinados com os para-choques na cor da carroceria, criam uma estética que é ao mesmo tempo sofisticada e robusta. No interior, o painel de instrumentos colorido de 8 polegadas e os bancos com o emblema “Black” estampado reforçam a sensação de estar em um veículo pensado para quem valoriza o estilo sem abrir mão da funcionalidade.

A Ford Ranger Black se virou muito bem no off road, com conforto garantido mesmo diante das natuais imperfeições de trechos a cascalho e na terra
A Ford Ranger Black se virou muito bem no off road, com conforto garantido mesmo diante das natuais imperfeições de trechos a cascalho e na terra | Foto: GQ/Frota&Cia

O domingo, 16 de agosto, trouxe a mudança prometida pelo tempo. A frente fria se afastou do litoral, e a madrugada começou com céu nublado e termômetros em torno dos 17°C. Mas a promessa de um dia ensolarado se cumpriu e a temperatura máxima prevista para São Paulo era de 27°C, e a umidade do ar, que havia estado elevada nos dias anteriores, começou a declinar, com os menores valores ficando em torno dos 50%. A viagem de volta para a capital foi a última oportunidade de avaliar o desempenho da Ranger Black em longa distância. A picape, com sua transmissão automática de seis marchas e o motor turbo diesel, manteve uma condução estável e econômica, cumprindo a promessa de autonomia que a torna uma opção viável para viagens longas.

Ao final de três dias e quase 500 km percorridos entre as ruas de São Paulo, as estradas do interior e os trechos de terra de Iperó, a Ford Ranger Black deixou uma impressão duradoura. Com sua autonomia estimada de 880 km, completei toda a jornada com bastante combustível no tanque, o que torna qualquer picape mais interessante. O modelo foi uma companheira confiável tanto para o dia a dia urbano quanto para as escapadas de fim de semana.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Compartilhe nas redes sociais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *