Rodamos com a GWM Poer P30 pela Zona Sul de São Paulo

Entre ruas e avenidas de bairros tradicionais da capital paulista, picape revela suas características entre Moema e o Ipiranga

Por Gustavo Queiroz

- março 27, 2026

GWM Poer P30

O sol da manhã reflete no lago do Parque do Ibirapuera num sábado qualquer de março quando conhecemos, de perto, a GWM Poer P30. A picape, com seus 5,41 metros de comprimento pintados num cinza que tentava passar despercebido na paisagem de Moema, acabou atraindo olhares e abordagens de curiosos. Sem estradas de terra ou importantes rodovias paulistas para uma experiência mais completa, foi na selva de concreto de São Paulo que pude conhecer algumas das características do veículo e… mesmo assim, sem nenhum trecho alagado para colocar a prova sua capacidade de 500 mm de imersão.

Ao deslizar para o banco do motorista, revestido em couro legítimo com ajustes elétricos e ventilação, fui tomado por um contraste imediato. Do lado de fora, o burburinho de um trânsito carregado para um sábado de manhã na Avenida Ibirapuera, enquanto do lado de dentro, o silêncio absoluto de uma cabine que mais parecia de um SUV. O painel digital de 10,25 polegadas acendeu com uma animação sóbria ao lado da tela multimídia de 14,6 polegadas, que dominava o console central como uma grande janela para a tecnologia embarcada.

GWM Poer P30 caçamba
A caçamba do GWM Poer P30 possui 1.248 litros de capacidade ou cerca de 1t. | Foto: GQ/Frota&Cia

O motor 2.4 turbodiesel e os 184 cavalos de potência roncaram discretamente, prometendo os 48,9 kgfm de torque que estariam disponíveis já a 1.500 rotações. A transmissão automática de nove marchas da ZF foi imperceptível enquanto mergulhava no trânsito em direção à Avenida dos Bandeirantes. A direção com assistência elétrica, leve e precisa, facilitava as manobras por todo o caminho.

O trajeto até a região de São Judas/Saúde, passando perto do aeroporto de Congonhas, é um exercício de paciência. Há muita gente querendo pegar a Rodovia dos Imigrantes rumo à praia. Contudo, parado no congestionamento, a Poer P30 revela sua natureza dupla. No conforto da cabine, com o ar-condicionado automático de duas zonas mantendo a temperatura ideal e o sistema stop-start desligando o motor a cada parada mais longa, era fácil esquecer que eu estava numa picape com eixo rígido e feixe de molas na suspensão traseira. O acabamento, os bancos traseiros espaçosos com saída de ar dedicada e o apoio de braço central reforçavam um convite para passear com a família no litoral, e não o início de uma jornada urbana cheia de solavancos por ruas maltratadas.

Cabine do GWM Poer P30
Cabine do GWM Poer P30 | Foto: GQ/Grota&Cia

Mas foi ao cruzar a divisa com a Vila Mariana que a conversa mudou de tom. Ali, entre as ruas de paralelepípedos desgastados e as valetas abertas por sucessivas obras, a Poer P30 mostrou sua face mais controversa. Cada imperfeição no asfalto era traduzida com uma fidelidade brutal para dentro da cabine. A suspensão traseira, projetada para suportar uma carga útil de mais de uma tonelada, simplesmente se recusava a absorver as irregularidades com a caçamba vazia. O veículo pulava em vez de flutuar, transmitindo uma aspereza que os concorrentes mais experientes, como a Toyota Hilux ou a Ford Ranger, aprenderam a domar há gerações.

Ao olhar por cima do capô, pude ver o horizonte de prédios antigos e novas torres que caracterizam a região. A posição de dirigir, com amplos ajustes de volante e banco, me proporcionavam uma visibilidade privilegiada para observar a cidade, embora a visibilidade traseira fosse naturalmente comprometida pelo volume da caçamba, um problema resolvido com tranquilidade pelas câmeras de 360 graus que projetavam uma imagem do carro vista de cima na tela central.

Câmera de ré e visibilidade 360 graus ajudam o motorista nas manobras
Câmera de ré e visibilidade 360 graus ajudam o motorista nas manobras | Foto: GQ/Frota&Cia

Deixei a Vila Mariana para trás e rumei em direção ao Ipiranga, passando pelo famoso Museu de 130 anos, cuja fachada monumental roubava a cena. Estacionei próximo ao Sesc Ipiranga. Desci e contornei a picape lentamente. As rodas de 19 polegadas, calçadas com pneus de uso misto, transmitiam robustez. A grade frontal cromada, imponente, captava a luz da tarde e refletia o seu entorno. Um vizinho do local em que eu estacionara comentou enquanto via a picape frontalmente:

— Diferente, hein. Que marca é essa?

— GWM, Poer P30 – respondi. Marca chinesa com fábrica em Iracemápolis (SP)— complementei.

Ele agradeceu a informação e continuou em seu quintal observando o movimento da rua. Naquele momento, compreendi que a Poer P30 carrega nos ombros (e no feixe de molas) mais do que uma tonelada de carga útil. Carrega o peso de que desafia um terreno minado pela fidelidade a marcas tradicionais.

Preços

Painel identifica a intensidade do trânsito e o tipo de veículo no entorno da picape
Painel identifica a intensidade do trânsito e o tipo de veículo no entorno da picape | Foto: GQ/FRota&Cia

A GWM Poer P30 Exclusive, ao custo de R$ 260.000,00 (e a versão Trail, por R$ 240.000,00) se apresenta com custo competitivo em um mercado recheado de boas opções. Por esse preço, você leva para casa um veículo recheado de tecnologia, incluindo seis airbags, freios a disco nas quatro rodas, bloqueio do diferencial traseiro, capacidade para rebocar 3.100 kg com freio, garantia de 10 anos e um interior sofisticado. O consumo de 9,5 km/l no ciclo urbano, se seguido à risca, não assusta tanto quanto o comportamento inquieto da suspensão em ruas malcuidadas da periferia paulistana, por onde também trafegamos.

Dessa forma, a Poer P30 é uma picape para quem valoriza o espaço interno generoso com o acabamento caprichado, mesmo que isso signifique aceitar umas sacudidas aqui e ali. É para quem busca dimensões generosas, como os 5,41 metros de comprimento, os 3,23 metros de entre eixos e os 1.248 litros de espaço na caçamba.

GWM Poer P30 Exclusive
GWM Poer P30 | Foto: GQ/Frota&Cia
Traseira da GWM Poer P30
Traseira da GWM Poer P30 | Foto: GQ/Frota&Cia
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