Grupo de trabalho estuda reduzir acidentes na BR 040 em MG

Por Rosa M. Symanski

- abril 3, 2023

A triste estatística de que a rodovia BR 040, em Minas Gerais (MG), registrou 272 sinistros com 53 mortes entre os anos de 2020 e 2022, resultou na tomada de medidas por parte de municípios mineiros que organizaram um grupo de trabalho para buscar a otimização da utilização da rodovia e definir um planejamento e adequação de seu traçado com a máxima segurança.  A Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais e do Brasil (AMIG) anunciou na sexta-feira, 31, que deu início ao Grupo de Trabalho (GT) sobre a BR 040, que prevê inicialmente promover o diálogo entre os principais atores tais como: usuários, mineradoras, siderúrgica, moradores, transportadoras, entre outros.

“A AMIG vem trabalhando pela criação de políticas públicas que solucionem esses problemas nas rodovias, que colocam a vida de milhares de pessoas em risco todos os dias. No GT, vamos buscar um diálogo com todos os envolvidos. Teremos todo um planejamento de  ações para construir um caminho  para resolver essas situações que tiram vidas e colocam outras tantas em risco”, observou José Fernando, prefeito de Conceição do Mato Dentro (MG) e presidente da AMIG, durante o evento de lançamento da entidade.

No estudo do trecho analisado, foram registrados 120 sinistros e 25 vítimas fatais, em 2020, e 132 sinistros e 26 vítimas fatais em 2022. O levantamento ainda indicou que a segunda-feira foi o dia da semana com o maior número de sinistros, 49, e o total de 15 vítimas fatais. Os locais onde ocorreram mais acidentes na BR 040, por ordem são: os quilômetros 593, 614, 611, 588 e 565.

O coordenador do grupo de trabalho, Cláudio Antônio de Souza, pontuou que essa é uma batalha que as prefeituras vêm travando ao longo dos anos. “Temos observado o aumento do tráfego pesado, na rodovia, principalmente de caminhões e carretas ligadas à atividade de mineração, que percorrem esse território, buracos e acidentes fatais que não têm sido objeto de atenção. Há mais de 20 anos estamos aguardando por soluções, buscando projetos e propostas. A  concessão da rodovia não trouxe a solução esperada. Por isso, a sugestão da AMIG de se criar  este Grupo de Trabalho foi extremamente assertiva, justamente para nós sermos os propositores das ações que vão solucionar de vez esse caos na BR-040”, disse.

Além dos representantes da AMIG, o evento de lançamento da entidade contou com prefeitos e representantes de municípios associados, vereadores das cidades impactadas, representantes do CREA-MG e do engenheiro civil Herzio Geraldo Bottrel Mansur, que desenvolveu o estudo que motivou a criação do GT. Ele realizou um trabalho detalhado sobre a BR-040, no trecho entre Alphaville e Congonhas, com o objetivo de sensibilizar as autoridades públicas sobre a falta de infraestrutura, descuidos e os pontos da via que trazem maior risco para a segurança dos usuários e, também, os números de sinistros e mortes ocorridos nos últimos anos.

Estudo BR 040 – “A cada 10 minutos, quase 50 carretas passam pela 040. A rodovia tem uma morte a cada 12 dias”, ressaltou Mansur, durante o lançamento do grupo de trabalho. Ele contou que, após sofrer um acidente, em 2019, envolvendo duas carreta, se dedicou a um minucioso levantamento sobre o trecho entre o bairro Alphaville Lagoa dos Ingleses, em Nova Lima, até a cidade de Conselheiro Lafaiete, considerado um dos mais perigosos da BR 040.

A pesquisa levou em consideração o fluxo de veículos, o número de vítimas fatais e de sinistros, além de suas características em uma extensão de 54 km. O estudo, realizado durante dois anos – entre os anos de 2020 e 2022 -, mostrou que no trecho foram registrados 272 sinistros, com 53 mortes. No trecho analisado, foram registrados 120 sinistros e 25 vítimas fatais (em 2020) e 132 sinistros e 26 vítimas fatais (em 2022). A segunda-feira foi o dia da semana com o maior número de sinistros (49) e vítimas fatais (15). Os locais onde ocorreram mais acidentes, por ordem são: os quilômetros 593, 614, 611, 588 e 565.

Segundo o engenheiro, apesar de todo o trecho observado apresentar alta periculosidade, existem locais que concentram altos índices de acidentes e mortes, como por exemplo, o decurso entre os km 582 e Km 593 no qual foram registrados 88 sinistros, com 9 mortes, e entre os Km 611 e Km 617, onde há interface com a malha viária urbana, que apresentou 61 sinistros e 14 mortes. “São dados que mostram um cenário estarrecedor. Essa estrada não foi ajustada para as mudanças socioeconômicas potencializadas pelo seu eixo nas últimas décadas. É uma rodovia hostil, perigosa e letal”, declarou.

Participação das carretas de minério – No levantamento, Hérzio Mansur mostrou um ponto relevante de participação das carretas de minério nos acidentes. Segundo ele, dos 272 sinistros apontados, 127, ou seja 46,7%, contaram com a presença deste tipo de veículo, sendo 28 acidentes com vítimas fatais.  De acordo com o engenheiro, apenas no Km 581, no período das 18h05m às 18h15m, cerca de 114 veículos passaram pelo local, sendo 44 carretas, ou seja, 27,85% dos usuários. “Verifiquei que, independentemente do horário e das condições climáticas, o volume de carretas transportando minério predomina em todo o trecho. Ou seja, para quase três veículos que utilizam a via, uma é carreta de minério”, destacou.

 

O alto índice de carretas circulando na via chama a atenção, devido a via paralela à BR 040 que deixou de ser utilizada. “Se ela fosse aproveitada, isso tiraria as carretas de minério da rodovia. Isso precisa ser revisto. Dá pra se utilizar de uma maneira que agrida menos uma mãe que está levando seu filho para a escola, a pessoa que está indo trabalhar ou até mesmo para quem viaja para o Rio de Janeiro”, avalia o engenheiro responsável pelo levantamento.

Próximos passos- Ainda na primeira quinzena de abril será marcada a primeira reunião do Grupo de Trabalho com a Polícia  Rodoviária Federal e a Estadual para ampliação do diálogo e relacionamento com os municípios afetados. O grupo de trabalho também vai solicitar uma audiência com o ministro de Transportes, Renan Filho, sobre os entraves da rodovia que motivaram a criação do grupo.

 

Também será solicitada uma agenda com o Governo de Minas para apresentar o grupo de trabalho e reforçar as primeiras pautas. Entre os pontos a serem abordados estão as obras no trevo de Água Limpa. Segundo o  prefeito de Itabirito (MG), Orlando Caldeira, a proposta já foi apresentada ao DER-MG, já aprovado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes – DNIT, que garantiu melhorias para o local. “As mineradoras assumiram o compromisso de arcar com os custos, porém até hoje a concessionária, que ainda está à frente da rodovia, não executou o projeto. As obras resultarão em mais segurança aos motoristas que trafegam pela BR-040, aos moradores da região de Água Limpa e às empresas instaladas no Distrito Industrial da rodovia”, destacou.

 

Orlando reforçou que a realização de melhorias no trevo é uma demanda antiga da população de toda a região. “Estamos trabalhando com afinco, em conjunto com os municípios vizinhos, para concretizá-la e solucionar o problema dos recorrentes acidentes no local. Já apresentamos o projeto à  Agência Nacional de Transportes Terrestres – (ANTT) e queremos colocá-lo em prática, com urgência”, salientou.

 

 

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