A indústria de implementos rodoviários registrou comportamentos distintos em seus dois principais segmentos durante o mês de abril, com o setor de Reboques e Semirreboques apresentando recuo enquanto o segmento de Carroceria sobre Chassis obteve crescimento no período.
De acordo com os dados consolidados pela ANFIR (Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários), foram emplacados em abril 5.535 produtos do segmento pesado, contra 6.390 unidades registradas em março, o que representa uma retração na comparação mensal. Já no segmento leve, as vendas de carrocerias sobre chassis totalizaram 6.232 equipamentos em abril, superando as 5.821 unidades comercializadas no mês imediatamente anterior.
José Carlos Spricigo, presidente da ANFIR, explicou que o recuo do segmento pesado pode ser interpretado como um sinal de cautela por parte dos operadores logísticos diante da decisão de investir recursos na aquisição de reboques e semirreboques, provavelmente em razão de incertezas quanto aos rumos da economia. Em contrapartida, o desempenho do segmento leve reflete, segundo o executivo, o comportamento do consumo e as demandas específicas das operações logísticas urbanas. Outro fator apontado como potencialmente influente no resultado de vendas foi o número de dias úteis disponíveis em cada mês, já que abril contou com 20 dias úteis, enquanto março teve 22 dias, diferença que, na avaliação de Spricigo, representa menos negócios realizados e afeta diretamente o desempenho da indústria no período.
A Associação recebeu com otimismo a renovação do programa Move Brasil, que passará a financiar a renovação da frota de caminhões, ônibus e implementos rodoviários para empresas de transporte rodoviário de carga e de passageiros, cooperativas e caminhoneiros autônomos. Spricigo destacou que a inclusão de implementos rodoviários no programa constitui uma medida importante a favor da indústria e da melhoria contínua da segurança no transporte rodoviário de cargas. O valor total disponibilizado na nova fase do programa alcança R$ 21,2 bilhões, mais que o dobro dos R$ 10 bilhões reservados para a primeira fase do Move Brasil.
Desempenho de mercado
A análise do desempenho acumulado no primeiro quadrimestre de 2026, em comparação com igual período do ano anterior, revela um cenário negativo para a indústria de implementos rodoviários como um todo. Entre janeiro e abril de 2026 foram emplacados 42.608 produtos, enquanto nos mesmos quatro meses de 2025 o total havia sido de 48.004 unidades, o que corresponde a uma variação negativa de 11,24%.
No segmento pesado, o recuo foi ainda mais acentuado e de janeiro a abril de 2026 foram registradas 21.267 unidades emplacadas de reboques e semirreboques, ante 24.391 implementos no primeiro quadrimestre de 2025, uma queda de 12,81%. O segmento leve também apresentou retração no acumulado do ano, com 21.341 equipamentos comercializados nos primeiros quatro meses de 2026 contra 23.613 no mesmo período de 2025, o que representa uma diminuição de 9,62%.
Linhas de produtos
A análise detalhada por família de produtos dentro do segmento de reboques e semirreboques mostra desempenhos bastante heterogêneos. As famílias que apresentaram crescimento no acumulado janeiro a abril de 2026 em relação a igual período de 2025 foram: especial, que saltou de 809 para 918 unidades, alta de 13,47%; transporte de toras, de 412 para 481 unidades, crescimento de 16,75%; tanque inox, de 144 para 179 unidades, aumento de 24,31%; e baú carga geral, que cresceu 2,20%, passando de 3.493 para 3.570 unidades.
Por outro lado, as quedas mais expressivas ocorreram nas famílias baú lonado, que despencou de 2.372 para 1.330 unidades, uma retração de 43,93%; tanque carbono, que caiu de 2.071 para 1.087 unidades, queda de 47,51%; carrega tudo, de 835 para 635 unidades, redução de 23,95%; porta contêiner, de 1.686 para 1.468 unidades, baixa de 12,93%; e baú frigorífico, de 665 para 578 unidades, recuo de 13,08%.
As demais famílias apresentaram variações negativas mais moderadas: basculante caiu 7,67% (de 4.122 para 3.806), graneleiro/carga seca recuou 6,49% (de 4.501 para 4.209), canavieiro diminuiu 7,91% (de 1.049 para 966), dolly teve queda de 8,49% (de 2.025 para 1.853) e silo registrou baixa de 9,66% (de 207 para 187). A família tanque alumínio não apresentou nenhuma unidade comercializada em ambos os períodos.
No segmento de carrocerias sobre chassis, o levantamento por família no primeiro quadrimestre também evidencia predominância de retrações. A única família que registrou crescimento foi a de baú lonado, que passou de 152 para 154 unidades, uma alta de 1,32%.
Todas as demais categorias apresentaram quedas: graneleiro/carga seca caiu 16,42% (de 5.438 para 4.545 unidades); baú alumínio/frigorífico recuou 6,57% (de 9.722 para 9.083); basculante diminuiu 7,47% (de 2.692 para 2.491); betoneira sofreu retração de 20,31% (de 640 para 510); tanque teve queda de 10,61% (de 1.724 para 1.541); e outras/diversas apresentaram redução de 7,03% (de 3.245 para 3.017 unidades).
O total geral do mercado interno de implementos rodoviários, somando ambos os segmentos, passou de 48.004 unidades no primeiro quadrimestre de 2025 para 42.608 no mesmo período de 2026, resultando na já mencionada contração de 11,24%.
No que diz respeito ao mercado externo, os dados disponíveis até março de 2026 indicam um desempenho positivo para as exportações do setor. Foram embarcadas 1.045 unidades nos três primeiros meses do ano, contra 895 unidades no mesmo intervalo de 2025, o que representa um crescimento de 16,76% na comparação anual.