O Procurement Club, organização focada em antecipar tendências e conectar os stakeholders ao dia a dia dos profissionais de Compras e Supply Chain (cadeia de suprimentos), apresenta os resultados da sua Pesquisa de CPOs & CSCOs 2026. O estudo, que ouviu 133 respondentes, sendo 95% atuantes na América Latina e 89% diretamente ligados ao Supply Chain, traça um panorama detalhado para o próximo ano. A amostra é majoritariamente composta por gerentes e diretores (79%), além de executivos C-level e fundadores, representando setores como indústria, tecnologia, serviços corporativos, saúde, consumo, varejo e infraestrutura.
A conclusão central é que a agenda de Procurement e Supply Chain em 2026 será marcada por uma forte pressão por eficiência, seletividade nos investimentos, fortalecimento da governança e uma busca intensa por produtividade, tendo como principais aliadas a automação e as ferramentas de analytics.
O levantamento indica um setor que se tornou mais estratégico, mas que ainda enfrenta limitações estruturais significativas para avançar em escala com a inteligência artificial. Quando questionadas sobre as prioridades para 2026, as empresas colocaram o atingimento de metas financeiras no topo da lista, com 21% das respostas. Em seguida, aparecem a capacitação e a evolução do perfil da equipe (14%) e a digitalização de processos de Supply Chain (12%). Esses dados reforçam uma agenda menos focada em grandes transformações disruptivas e mais orientada à captura de valor, à disciplina operacional e ao retorno tangível sobre os investimentos realizados.
Um dos pontos de atenção destacados pela pesquisa é o descompasso entre o avanço do debate sobre inteligência artificial e a real maturidade operacional das empresas. Segundo o estudo, 47% das organizações ainda precisam resolver lacunas fundamentais em seus processos e na qualidade dos dados antes de qualquer avanço consistente com IA em Supply Chain. Além disso, 56% dos respondentes classificam como baixo o atual nível de interconexão entre IA, sistemas e processos, descrevendo um cenário onde as aplicações ainda são isoladas e dependem frequentemente de intervenção humana.
Na avaliação de Maíra Rossi, diretora de Relacionamento do Procurement Club, o panorama revela um setor em plena transição. “A pesquisa mostra que 2026 será menos definido pela quantidade de iniciativas e mais pela capacidade de priorizar o que realmente gera resultado. O Procurement e o Supply Chain estão mais pressionados por eficiência, mas também mais conscientes de que produtividade sustentável depende de fundamentos bem resolvidos, como processos, dados, governança e pessoas.”
Os resultados também demonstram que a tecnologia não é a única frente crítica na agenda dos líderes. Em gestão de pessoas, os dados apontam que a retenção de talentos está mais associada à experiência do colaborador como um todo do que a benefícios isolados. Um ambiente de trabalho positivo e psicologicamente seguro, o reconhecimento profissional e o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional aparecem entre os fatores mais valorizados, figurando à frente até mesmo da flexibilidade de trabalho. “Esse é um sinal importante de maturidade do setor. Em áreas pressionadas por volatilidade, transformação e cobrança por entrega, liderança, confiança e comunicação clara deixam de ser atributos desejáveis e passam a ser fatores concretos de retenção, engajamento e execução”, analisa Maíra.
Operação
Do ponto de vista operacional, a automação, o analytics e as ferramentas digitais lideram como a principal alavanca percebida de eficiência para 2026, com 37% das menções. Já entre os KPIs que devem concentrar o maior esforço das empresas no próximo ano, destacam-se o controle de custos, savings e eficiência logística, com 31% das respostas, seguidos por automação e produtividade com IA (21%) e gestão de risco da cadeia e performance de fornecedores (15%).
Aliás, a relação com os fornecedores, por sua vez, ganha um novo e importante peso estratégico. O estudo aponta o avanço de uma lógica menos transacional e mais orientada à colaboração, reputação, flexibilidade e ganhos mútuos. Paralelamente, temas como compliance, risco regulatório e arquitetura de dados se consolidam como habilitadores fundamentais da agenda de eficiência e inovação. “Há uma mudança importante em curso, pois Procurement e Supply Chain deixam de ocupar apenas um papel de controle de custo e passam a responder por temas como resiliência, risco, governança e criação de valor. A pesquisa mostra um setor mais sofisticado, mas também mais desafiado a fazer escolhas com mais foco e consistência”, finaliza a executiva.