Nova fábrica da Mercedes-Benz na Argentina tem layout “espinha de peixe”

Unidade em Zárate, projetada do zero em parceria com Brasil, elimina deslocamentos, integra logística e aumenta produtividade na montagem de caminhões e ônibus

Por José Augusto Ferraz

- maio 8, 2026

Linha de montagem na nova fábrica de caminhões e ônibus da Mercedes Benz na Argentina

A nova fábrica da Mercedes-Benz em Zárate (Argentina), projetada do zero em parceria com a engenharia brasileira da marca, substitui a antiga instalação, considerada uma verdadeira “colcha de retalhos”, por um layout coeso e moderno em que contêineres são desconsolidados diretamente nas estações de montagem, sem deslocamentos. A unidade produz caminhões e ônibus na mesma linha, aproveita a proximidade ao porto para cortar custos logísticos e já está preparada para modelos articulados futuros.

O projeto, executado em parceria com as equipes do Brasil e da Argentina, é descrito por Ricardo Bocciardi, diretor de Operações de Ônibus da Mercedes-Benz do Brasil, como uma planta projetada do zero para caminhões e ônibus, ao contrário da antiga instalação. “A primeira é uma planta pensada para caminhões e ônibus. A anterior era uma colcha de retalhos e fomos agregando áreas nos espaços disponíveis. Aqui é um leito totalmente desintegrado: logística, desconsolidação de contêineres, logística integrada na linha, pré-montagem. Existe um fluxo de layout bastante inteligente, que dá uma ótima eficiência e qualidade de produto”, afirma o executivo, que participou diretamente do desenvolvimento da unidade.

De acordo com Bocciardi, a nova configuração, organizada em “espinha de peixe”, permite que os contêineres sejam desconsolidados diretamente nas estações de montagem, eliminando deslocamentos desnecessários e aumentando a produtividade.

A fábrica tem capacidade instalada para produzir 10 mil veículos por ano em dois turnos, englobando caminhões e ônibus na mesma linha de montagem, com lotes alternados. “A gente produz tudo na mesma linha. Um lote de ônibus, um lote de caminhão e assim vai. Depende um pouco do mix de mercado”, explica Bosiardi. A operação começa, porém, com apenas um turno de trabalho, ajustado à demanda atual.

Atualmente, o centro industrial de Zárate fabrica os caminhões Accelo e Atego, nas versões de dois eixos, além dos chassis de ônibus OF, que chegam do Brasil em regime CKD (Completely Knocked Down) e são montados localmente, e do XBC (Flexible Bus Concept/Conceito de Ônibus Flexível) modelo de piso baixo com motor traseiro voltado ao mercado argentino. “O Accelo, o Atego e o OF sim. O XBC ele é parte produzido na Argentina, tem um grande conteúdo local, e uma parte vem do Brasil. É um produto misto”, detalha o diretor.

Embora não opere hoje com veículos articulados, a infraestrutura da planta já está preparada para o futuro. “A fábrica está preparada para eventualmente fazer novos modelos, articulados ou carros com três ou quatro eixos”, afirma Bocciardi.

A nova unidade também concentra vantagens competitivas importantes. A proximidade com o porto de Zárate reduz custos logísticos e agiliza a distribuição para o mercado interno e para a exportação. Uma parte da produção de ônibus XBC, na versão com motorização Euro 6, é atualmente exportada para o México, num fluxo que utiliza a Colômbia como ponto de intermediação. “Esse produto em específico é argentino. O México se interessou por ele na motorização Euro 6. Fazia todo sentido a Argentina produzir”, explica Bocciardi. A demanda mexicana, porém, é pequena e constante, situando-se entre 200 e 300 unidades por ano. Os demais países da América do Sul, segundo o executivo, continuam sendo atendidos pela fábrica brasileira.

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