O setor de logística, composto pelas áreas de Transporte, Serviços Portuários e Aeroportuários fechou 2022 com um total de 58 operações de fusões e aquisições, desempenho abaixo do alcançado no ano anterior, quando computou 67 operações dessa natureza, uma queda de 13,4%, de acordo com estudo divulgado na segunda-feira, 3, pela consultoria Redirection International. Segundo os especialistas em M&A, os economistas Adam Patterson e Gabriel Loest Cardoso, sócios da Redirection International e responsáveis pelo estudo, no setor, as aquisições podem ser um meio para reforçar a resiliência, abrir o acesso a recursos críticos, acessar novos mercados, novas tecnologias e também adicionar capital humano.
Os números demonstram, no entanto, que apesar da pequena queda em 2022, a representatividade do setor de logística no volume total das operações de fusões e aquisições de empresas no país tem aumentado nos últimos anos, respondendo pela média de 3,4% nos negócios nos últimos 2 anos, acima do desempenho de 2,5% apontado entre os anos de 2018-2020, o que demonstra o aumento da relevância do setor e a consolidação acontecendo, segundo os especialistas. “Esse desempenho também indica que outros setores, em geral, são mais afetados pela atual volatilidade nos mercados financeiros, pressões inflacionárias, aumento das taxas de juros e tensões geopolíticas, todos os quais contribuem para a incerteza geral”, apontam os especialistas no estudo.
De acordo com o levantamento, o setor de transportes capitaneou a área de fusões e aquisições no ano passado, respondendo por 79% dos negócios, acima do desempenho de 2021, quando respondeu por 38% dos negócios. “No modal rodoviário, faz muita diferença ter uma malha logística capaz de atender grandes clientes com atuação nacional. As aquisições também podem ser usadas para reforçar a resiliência, abrir o acesso a recursos críticos, acessar novos mercados, novas tecnologias e também adicionar capital humano das empresas”, explica Cardoso.
Segundo o levantamento, em geral, o mercado apresenta perspectivas positivas para os próximos anos. Somente no 1º semestre de 2021, o transporte rodoviário de carga cresceu 38% no Brasil e projeta-se um incremento anual de 9% no mercado de Frete e Logística até 2029, de acordo com estimativas da Redirection. “Já para o segmento de 3PL (operador logístico terceirizado) a expectativa é de um crescimento maior, de até 12% por ano. Acreditamos que a demanda mais alta cria a necessidade de se ter operações maiores”, afirma Patterson.
Os operadores logísticos, no entanto, veem os processos de fusão e aquisição como forma de atingir objetivos diferenciados, dependendo de seu porte. “Os operadores logísticos de porte médio, com receita até R$500, R$600 milhões, buscam crescer e ganhar mercado com o intuito de competir com os grandes e já consolidados OLs. Da mesma forma, os OLs menores, com receita entre R$200-R$300 milhões, estão atrás de oportunidades de adquirir rivais e expandir a atuação regional, mirando virar players nacionais. Esta é a dinâmica do mercado que aquece a demanda investimentos e por transações de M&A. Também há vários fundos indiretos alocando capital, por exemplo, fundos imobiliários que atuam no setor de imóveis logísticos”, revela Cardoso.
Fragmentação é vantagem – Outra característica do setor de transporte e logística nacional, a sua grande fragmentação, é uma vantagem para organizações menores, avaliam os analistas. O levantamento indica que o Brasil conta atualmente, com 280 mil transportadoras e 878 mil caminhoneiros autônomos registrados das quais 75% são pequenas transportadoras de até 5 caminhões, segundo dados da Instituto ILOS e ABOL de 2022, bem mais expressivo que o mercado dos EUA que responde por 60 mil transportadores autônomos. “Apesar de atividade robusta de M&A nos últimos anos, o mercado de logística segue pulverizado com espaço para mais transações. Mercados fragmentados podem apresentar oportunidades para organizações menores entrarem em um setor e alcançarem mercados-alvo menores e mais especializados. Quando um mercado se fragmenta, ele cria subsetores menores que se tornam vantajosos para a entrada de novas organizações”, observa Patterson.
O estudo também aponta que, no Brasil, mais empresas aderem à terceirização logística, 94% das companhias em comparação com o mercado norte-americano e europeu, que respondem por 67% e 81%, respectivamente. “No Brasil, planejamento de logística é ainda mais importante, pois os gastos com logística representam um percentual significativo no orçamento empresarial. Por isso, uma boa gestão de logística é fundamental para garantir resultados e rentabilidade”, aponta Cardoso.
Na opinião do analista, a terceirização em logística confere mais valor agregado ao desenvolvimento das operações, proporcionando qualidade superior frente à limitação de recursos, falta de tempo ou em função do próprio perfil da empresa, ajudando a companhia contratante a focar no seu “core business”. “Outro impulsionador da contratação da logística, nos últimos anos, foi a reforma trabalhista, que trouxe com ela a terceirização de profissionais, tanto para as atividades-meio, quanto para as atividades-fim de uma empresa. Ou seja, com gastos de logística maiores, a terceirização pode ajudar a reduzir custos, mantendo os níveis de qualidade, segurança e equipamentos”, diz.
