Regeneração de energia e mais espaço para baterias impulsionam avanço dos eixos elétricos

Por Victor Fagarassi

- junho 10, 2026

Regeneração de energia e mais espaço para baterias impulsionam avanço dos eixos elétricos

A eletrificação dos veículos comerciais avança em diferentes frentes, e uma das tecnologias que vêm ganhando protagonismo nesse processo são os eixos elétricos. Mais do que substituir componentes tradicionais, eles representam uma mudança na arquitetura dos veículos e podem contribuir para ganhos significativos de eficiência energética, redução de custos operacionais e melhor aproveitamento do espaço destinado às baterias.

Segundo Rafael Souza, diretor de Produto e PMO da Divisão de Eixos da Cummins, o conceito do eixo elétrico difere substancialmente do sistema convencional utilizado atualmente em caminhões e ônibus. Enquanto nos veículos movidos a combustão a energia percorre um longo caminho entre motor, transmissão, cardã e diferencial até chegar às rodas, no eixo elétrico o motor fica integrado ao conjunto traseiro, recebendo energia diretamente das baterias e transmitindo torque de forma mais imediata.

Rafael Souza, diretor de Produto e PMO da Divisão de Eixos da Cummins“Além de eliminar perdas mecânicas ao longo do veículo, essa configuração abre espaço no chassi para acomodação dos pacotes de baterias, algo fundamental para a viabilidade dos caminhões elétricos”, explica o executivo.

Eixos elétricos e seus diferenciais

Apesar das vantagens, a tecnologia traz desafios importantes. Um dos principais está relacionado ao sofisticado sistema eletrônico responsável pelo gerenciamento da energia, distribuição de torque e recuperação energética durante as frenagens. Paralelamente, os componentes mecânicos precisam ser reforçados para suportar um ciclo operacional diferente daquele encontrado nos eixos convencionais.

A regeneração de energia, aliás, é apontada como um dos maiores diferenciais dos eixos elétricos. Durante as frenagens, parte da energia cinética que normalmente seria dissipada em forma de calor retorna para as baterias, aumentando a eficiência do veículo e reduzindo o desgaste de componentes como pastilhas e lonas de freio.

Por essa característica, aplicações urbanas aparecem hoje como o ambiente mais favorável para a eletrificação. Operações de distribuição, coleta urbana e transporte coletivo realizam constantes acelerações e frenagens, maximizando o potencial de regeneração energética. Além disso, as velocidades mais baixas reduzem os efeitos do arrasto aerodinâmico, diminuindo o consumo de energia.

Nas operações rodoviárias de longa distância, o cenário ainda é mais desafiador. Segundo Souza, a limitação da infraestrutura de recarga continua sendo um dos principais obstáculos para a expansão dos veículos elétricos pesados. Ainda assim, ele destaca que o desafio é global e não exclusivo do Brasil.

eixo MT17XHE bx (1)Enquanto a eletrificação avança, a Cummins segue investindo também na evolução dos eixos convencionais. A empresa iniciará em 2027 a produção nacional do eixo MT17 XHE, destinado a caminhões extrapesados de até 100 toneladas. Segundo a fabricante, o componente oferece ganhos de eficiência entre 2% e 4% em comparação aos modelos atuais.

O executivo também destaca que existe um equívoco comum no mercado ao imaginar que basta acoplar um motor elétrico a um eixo convencional para obter os benefícios da eletrificação. “Os eixos precisam ser reprojetados e dimensionados para suportar as novas cargas, a regeneração e as características específicas dessa operação”, afirma.

Atualmente, a Cummins trabalha em duas frentes para atender o mercado de veículos eletrificados: os eixos elétricos integrados, desenvolvidos pela divisão Accelera, e eixos convencionais especialmente adaptados para trabalhar com motores elétricos externos.  Essa segunda solução já vem sendo utilizada em projetos de ônibus e caminhões urbanos e é vista como uma etapa intermediária para a adoção mais ampla dos eixos elétricos completos.

Para Souza, o futuro do transporte de cargas e passageiros passará por diferentes tecnologias coexistindo de acordo com cada aplicação. “Não existe uma solução única. O importante é desenvolver produtos mais eficientes, economicamente viáveis e que contribuam para reduzir as emissões do setor”, conclui.

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