Entidade espera mercado de 3,76 milhões de unidades em 2012
A Fenabrave, federação dos distribuidores de veículos, revisou para baixo a expectativa de vendas para este ano depois do fraco resultado de abril. A entidade projeta que o mercado absorva 3,76 milhões de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus em 2012, com expansão de 3,5% sobre o resultado do ano passado.
Para a organização, os emplacamentos de veículos leves crescerão 3,5%, para 3,54 milhões de unidades. A expectativa anterior era de um aumento de 4,5%. A alta será puxada pelo segmento de comerciais leves, que deve avançar 8,8%, para 844,9 mil veículos, contra expansão de apenas 1,9% no licenciamento de automóveis, para 2,7 milhões de unidades.
Mesmo depois de reduzir a expectativa, a Fenabrave ainda enxerga a demanda por caminhões de forma mais otimista do que o resto do mercado, que espera vendas de até 150 mil unidades este ano. A entidade prevê o emplacamento de 177,1 mil veículos, com evolução de 2,6% sobre o resultado de 2011. Já a venda de ônibus deve crescer 13,5% e chegar a 39,4 mil chassis.
RECUPERAÇÃO NO 2º SEMESTRE
A redução das projeções da entidade é reflexo da retração das vendas no primeiro quadrimestre do ano. Com 1,07 milhão de veículos, houve queda de 3,4% nos emplacamentos. A queda foi ainda mais acentuada em abril, quando os licenciamentos diminuíram 14,2% na comparação com março e 10,8% sobre o mesmo mês do ano passado, para 257,8 mil unidades.
Flávio Meneghetti, presidente da Fenabrave, aponta a restrição ao crédito como principal responsável pelo tombo. O aumento da exigência para a liberação de linhas de financiamento foi causado pela evolução da inadimplência nos últimos meses. O executivo destaca que os calotes aconteceram entre consumidores que ascenderam economicamente nos últimos anos e compraram carros entre 2009 e 2010. “São clientes que financiaram o automóvel em 60 meses sem entrada e se envolveram em outras dívidas”, aponta.
O presidente da entidade avalia que o consumidor brasileiro tem hoje, em média, 22% de sua renda comprometida. A tendência, segundo ele, é que esse porcentual diminua a partir do segundo semestre e estimule a liberaçãode crédito e a concretização de novas vendas. Outro motivo para o resultado decepcionante é o alto volume de estoques do início do ano. “Essa ainda é uma preocupação”, entrega Meneghetti. Segundo ele, o problema afeta tanto o pátio das montadoras quanto a rede de distribuição.
O resultado do primeiro quadrimestre também fica distorcido na comparação com o início do ano passado. Entre janeiro e abril de 2011 o mercado cresceu 4,5% antes de ser afetado pelas medidas macroprudenciais adotadas pelo governo para reduzir a inflação.
CONFIRA O DESEMPENHO POR SEGMENTO:
Leves
Em abril o mercado de leves chegou a 244,8 mil veículos. O volume é 13,8% menor do que o anotado em março e 10,2% inferior ao do mesmo mês do ano passado. O licenciamento de automóveis novos chegou a 188,7 mil unidades, com queda de 14,1% no reajuste mensal e de 10,8% no anual. Já o segmento de comerciais leves somou 56,1 mil emplacamentos, volume 12,7% menor do que o do mês anterior e 8,3% inferior ao de abril do ano passado.
No acumulado dos quatro primeiros meses do ano foram vendidos 1,01 milhão de veículos leves, com retração de 3,1% sobre o mesmo período de 2011. Foram emplacados 789,9 mil automóveis, com baixa de 3,4%, e 227,5 mil comerciais leves, número 2,2% menor do que o registrado no ano passado.
Pesados
Com 13 mil emplacamentos, a demanda por veículos comerciais caiu 20,7% no mês passado na comparação mensal e 20% na anual. Foram vendidos 10,8 mil caminhões, com queda de 18,5% sobre março deste ano e de 19,7% sobre abril de 2011. O segmento de ônibus anotou queda ainda mais acentuada, de 30% em relação ao mês anterior e de 21,4% quando a base é o mesmo período do ano passado, para 2,1 mil unidades.
As vendas de veículos pesados sofreram retração de 20,7% no quadrimestre, para 58,6 mil unidades. O maior tombo aconteceu no segmento de caminhões, que diminuiu o ritmo em 9,1% no quadrimestre, para 48 mil licenciamentos. Já os emplacamentos de ônibus caíram 2,2%, para 10,5 mil chassis.
Automotive Business
