A Driventic, anteriormente parte da Voith, marcou sua estreia oficial com a nova identidade durante a Lat.Bus 2026. A empresa apresentou tecnologias voltadas ao transporte rodoviário e reforçou a estratégia de atuar com mais agilidade no desenvolvimento de soluções para diferentes mercados, incluindo o Brasil.
Entre os destaques exibidos na feira estão o VDS, motor elétrico para veículos comerciais, e a nova família de transmissões automáticas DIWA NXT. A companhia também revelou o desenvolvimento de um retarder elétrico em parceria com uma montadora ainda não divulgada.
Dinamismo e proximidade com clientes
Segundo Lucas Rolim, diretor comercial da Driventic, a separação operacional da Voith teve como principal objetivo aumentar a velocidade de resposta e aproximar a empresa dos clientes. Embora mantenha vínculo com o grupo alemão, a Driventic passou a operar de forma independente e direcionada ao mercado de veículos comerciais.
A mudança já teria produzido reflexos nos resultados da operação brasileira. De acordo com Rolim, a empresa registrou uma melhora de desempenho estimada entre 5% e 6% no EBIT no Brasil, embora os números globais sejam tratados de forma mais conservadora.
A estrutura independente também pretende reduzir etapas burocráticas em processos como elaboração de orçamentos, atendimento e desenvolvimento de projetos. A expectativa é oferecer respostas mais rápidas tanto para demandas simples quanto para projetos customizados.
“A gente ganhou em dinamismo. Temos uma velocidade de resposta muito maior e uma proximidade com os clientes que não tínhamos antes”, afirmou o executivo.
Desenvolvimento de produtos passa a considerar necessidades regionais
A Driventic mantém uma área própria de pesquisa e desenvolvimento. Uma das mudanças destacadas pela empresa é a possibilidade de adaptar soluções às características de cada país, em vez de trabalhar apenas com produtos desenvolvidos para o mercado europeu.
A estratégia prevê uma plataforma central, que pode receber adequações para aplicações no Brasil, nos Estados Unidos, na China e em outros mercados. Segundo Rolim, essa abordagem permite incorporar a visão de países emergentes e desenvolvidos ao processo de criação de novas tecnologias.
A empresa avalia que a chamada tropicalização das soluções pode ampliar a eficiência dos produtos e facilitar sua aplicação em diferentes condições de operação, infraestrutura e regulamentação.
Na Lat.Bus 2026
A Driventic exibiu seus dois últimos lançamentos na feira. O VDS foi apresentado como um motor 100% elétrico para veículos comerciais. A proposta é oferecer uma combinação entre autonomia e custo quilométrico, dois dos principais fatores considerados por operadores e fabricantes na adoção da eletrificação.
O sistema já é aplicado em diferentes fabricantes de equipamentos originais, incluindo OEMs europeus e chineses. A empresa também citou uma licitação realizada em Londres, na qual venceu a concorrência para fornecer tecnologia destinada a mais de 1 mil veículos, com base no custo por quilômetro.
Já o DIWA NXT é uma família de transmissões automáticas para veículos a diesel. O sistema pode ser acoplado a um motor elétrico, permitindo que a transmissão desempenhe uma função híbrida.
A tecnologia aproveita a energia gerada durante as frenagens e a reinjeta no sistema, contribuindo para o reaproveitamento energético e a redução do consumo de combustível. Com a integração do motor elétrico, veículos equipados com a transmissão podem operar com uma configuração híbrida.
Na avaliação de Lucas Rolim, a feira mostrou que a eletrificação continua sendo uma tendência irreversível, mas também revelou a importância de tecnologias intermediárias para o transporte comercial. Para a Driventic, essas tecnologias podem reduzir emissões e melhorar o consumo de combustível sem exigir, imediatamente, a mesma estrutura necessária para uma frota 100% elétrica.
Retarder elétrico está em desenvolvimento
A Driventic também trabalha no desenvolvimento de um retarder 100% elétrico, em parceria com uma montadora cujo nome não foi revelado.
Atualmente, a linha da empresa utiliza retarders hidrodinâmicos, que dependem de óleo e de integração com o sistema de resfriamento do veículo. A versão elétrica deverá reduzir a complexidade do conjunto, pois funcionará a partir de um sistema elétrico de acionamento.
Embora ainda esteja em fase de desenvolvimento, a expectativa é que o novo equipamento ofereça a mesma função de frenagem auxiliar com menor desgaste e potencial redução de custos. A previsão mencionada na entrevista é de que a novidade avance para uma apresentação pública no início de 2027.
