BorgWarner vê diferentes caminhos na jornada da descarbonização

Por Gustavo Queiroz

- junho 27, 2025

Caminhos da descarbonização do transporte

Para a sistemista, a descarbonização do transporte contempla um cenário eclético, que inclui desde a melhoria dos motores atuais até as soluções com outras fontes energéticas

 

Múltiplas soluções e caminhos diversificados. É assim que a BorgWarner aposta na transição energética no transporte pesado no Brasil. Para a sistemista, o futuro contemplará um cenário eclético, com diferentes matrizes energéticas para acolher as principais características regionais e de aplicação dos veículos comerciais em termos de macrotendências da mobilidade.

Vagner Davanzo (14)
Vagner Davanzo, diretor de Vendas e Engenharia da unidade de Turbos e Thermal da BorgWarner

Na visão de Vagner Davanzo, diretor de Vendas e Engenharia da unidade de Turbos e Thermal da BorgWarner, os combustíveis alternativos possuem uma gama de opções de caminhos para seguir.

“No curto prazo, combustíveis como GNV/biometano ganham destaque, especialmente em regiões produtoras como o eixo Rio-São Paulo, onde já circulam caminhões movidos a gás. O etanol também surge como alternativa, com pesquisas em andamento para adaptá-lo ao ciclo diesel, aposta Davanzo.

Já o hidrogênio, embora seja apontado como uma promessa para a descarbonização, ainda encontra desafios significativos, como a alta inflamabilidade e a necessidade de controle preciso da combustão. “Vejo como uma solução viável, mas talvez em uma década”, pondera o diretor.

Como motor dessa transição, explica Vagner, as montadoras de veículos terão papel central na definição das tendências, impulsionadas por estratégias de diferenciação. “São elas que detém o maior poder e vão ditar o andamento dessa evolução”. Já as políticas governamentais, embora importantes, não devem ser o principal incentivador da inovação.

Avanço com ressalvas

inversor de carboneto de silício de 800 volts para veículos elétricos
Inversor de carboneto de silício para veículos elétricos

Apesar do avanço global da eletrificação para uso veicular, o especialista vê inúmeras ressalvas nessa alternativa energética no curto prazo. “Além da autonomia e tempo de recarga, um dos grandes desafios para veículos elétricos pesados é a capacidade de carga útil, já que as baterias ainda são volumosas”.

Outro impedimento associado à eletrificação é a questão da segurança, por conta do superaquecimento do componente. O representante da BorgWarner ressalta que é importante trabalhar com sistemas de controle térmico, mas admite que normas específicas para incêndios em baterias ainda estão em fase de evolução.

Em que pese tais ressalvas, a BorgWarner vem investindo cada vez na oferta e desenvolvimento de componentes elétricos para aplicação veicular, no esforço de atender a essa demanda.

“Hoje, não somos mais uma empresa 100% focada em combustão. Temos um portfólio robusto para veículos elétricos”, afirma Davanzo. A sistemista iniciou sua jornada rumo à eletrificação ainda em 2019, com o projeto Charging Forward, que prevê incrementar o faturamento de veículos elétricos para aproximadamente 45% da receita total da marca até 2030. Desde então, a empresa investiu em aquisições e desenvolvimento de tecnologias para veículos híbridos e elétricos, como inversores, sistemas de resfriamento de baterias e aquecedores de alta tensão (high voltage coolant heaters), essenciais para otimizar a recarga em climas frios.

Enquanto isso, o engenheiro aposta que os motores a diesel irão dominar o mercado por um bom tempo ainda, além de contarem com muito espaço para melhorias, mesmo com o avanço da eletrificação. Ele cita os turbocompressores de última geração, com geometria variável e sistemas ball bearing, como tecnologias que elevam a eficiência energética desses engenhos.

Saiba mais em:

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