A Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO) consolidou uma trajetória de recuperação no mercado brasileiro de chassis para ônibus no primeiro quadrimestre de 2026, período em que a companhia ampliou sua participação no total de vendas de unidades novas em aproximadamente 4% na comparação anual, conforme dados divulgados pela montadora.
O desempenho superior ao da indústria como um todo, que ainda sente os efeitos de um início de ano com queda acentuada nos emplacamentos, ocorre em meio a um movimento de retomada gradual do setor de transporte de passageiros, alimentado por demanda reprimida por renovação de frota e pela liberação de linhas de financiamento governamental, como o programa Move Brasil 2, que em sua primeira semana já viabilizou a comercialização de mais de 150 unidades da marca.

A evolução da participação de mercado é atribuída pela empresa a uma combinação de fatores que incluem a aceitação de seu portfólio Euro 6, lançado em 2023, e a capilaridade de sua rede de concessionárias. “O mercado de ônibus está em movimento de retomada, após um início de ano de queda acentuada, e a VWCO tem conquistado resultados melhores que os da indústria, o que já nos permite celebrar um crescimento na preferência das empresas do transporte”, afirmou Ricardo Alouche, vice-presidente de Vendas, Marketing e Pós-Vendas da Volkswagen Caminhões e Ônibus, em coletiva de imprensa realizada na sede da empresa.
A confiança no avanço é reforçada por outro número, uma vez que desde o lançamento do chassi elétrico e-Volksbus 22L, a empresa já comercializou 260 unidades, volume que, segundo Alouche, comprova a adesão a soluções de baixa emissão especialmente em grandes centros como São Paulo, onde há subsídios municipais que tornam viável a operação.
Jorge Carrer, diretor de Vendas de Ônibus, complementou que o ganho de tração tem sido constante desde a introdução da linha Euro 6, permitindo à Volkswagen não apenas atrair novos clientes, mas também reconquistar parcerias antigas. Um dos exemplos mais expressivos desse movimento é o segmento de fretamento, no qual a montadora responde hoje por 45,5% das comercializações de chassis, posição de liderança que se soma à tradicional força em vendas para o governo, especialmente no programa Caminho da Escola, com mais de 30 mil Volksbus em operação transportando estudantes em áreas remotas.
A idade média da frota de ônibus no Brasil, que saltou de 4,8 anos antes da pandemia para 6,3 anos em 2026, tornou-se um dos principais vetores de demanda, uma vez que muitos contratos municipais impõem limites etários que já estão sendo ultrapassados, forçando operadores a renovar seus veículos mesmo diante de um cenário de crédito seletivo e juros elevados.

A perspectiva para o ano, segundo a companhia, permanece otimista, com projeções de mercado total entre 22 mil e 24 mil unidades emplacadas em 2026, de acordo com dados da Anfavea e Fenabrave, impulsionadas por programas estruturantes como o Caminho da Escola fase 13, que licitou 7.200 ônibus escolares, e o Caminhos da Saúde, com 6.000 micro-ônibus e vans (3.000 de cada), contratos em fase final de assinatura e nos quais a Volkswagen espera garantir a maior parte dos volumes.
Além disso, o Move Brasil 2, que disponibilizou R$ 21,2 bilhões para financiamento de caminhões e ônibus com melhores prazos e carência mínima de seis meses, já gerou antecipação de compras e só na primeira semana de vigência, mais de 150 unidades foram financiadas por meio do programa, e a expectativa da empresa é que os recursos disponíveis sejam consumidos completamente até meados ou o final de agosto, dada a atratividade das taxas e a necessidade de os clientes concretizarem as operações antes do vencimento da medida provisória.
A estratégia da Volkswagen para os próximos meses se concentra em três pilares, incluindo produtos sob medida para cada aplicação, atuação em programas governamentais e foco absoluto em eficiência e rentabilidade do cliente (TCO – Total Cost of Ownership).
A linha atual inclui desde micro-ônibus com capacidade para 38 passageiros no modelo 11.180, único no mercado a oferecer suspensão pneumática traseira de série ou como opcional, até ônibus urbanos motor dianteiro com transmissão automática de oito velocidades da ZF, que a empresa garante melhorar o consumo de combustível em relação a câmbios manuais e automáticos mais antigos. Carrer destacou que a caixa automática, lançada em 2023, já responde por cerca de 35% da produção atual de ônibus motor dianteiro, com mais de mil unidades vendidas desde o início do programa, e vem sendo adotada também no fretamento, segmento em que a Volkswagen vê crescente profissionalização, inclusive no transporte de trabalhadores para áreas rurais e siderúrgicas.
Novos concorrentes
Sobre a competição, que se intensificou com a entrada de novas marcas no mercado de ônibus, especialmente no segmento elétrico, a Volkswagen sustenta que seu diferencial não está apenas no produto, mas em engenharia local que adapta tecnologias globais às necessidades brasileiras de pavimento, operação e custos; rede de 150 concessionárias treinadas; e relacionamento de longo prazo com clientes e passageiros. “O diferencial entre as marcas passa a ser a solução completa de veículo, peça de reposição, custo de manutenção baixo, valor de revenda adequado e ampla rede”, afirmou Alouche.
A companhia lembra que está no mercado de ônibus desde 1993, acumulando mais de 200 mil unidades vendidas e uma capilaridade que lhe permite, segundo Carrer, “brigar em todas as frentes com muita força”, incluindo o desenvolvimento de estudos para aplicação de motorização a gás no transporte de passageiros, embora ainda não haja solução pronta para esse segmento.

Lat.Bus 2026
A expectativa para a Lat.Bus é menos de fechamento de negócios pontuais e mais de consolidação de relacionamentos. Ricardo Alouche explicou que a antecipação de compras causada pelo Move Brasil 2, aliada à urgência dos clientes em garantir financiamento com taxas subsidiadas antes do esgotamento dos recursos (previsto para agosto), já transferiu para o primeiro semestre muitos contratos que normalmente seriam assinados durante a feira. “Será uma Lat.Bus muito mais de relacionamento, de entendimento com o cliente, de apresentação dos novos produtos, do que propriamente uma Lat.Bus de negócio”, finalizou.
