A Carueme Caminhões entra em uma fase de transformação estrutural expressiva no interior paulista ao longo dos meses de maio e junho. As operações em Ribeirão Preto, Piracicaba e Campinas passam por mudanças que envolvem desde a realocação para instalações de maior porte até a abertura de uma nova concessionária e a modernização de unidade já existente.
O movimento acompanha a estratégia da Foton de ampliar sua penetração no mercado brasileiro não apenas com caminhões, mas também com as vans e a picape Tunland nas versões V7 e V9, direcionadas a um perfil de consumidor distinto do tradicional comprador de veículos pesados.

Em Ribeirão Preto, a transição está em curso neste mês de maio. A concessionária deixa um espaço de 2 mil metros quadrados para ocupar uma área total de 10 mil metros quadrados na Rodovia Anhanguera, Km 307,5, no bairro Lagoinha. Desse total, 5.270 metros quadrados são construídos. A nova unidade contará com 16 boxes de atendimento, dos quais dois serão dedicados exclusivamente a veículos elétricos. O investimento na ampliação alcança R$ 5 milhões, e o quadro de empregos diretos sobe para 20 funcionários. A previsão de vendas de caminhões para 2026 é de 160 unidades.

Já em junho, a Carueme inaugura uma concessionária em Piracicaba, localizada na Avenida Cassio Paschoal Padovani, 581. Com área total de 2.200 metros quadrados, sendo 900 m2 construídos, a unidade terá cinco boxes de atendimento, incluindo um preparado para veículos elétricos. Foram investidos R$ 2 milhões no empreendimento, que gerará oito empregos diretos e tem meta de comercializar 50 veículos em 2026. A nova loja será voltada prioritariamente às vans e à picape Tunland, o que exige uma adaptação operacional significativa por parte da Carueme.
“É um público diferente, estamos tendo que aprender”, afirma Carlos Monteiro, CEO da Carueme Caminhões. “O perfil do cliente da Tunland é a pessoa física, portanto ele quer vir conhecer o carro de perto e fazer test-drive. Diferente de caminhão, onde o cara quer saber consumo, custo de mão de obra, custo da revisão, enfim, o TCO (custo total de propriedade) completo e detalhado. Na Tunland, o consumidor quer saber sobre a potência, se é bonito, a cor do banco. Portanto, o público é outro. A picape é uma venda de emoção, e o caminhão é uma venda de razão”, ilustra.
Essa diferenciação levou a concessionária a repensar seu modelo de atendimento. Em Piracicaba, a unidade passará a abrir aos sábados, algo inédito para a Carueme, que historicamente atuou exclusivamente no segmento de caminhões comerciais. “A loja de Piracicaba, que será mais voltada para vans e a linha Tunland, já está sendo organizada para abrir de sábado. É um aprendizado, uma reorganização do negócio”, confirma Monteiro.
Enquanto Piracicaba se prepara para a estreia, a unidade de Campinas, já em operação, dará início em junho a um amplo projeto de modernização e ampliação. A intervenção não se restringirá à fachada, que ganhará a identidade visual padrão da marca. A obra incluirá a expansão do depósito de peças, reforma do salão de vendas, sala de reuniões e área administrativa. “Vai mudar tudo”, resume Monteiro. A unidade está instalada na Rodovia Dom Pedro I, KM 145, s/n, no bairro Nova Aparecida. Lá, a área total é de 12.000 m², com 6.000 m² de área construída. O local conta com 12 boxes de atendimento, dos quais 2 serão dedicados aos veículos elétricos. Serão gerados 43 empregos diretos, com um investimento de R$ 3,5 milhões. A previsão de vendas de caminhões para 2026 é de 220 unidades.
A análise do CEO sobre o momento do setor de caminhões é cautelosa, mas otimista em relação à trajetória da Foton e da Carueme. “O mercado no começo do ano estava me assustando bastante. Em meados de março, a queda chegava a 20%. Mas de lá para cá foi recuperando, e hoje essa queda está em 10% ou 11%”, aponta o CEO. “Ainda acredito que o mercado vai ficar muito próximo do ano passado. Se cair, vai cair no máximo 5%”, avalia.
O grande entrave, na visão do executivo, são os juros. “Hoje, um financiamento de caminhão, o cara paga 15%, 18%, 20% ao ano. Num patamar desses, o cara compra porque precisa mesmo, porque não tem outro jeito”, afirma Monteiro. Apesar do cenário, a Carueme tem registrado crescimento expressivo. “O primeiro trimestre foi exatamente o triplo do ano passado. Fomos para a Agrishow e os negócios começam a ser fechados agora. Se pegar abril deste ano contra abril do ano passado, a gente triplicou. E maio deve fazer mais do que isso”, indica.
Elétrico no agro

Monteiro também comenta a novidade apresentada pela Foton na última Agrishow: o Auman eGalaxus R9, caminhão extrapesado elétrico, que gerou mais dúvidas do que certezas inicialmente, mas revelou nichos promissores. “Para mim, extrapesado elétrico a princípio nem fazia sentido, porque percorre grandes distâncias. Mas, conversando com o pessoal de usina de cana, cai como uma luva. Eles fazem transporte de no máximo 40 a 50 km por dia, levando cana da plantação para a usina, e têm geração de energia própria. Foi um nicho que o pessoal se entusiasmou muito”, relata Monteiro. “Porto é outro exemplo, para levar container de um lado para o outro. Tem uma gama de usos que eu particularmente não imaginava”, ilustra.