Com região Norte como diferencial e capilaridade nacional, Yamalog avança para medicamentos e cosméticos

Operadora logística certifica a maioria de suas filiais para movimentar produtos sensíveis e inicia testes com veículo elétrico em SP

Por Gustavo Queiroz

- abril 27, 2026

Volvo FM da Yamalog

A Yamalog, spin-off da Yamaha, participou da Intermodal 2026 para reforçar a mensagem de que sua conexão com o Norte é o principal diferencial competitivo. Em entrevista para a Frota&Cia, o diretor-adjunto da companhia, Carlos Lomonaco, detalhou as iniciativas em infraestrutura, tecnologia e certificações que têm permitido à empresa transitar de sua origem no segmento de motocicletas para setores de alta complexidade, como medicamentos e cosméticos, sem perder de vista a capilaridade que herdou da montadora.

A história da Yamalog, conforme explica Lomonaco, é diretamente ligada à malha logística construída pela Yamaha no Brasil. “Essa capilaridade que temos não só no Norte, mas no resto do país, deu origem à Yamalog e é o mote da nossa campanha”, afirmou.

Essa herança se traduz em operações de altíssimo nível de complexidade, como o manuseio e a entrega de motocicletas e, principalmente, a gestão de peças de reposição e after market. A empresa opera o centro de distribuição de peças da Yamaha em Jandira (SP), uma instalação de 12 mil metros quadrados que abriga milhares de SKUs, incluindo componentes de modelos descontinuados. “É uma operação complexa, muito diferente da operação de acabados, com nível de criticidade altíssimo”, destacou o diretor-adjunto.

Carlos Lomonaco Yamalog
Carlos Lomonaco, diretor-adjunto da Yamalog

Embora a raiz da companhia seja o universo de duas rodas, a estratégia comercial da Yamalog passou por uma revisão de médio prazo, estruturada em um plano de três a cinco anos. O resultado é uma carteira de clientes que já abrange cosméticos, automotivo, têxtil, alimentício e, mais recentemente, medicamentos.

Um dos case apresentado por Lomonaco envolve uma grande empresa de produtos alimentícios típicos para os períodos de Natal e Páscoa. A operação, fortemente sazonal, exigiu não apenas licenças específicas e cuidados de manuseio, mas uma malha logística capaz de responder a picos de demanda sem continuidade de volume ao longo do ano. “Isso é um desafio para todos os prestadores de serviço”, reconheceu.

O diferencial da Yamalog, segundo ele, foi a robustez da malha herdada da Yamaha, combinada a uma rede de mais de 500 parceiros agregados com alto nível de disponibilidade. “Essa robustez nos dá flexibilidade e reatividade muito rápidas, o que nos consolidou como um dos maiores prestadores para essa empresa”, afirmou.

Tecnologias

Quando o assunto é tecnologia, Lomonaco estrutura a atuação da empresa em dois pilares principais. O primeiro é a visibilidade da cadeia de suprimentos, uma demanda constante dos clientes diante das dimensões continentais do Brasil e da dinâmica dos tempos de entrega. A Yamalog tem investido em sistemas e ferramentas de controle interno, com destaque para uma torre de controle oferecida como serviço de valor agregado.

O segundo pilar, ainda em fase piloto, é a eletrificação da frota urbana. A empresa iniciou neste mês um projeto-piloto com um veículo elétrico – um caminhão de 3/4 – para distribuição na cidade de São Paulo. “A gente vê uma tendência de mercado, apesar dos desafios operacionais e de custo. Vamos começar com uma unidade, perto dos nossos olhos, para mensurar resultados”, explicou Lomonaco.

Novas operações

Entre as novidades comerciais mais contundentes, Lomonaco revelou dois movimentos estratégicos. O primeiro é o fechamento de um contrato com um cliente do setor de medicamentos – cujo nome ainda não pode ser divulgado – para uma operação nacional de distribuição do Sudeste para o restante do Brasil, iniciando pelo Norte, região onde a Yamalog possui sua malha mais robusta. O segundo é a conquista da liderança em um segmento de cosméticos, também em fase de operacionalização desde o final do ano passado. Para atender a essas verticais de alto valor agregado, a empresa adaptou e certificou quase todas as suas 14 filiais espalhadas pelo país segundo os rigorosos padrões da Anvisa. “Isso abre um leque gigantesco de clientes”, comemorou Lomonaco, acrescentando que a empresa estuda a abertura de mais duas filiais, possivelmente nas regiões Norte, Nordeste ou Centro-Oeste, dependendo da evolução da demanda e da priorização de projetos internos.

Os investimentos para operar produtos controlados envolvem desde a segregação física de áreas até controles específicos de estoque, como políticas FIFO e LIFO, além de contagem cíclica. No caso de medicamentos que exigem temperatura controlada, a empresa implementou áreas com monitoramento contínuo e em tempo real, com visibilidade plena para o cliente. “São requerimentos inerentes ao tipo de produto. Fizemos esses investimentos e temos, dentro do time de qualidade, pessoas que sustentam essas licenças”, detalhou.

 

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