Volare inicia vendas do híbrido e Marcopolo prevê tecnologia no Torino

Apresentado na Lat.Bus 2024, modelo foi melhorado e agora vira produto de linha. Arquitetura será expandida para o urbano da Marcopolo nos próximos anos

Por Gustavo Queiroz

- agosto 12, 2026

Volare Attack 10 Híbrido

A Volare iniciou a comercialização do Attack 10 Híbrido, modelo que combina tração elétrica com geração de energia a etanol em arquitetura Range Extender (REX), destinado a operações de transporte de passageiros que demandam elevada autonomia e disponibilidade operacional sem dependência de infraestrutura dedicada de recarga.

A entrada em comercialização ocorre após ciclo de desenvolvimento, validação e testes em condições reais de uso, com foco inicial em segmentos como fretamento corporativo, transporte de colaboradores, operações industriais, agronegócio e setor sucroenergético.

A arquitetura REX emprega motor elétrico WEG para tração, alimentado por bateria de alta tensão com capacidade de até 120 kWh, suplementado por motor HORSE H10 1.0 Turbo que atua exclusivamente como gerador, sem conexão mecânica com as rodas, operando em faixa otimizada de eficiência. A configuração resulta em autonomia entre 500 e 650 quilômetros, ampliando a aplicação em rotas extensas e operações contínuas em regiões com infraestrutura de recarga limitada. O veículo admite recarga elétrica por tomada quando disponível, e combina tração elétrica com redução de emissões, ruído e vibração, além de menor desgaste dos sistemas de frenagem e redução de custos operacionais ao longo do ciclo de uso.

Segundo Luciano Resner, diretor de Engenharia da Marcopolo, o modelo utiliza a arquitetura elétrica em série (Range Extender) com tração é 100% elétrica, enquanto um motor gerador movido a etanol recarrega as baterias conforme necessário. O motor a combustão nunca traciona as rodas, já que a sua única função é produzir eletricidade. O resultado, segundo a empresa, é uma redução de 98% na emissão de NOx, o gás mais nocivo à saúde entre os emitidos por veículos. “O híbrido sempre fez parte do nosso roadmap. O objetivo era evoluir da solução diesel para o etanol e, no futuro, utilizar outras fontes renováveis”, afirmou Resner.

A Marcopolo responde pela tecnologia e coordenação técnica do projeto, enquanto Horse Powertrain e WEG desenvolvem os principais sistemas de propulsão. O primeiro cliente é a Sertran Transportes, que conduz operação assistida na unidade Monteverde da bp bioenergy, em Ponta Porã (MS), desde o segundo trimestre de 2026, em programa de validação técnica para avaliação de desempenho, autonomia, eficiência energética e confiabilidade operacional em condições reais de uso.

Linha Volare

A comercialização do Attack 10 Híbrido amplia o portfólio de baixa emissão da Volare, que já inclui o Fly 10 GV movido a GNV e biometano, e integra a estratégia multitecnologia da marca, que oferece alternativas elétricas, a gás e híbridas para diferentes perfis operacionais. O modelo foi concebido para operações que demandam avanço na redução de emissões sem exigir mudanças estruturais significativas na infraestrutura existente, posicionando-se como alternativa para operadores que buscam transição energética gradual e compatível com diferentes realidades operacionais.

A Volare também anuncia a ampliação da oferta de transmissão automática Allison para as linhas Attack e Fly, com o modelo T2100xFE para veículos de até 11,8 toneladas de PBT, 270 hp e 780 Nm de torque, integrando opcionalmente os modelos Attack 8, Fly 9 e Fly 10. A tecnologia elimina embreagem por conversor de torque, realiza trocas de marcha automáticas e contínuas, padroniza a condução e melhora o controle em baixas velocidades.

O governo federal já demonstrou interesse neste modelo para o programa Caminho da Escola, especialmente em aplicações rurais. A Marcopolo afirma estar calibrando a introdução do produto por segmentos e geografias, com foco inicial em regiões produtoras de etanol, como o interior de São Paulo. A arquitetura híbrida flex deverá ser expandida para o Torino nos próximos anos, em projeto financiado pela Finep.

Compartilhe nas redes sociais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *