No centro das operações logísticas, onde empilhadeiras de todos os portes circulam a velocidades que podem chegar a 10 km/h e colaboradores transitam pelo mesmo espaço, a convivência entre homem e máquina é um dos maiores desafios de segurança. É nesse cenário que a Docksteel, distribuidora brasileira com 11 anos de mercado e sede em Sorocaba (SP), atua com a proposta de eliminar a interação entre pessoas e equipamentos e, quando o impacto for inevitável, garantir que a barreira cumpra sua função sem gerar novos custos ou riscos.
“A Docksteel está muito focada na parte de equipamentos de segurança para as operações logísticas. O nosso principal objetivo é evitar ao máximo a interação homem e máquina dentro das operações. Com isso, trabalhamos com a linha de barreiras flexíveis, que são equipamentos de segregação homem-máquina de polímero de alta resistência, que suportam energia de impacto”, explica Telles Oliveira, gerente de contas da Docksteel. “Se tiver a colisão de uma máquina, ele vai segurá-la. A barreira não cederá e o trabalhador terá mais segurança. A ideia é zerar o risco às pessoas nas operações logísticas, bem como preservar patrimônios”, complementa.
A lógica é simples na descrição, mas complexa na engenharia. Em vez dos tradicionais guarda-corpos metálicos, que apresentam problemas de manutenção e têm eficácia limitada dependendo do porte do equipamento, a Docksteel aposta em barreiras de polímero com memória ativa. “Uma máquina de 3, 4 ou 5 toneladas a 10 km/h dentro de uma operação, se colidir contra uma estrutura metálica, pode ser que ela não segurare esse impacto. O nosso material é testado e certificado, tem um selo de energia de impacto que ele suporta”, afirma Oliveira.
O processo de especificação começa com a coleta de dados da operação do cliente. Peso da máquina, velocidade operacional e análise do risco de impacto em cada ponto são inseridos em um sistema que calcula a energia que será exercida contra a proteção. Com esse dado, a equipe consulta o catálogo e define o produto adequado. “A ideia é ser o mais assertivo possível para garantir segurança e reduzir drasticamente o custo de manutenção, que é um problema também dos nossos clientes”, destaca o gerente.
Esse custo de manutenção, aliás, não se restringe à barreira. Quando uma empilhadeira colide contra uma estrutura metálica, os danos se espalham: a máquina amassa e risca, a tinta da proteção se desprende e o piso, onde a barreira está ancorada, sofre com a transferência de toda a energia do impacto. “É muito comum nas operações você ver a parte lateral de trás da máquina toda riscada. No caso do nosso material, ele é feito dessa cor, não é pintado. Se tiver a colisão, não vai riscar a máquina e também não vai sair tinta da nossa proteção”, detalha Oliveira. “Pelo material ser um polímero de alta resistência e ser flexível, ele tem memória ativa. Quando ele flexiona e volta à forma original, ele dissipa a energia do impacto no material. Então, não transfere no piso. Você não tem mais aquela questão de piso todo trincado”, ilustra.
A aplicação dessas barreiras se divide em duas frentes principais. A primeira é a segregação de fluxos, criando caminhos seguros que determinam onde pessoas e máquinas podem transitar, reduzindo ao mínimo a interação. “Por mais que a gente tenha um espaço determinado grande, essa interação é muito complexa. Os operadores de empilhadeiras, no dia a dia, com excesso de confiança, fazem todo dia aquele processo e às vezes acabam não tendo total atenção e podem pegar um colaborador”, observa o executivo. A segunda frente é a proteção patrimonial, uma vez que máquinas expostas, estruturas de armazenamento, portas e colunas de galpões que, por necessidade de infraestrutura, ficam vulneráveis a colisões. “É muito comum ver as colunas dos galpões todas batidas. A gente faz as proteções delas, porque se tiver impacto vai estar protegida a parte patrimonial do cliente também, não só a questão da segurança dos trabalhadores”, complementa.
Aplicações

O portfólio de clientes comprova a capilaridade da solução. O principal cliente é a Coca-Cola Femsa, com aproximadamente 12 fábricas atendidas e uma nova unidade em Caçapava (SP) em implantação. “Foi um trabalho que eu fiz há uns dois anos, em 2024, na Coca-Cola Femsa de Jundiaí (SP), onde fizemos todo o trabalho de especificação e hoje a Femsa não utiliza mais a parte de barreiras metálicas. Todas as plantas agora estão aderindo à nossa tecnologia”, conta Oliveira. Além da Coca-Cola Femsa, a Docksteel atende Nestlé, Cargill, Amazon e ZF, entre outros.
Automação da segurança
A empresa, no entanto, não se limita à proteção física. Oliveira revela que a Docksteel está avançando para a automação, incorporando tags em empilhadeiras e eletroímãs para bloquear portões de acesso em caminhos seguros. “Se a empilhadeira estiver próxima, os portões não abrem. Isso serve para evitar essa interação homem e máquina. Às vezes a gente está no caminho seguro, vai fazer uma travessia, tem que sair do caminho seguro e entrar numa zona de risco. Se tiver uma máquina transitando ali, bloqueia o portão”, explica. “A parte de automação é o futuro. As proteções físicas são importantes, mas a automação auxilia bastante com comunicação visual e até sonora”, revela.
O uso de inteligência artificial também está no radar e a Docksteel trabalha no desenvolvimento de fornecedores para um sistema com quatro câmeras por empilhadeira que mapeiam toda a operação do cliente. “Elas vão conseguir observar quais são os pontos que têm o maior risco de batida. Uma câmera monitorará o trabalhador para saber se ele está cansado e, se estiver, a máquina para e ele não consegue operar”, projeta o gerente. “São vários equipamentos que estamos começando a implementar e que vão conseguir ajudar muito a garantir a segurança nas operações”, complementa.
Importadora
A estrutura da Docksteel é enxuta, mas eficiente. São 13 funcionários responsáveis por importação, estoque, separação, vendas e entrega, com estoque de pronta entrega em Sorocaba. “A empresa tem poucos funcionários, mas está caminhando para um faturamento bem interessante. Neste ano vamos ter o maior faturamento da história da Docksteel. Vamos chegar em R$ 30 milhões”, comemora Telles.
A empresa atua como distribuidora de parceiros internacionais. A linha de barreiras flexíveis de polímero vem da Bélgica, da Bopla. As fitas de marcação de piso para indústria e movimentação pesada são da americana Mighty Line. A linha de calços para doca, usada no bloqueio de caminhões, vem da israelense Solan. Já a linha de proteção de garfo e espelhos para operação é trazida da Austrália, da Jenny Grips.
“A Docksteel está há 11 anos no mercado. Nós somos distribuidores, não somos fabricantes. Fazemos toda a parte de distribuição, com estoque à pronta entrega de diversos produtos”, resume Oliveira. “A ideia é garantir segurança e tendenciar a zero custo de manutenção, que é um problema também dos nossos clientes”, finaliza.




