Em um cenário macroeconômico desafiador, com o preço do diesel atingindo patamares históricos e incertezas sobre o piso mínimo de frete, a Mobiis marcou sua presença na Intermodal 2026 com uma mensagem clara: a tecnologia deixou de ser um diferencial estratégico para se tornar uma ferramenta de sobrevivência.
Segundo Adriano Guardiano, Diretor de Vendas e Marketing da Mobiis (foto), o setor de transporte e logística enfrenta uma “ruptura macroeconômica”. Com o combustível beirando os R$ 9,90 em certas regiões e a taxa Selic ainda elevada, a gestão de custos tornou-se a prioridade absoluta.
“O Brasil tem consumido software de uma forma surreal. O empresário entendeu que precisa ajudar sua operação a reduzir custos de combustível e frete. Não é mais sobre ‘ajudar nisso ou naquilo’, é sobre automatizar para não parar”, destaca Adriano.
A Mobiis aproveitou a feira para destacar duas soluções que atacam diretamente a burocracia e a falta de visibilidade operacional:
MIA (Agente de IA) é uma inteligência artificial preditiva e informativa que analisa dados da operação em tempo real. O gestor pode consultar a MIA de qualquer lugar para entender gargalos e tendências sem depender de relatórios manuais. Além disso, a empresa apresentou a gestão de canhotos com IA. A ferramenta automatiza a validação (ainda necessários para o faturamento no Brasil), reduzindo o tempo de recebimento das transportadoras e mitigando o erro humano.
A Barreira da Maturidade Tecnológica
Apesar do “boom” da IA, Adriano faz um alerta sobre a maturidade digital das indústrias brasileiras. Para ele, o Brasil ainda está nos passos iniciais de uso profundo de dados. A estratégia da Mobiis tem sido o modelo Plug & Play: soluções fáceis de usar que diminuem a barreira de entrada para empresas que não possuem grandes equipes de TI ou processos ultra-maduros.
Outra novidade é o modelo de Cobranding. Em vez de apenas adquirir empresas (M&A), a Mobiis está integrando parceiros homologados em seu ecossistema. Isso permite que o cliente tenha uma solução de ponta a ponta (de 70% a 80% das suas necessidades tecnológicas) com um único fornecedor, reduzindo a complexidade de gestão.
Projetando os próximos cinco anos, a Mobiis acredita que a grande tendência não será a robotização física (como drones), que ainda encontra barreiras no Brasil, mas sim a IA como apoio diário. A mudança, porém, deve começar pela cultura. “As grandes corporações vão passar a investir na melhoria do processo e na construção da cultura dos seus colaboradores antes de comprar o software. Se você não tem o DNA da IA no dia a dia, a solução não traciona”, explica o executivo.
Adriano encerra com um conselho para quem está na ponta: “Cuidado com a velocidade que o mercado dá, mas não esqueça que essa velocidade vai te atacar. Comece pequeno, com soluções que dão valor rápido, e aumente seus pilares de evolução gradativamente.”

