A escassez de motoristas profissionais, as novas formas de contratação e os impactos das decisões judiciais nas empresas de transporte estiveram entre os principais temas debatidos durante o XVI Seminário sobre Relações Trabalhistas no Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), promovido pelo SINDICAMP em parceria com o TRT da 15ª Região.
Realizado em Campinas (SP), o evento reuniu representantes de transportadoras, entidades patronais e laborais, especialistas em direito do trabalho e integrantes do Judiciário para discutir os desafios atuais das relações trabalhistas no setor.
Na abertura do seminário, a presidente do SINDICAMP, Rafaela Cozar, destacou a importância do diálogo entre empresas, trabalhadores e instituições para enfrentar as transformações que impactam o transporte rodoviário de cargas.
Entre os temas abordados, a segurança jurídica ganhou destaque. O desembargador Wilton Borba Canicoba, vice-presidente judicial do TRT da 15ª Região, apresentou os efeitos dos precedentes do Tribunal Superior do Trabalho (TST) nas relações de trabalho. Segundo ele, a consolidação de entendimentos pelos tribunais busca garantir maior previsibilidade e uniformidade na aplicação das normas trabalhistas.
A advogada Lisa Helena Arcaro, assessora jurídica do SINDICAMP, ressaltou que acompanhar as mudanças jurisprudenciais tornou-se uma necessidade para as transportadoras, principalmente na gestão de riscos trabalhistas e na tomada de decisões empresariais.

Falta de motoristas
Outro ponto central do evento foi a crescente dificuldade de contratação de profissionais para o setor. Durante apresentação baseada em levantamentos da Confederação Nacional do Transporte (CNT), a diretora executiva Fernanda Rezende afirmou que 65% das empresas de transporte enfrentam dificuldades para contratar mão de obra, especialmente motoristas.
Segundo a executiva, o desafio ocorre em um momento de expansão da demanda por transporte e exige medidas voltadas à atração e retenção de profissionais.
A falta de interesse das novas gerações pela profissão também foi tema de debate. Júlio Ramos, pesquisador e sócio-fundador da startup Trucker SINDICAMP, defendeu a necessidade de compreender os fatores que afastam os jovens da carreira e identificar formas de tornar a atividade mais atrativa.
A eficiência logística dos embarcadores também entrou na pauta. Para Narciso Figueirôa Junior, assessor jurídico da NTC&Logística, FETCESP e SETCESP, questões como filas para carregamento e descarregamento e longos períodos de espera em centros de distribuição impactam diretamente a jornada dos motoristas e a produtividade das operações.
O seminário também abordou o papel das negociações coletivas diante das transformações do mercado de trabalho. Para Adilson Rinaldo Boaretto, assessor jurídico da FTTRESP e da CNTTT, acordos e convenções coletivas tendem a ganhar ainda mais relevância na construção de soluções para os desafios enfrentados pelo transporte rodoviário de cargas.
Ao longo do evento, os participantes destacaram que temas como escassez de mão de obra, segurança jurídica, relações sindicais e sustentabilidade econômica das operações exigem uma atuação conjunta entre empresas, trabalhadores, entidades representativas e poder público.
