Com 127 anos de tradição e presente no Brasil há 92, onde opera o seu 6º maior mercado mundial (sem considerar os EUA), a suíça Roche Farma atua em mais de 100 países com produtos farmacêuticos, cuidados com diabetes e de diagnóstico. Se trata da única empresa de saúde que está presente de ponta a ponta na jornada do paciente, com soluções que vão desde o diagnóstico até o tratamento, contemplando também a abordagem da medicina personalizada. Diante de uma operação tão robusta, a Frota&Cia convidou Rogério Nakamura, diretor de SHE Officer e Operações da Roche Farma Brasil para uma entrevista exclusiva que integra o Panorama do Transporte de Produtos Farmacêuticos 2023/2024 (Clique para ler). Leia aqui, a entrevista completa:
Frota&Cia – Como é a atual estrutura logística da Roche no Brasil?
Rogério Nakamura – A Roche Farma possui um centro de distribuição (CD) localizado em Aparecida de Goiânia, em Goiás. A unidade tem 3.300m² de área para armazenagem e operação que compreendem cerca de 2.000 posições paletes. A DHL é a responsável por toda a logística do CD, bem como de parte do transporte, que conta com o apoio de outras transportadoras qualificadas.
Frota&Cia – Como Roche colabora com a sustentabilidade na cadeia logística?

Rogério Nakamura – O CD foi projetado para atender o compromisso e ambições da Roche durante os próximos 10 anos, considerando qualidade, segurança e sustentabilidade. Para a movimentação de medicamentos perecíveis, desenvolvemos as embalagens Get Cool para logística da cadeia de frio, que são empregadas na armazenagem dos fármacos durante o transporte e podem ser usadas até quatro vezes, o que nos apoia na redução de descarte e de 75% menos consumo de plástico e na economia circular.
Contamos também com um sistema de reutilização da água que vem na parte interna dos elementos refrigerantes, utilizados nas caixas térmicas de importação. Milhares de litros de água são retirados desses recipientes e enviados por um sistema hidráulico para um reservatório geral em nosso CD. Com essa água, realizamos a limpeza de áreas comuns de nossas instalações.
Como parte da agenda ESG, a companhia investe na minimização dos impactos ambientais e implementou um sistema de refrigeração que segue completamente o padrão global K6, que reduz o consumo de energia e o calor residual para valores estritamente necessários e não contribuindo para o efeito estufa / aquecimento global.
Frota&Cia – Como é feito o transporte dos fármacos para os distribuidores?

Rogério Nakamura – Realizado por meio de frota terceirizada, dentro das condições climáticas e de temperatura necessárias para que não haja impacto na qualidade do medicamento. São utilizadas embalagens Get Cool, desenvolvidas e qualificadas localmente pela Roche para manter nossa cadeia de frio a uma temperatura de 2 a 8ºC durante o transporte. Também são utilizados sistemas de lacre nas caixas para mais segurança dos produtos, bem como etiqueta com informações sobre os componentes da embalagem e sobre a reciclagem deles.
De nosso Centro de Distribuição os produtos são enviados diretamente para os clientes. Além dos sistemas de envios passivos (Caixas Get Cool II), utiliza-se também caminhões refrigerados com sistemas ativos na faixa de 2 a 8ºC (50% do volume), para distribuição em todo o Brasil, neste caso, através de embalagens padrão.
Frota&Cia – Como é feito o transporte dos fármacos para centros de saúde como hospitais, clínicas e outros?
Rogério Nakamura – Com frota terceirizada e dentro das condições térmicas necessárias para que não haja impacto na qualidade do medicamento. Utilizamos veículos blindados, semiblindados e refrigerados. Todos os produtos são enviados diretamente de nosso centro de distribuição em Aparecida de Goiânia (GO), o maior da Roche em toda América Latina. De lá os produtos seguem para os nossos clientes, por dois canais de distribuição: aéreo ou em caminhões refrigerados.

Pelo modal aéreo são utilizados os sistemas passivos GCII. Os produtos são embarcados nos aeroportos de Goiânia (GO) e Brasília (DF). De lá seguem para todos os aeroportos do Brasil, seguindo para mais de 150 cidades em todo o país. Para essa operação, as entregas são realizadas em até dois dias, sendo que metade dessas acontecem em até 24 horas. Na segunda opção de distribuição, são utilizados caminhões refrigerados (blindados ou não), pelos quais fazemos entregas em todas as regiões do Brasil.
Frota&Cia – Quais são as tecnologias de destaque na operação?
Rogério Nakamura – Automação e digitalização para gerenciamento do estoque, além da logística: Pensando em atender o pipeline futuro da Roche, o armazém conta com um layout voltado para fluxo e processo logístico adequado para produtos de alta complexidade na saúde e baixo volume. A empresa também aumentou em 90% a área de perecíveis, para manuseio dos medicamentos mais sensíveis e tecnológicos.
Para deixar de utilizar papéis, incluímos o uso tablets para realização check-lists, por exemplo. Dentro de algumas semanas, processos como “verificação de uso de veículos”, “compra de produtos em estoque”, entre outros, que antes utilizavam papel e caneta, serão substituídos por meios eletrônicos. Dentro de algumas semanas, processos como “verificação de uso de veículos”, “compra de produtos em estoque”, entre outros, que antes utilizavam papel e caneta, serão substituídos por meios eletrônicos.
Hoje, 100% dos produtos Roche são serializados e podem ser rastreados desde a sua produção, o que requer um banco de dados de alta complexidade e um controle operacional fora dos padrões da indústria farmacêutica. Tudo em nome da segurança de nossos pacientes.
Frota&Cia – Cite um exemplo de automação de processo?
Rogério Nakamura – Por exemplo, alguns produtos que são direcionados para vendas específicas demandam, de certa forma, uma atividade de impressão gráfica nos cartuchos dos produtos. Para esse caso, utilizamos um equipamento, que é uma impressora a laser, que de forma automatizada, realiza a carimbagem dos produtos. Com esse equipamento, conseguimos carimbar mais de 50.000 unidades por dia.

Frota&Cia – Como a empresa avalia a adoção de veículos movidos a combustíveis alternativos?
Rogério Nakamura – Temos uma frota elétrica dedicada realizando a coleta dos produtos em nosso CD até os aeroportos locais. Utilizamos também na região de São Paulo para entregas em mais de 30 clientes.
Frota&Cia – Há algum projeto em desenvolvimento, ainda que em caráter piloto, em andamento na operação logística da Roche?
Rogério Nakamura – Sim. Estamos realizando alguns envios pilotos, com visibilidade de geoposicionamento (em tempo real), onde poderemos proporcionar um acompanhamento mais realista e preciso aos nossos clientes, de suas entregas.
Frota&Cia – Como é a atuação da Roche na prevenção de extravios de medicamentos?
Rogério Nakamura – Utilização de veículos blindados, tecnologia embarcada de última geração e, obviamente, o processo de serialização com pronta resposta sistêmica são recursos de extremo valor agregado. Adicionalmente, a Roche conta com uma gestão de riscos especializada, espelhando todos os controles de transportes, bem como seleção e treinamento de motoristas. Pontos de controle avançados também existem para dar sustentação a este gerenciamento realizado em tempo real.
Frota&Cia – Como você avalia a atuação da Anvisa em relação às operações de logística e transportes de fármacos?
Rogério Nakamura – Para a Roche, é imprescindível seguir as regras da Anvisa, assim como outras medidas próprias importantes para garantir a qualidade dos medicamentos durante o processo logístico, sem riscos de impacto à saúde dos pacientes.
