Alma difundida: Patrus vence prêmio ESG da Setcepar

Patrus quer se perpetuar por meio de seus valores para uma governança responsável e altamente eficiente

Por Victor Fagarassi

- dezembro 23, 2025

Patrus ESG

Em um setor historicamente marcado por desafios operacionais e margens enxutas, o que diferencia uma transportadora que não apenas adota discursos de sustentabilidade, mas é reconhecida por implementá-los com excelência? A resposta está nos bastidores de uma governança corporativa robusta e intencional, como demonstra o case da Patrus Transportes, vencedor do 1º Prêmio ESG da Setcepar na categoria Governança. 

A empresa, fundada em 1973 e hoje gerida pela segunda geração da família, comanda uma operação de carga fracionada de grande porte, com 3,3 mil trabalhadores em regime CLT, 45 filiais próprias e uma rede de 4.000 transportadores autônomos, atendendo gigantes como Boticário, Natura e Adidas. 

Segundo Júnia Marçal Rodrigues, diretora de RH e ESG da companhia, o prêmio coroa um projeto estrutural focado em sua longevidade. “Nosso case de governança tem uma visão de longo prazo. Mais recentemente, houve um foco de pensar em perenizar a marca com um grande detalhe que faz toda diferença, que é perpetuar a Patrus com alma. A alma que está na essência da cultura, nos valores da família, colocando as pessoas no centro”, explica.

A executiva detalha que a jornada envolveu uma sequência de etapas interligadas, iniciando por um acordo de acionistas, instrumento fundamental para a governança em empresas familiares. Na sequência, a empresa realizou um mapeamento profundo da cultura existente e da cultura desejada, alinhando-a aos desafios estratégicos. Um marco significativo foi a instituição, a partir de 2021, de um conselho consultivo com membros independentes, trazendo expertise externa para aprimorar a maturidade dos processos. Paralelamente, a matriz de materialidade, parte do relatório de sustentabilidade, guiou a priorização de temas críticos. “Dentro do nosso negócio, a emissão de gases de efeito estufa é um dos principais ofensores. Passamos a fazer a medição em tempo real de todas as emissões, enviamos esse relatório para os nossos clientes e definimos ações internas para minimizar esse efeito”, afirma Júnia. A governança também se refletiu em uma reestruturação organizacional, com a criação de uma diretoria executiva para maior profissionalização, e na formalização de compromissos externos, como a adesão ao Pacto Global nas frentes de Net Zero e Equidade Racial.

Patrus ESG

Os impactos tangíveis dessa arquitetura são multifacetados, uma vez que, Internamente, Júnia cita um ambiente de trabalho com alto nível de engajamento, refletido em 70% de adesão na última pesquisa Great Place to Work, ferramenta utilizada há mais de 15 anos. A centralização e qualificação de dados por meio de painéis de BI criaram uma cultura decisória baseada em evidências. “Hoje a gente tem uma cultura realmente baseada em dados, com uma comunicação mais eficiente entre as áreas, melhor definição de estratégias e metas”, observa. 

A gestão matricial do orçamento, envolvendo todos os níveis de liderança, e o funcionamento de comitês gestores para desafios específicos e estratégicos de longo prazo fortalecem a disciplina administrativa. O reconhecimento externo se materializa em certificações como o Selo de Integridade e a recertificação como Empresa B, além de prêmios históricos de clientes. Sobre a descarbonização, desafio setorial complexo, a diretora enumera ações como roteirização eficiente, programas de incentivo ao uso de etanol e GNV para caminhoneiros agregados, e a incorporação de veículos elétricos na frota própria, com uma recente aquisição de oito unidades.

Para Júnia, o valor do prêmio vai além do troféu. “A palavra reconhecimento traz para dentro uma forma das equipes entenderem e se sentirem valorizadas por todo o trabalho. Para nós, tem esse sentido do quanto é importante continuar investindo, nos desafiando, buscando inovações e diz que estamos no caminho certo“, reflete. Externamente, o prêmio reafirma o compromisso da Patrus perante clientes cada vez mais exigentes em critérios ESG e serve como um catalisador para o setor. “Acabamos servindo de vitrine, inspirando outras empresas no setor de transporte e também aprendendo com elas. A gente tem falado muito em ações colaborativas, de integrar ações, de buscar parceria dentro do próprio setor para que a gente possa contribuir mais”, analisa, destacando que o maior ganho foi evoluir em governança “sem perder a essência que a gente tem na cultura, sem perder essa essência da alma Patrus”, finaliza.

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