Do piso à nuvem: a fórmula da Ativa para modernizar a logística

Como uma simples máquina de enrolar paletes gerou economia de 50%? Como 119 robôs digitais libertaram 80 mil horas de trabalho? A estratégia de inovação incremental que sustenta o avanço logístico no Brasil

Por Gustavo Queiroz

- dezembro 23, 2025

Ativa Logística

Em um cenário logístico brasileiro pressionado por prazos encolhidos e margens apertadas, a inovação tecnológica deixou de ser um diferencial para se tornar questão de sobrevivência. Nos bastidores do abastecimento de farmácias e cosméticos do país, a Ativa Logística executa uma transformação operacional profunda, substituindo músculo e intuição por algoritmos, robôs e dados em tempo real. À frente desta frente de modernização, Alex Nunes, gerente de Processos e Inovação da empresa, detalha um roteiro de implementações que vai do incremental ao disruptivo, revelando um investimento agressivo e uma visão clara para o futuro.

O ponto de partida, aparentemente simples, esconde ganhos substanciais. A aplicação automática de filme stretch em paletes, que substituiu o método manual, gerou uma redução de quase 50% no consumo do material. “Pode parecer um projeto básico, mas quando se fala em 1.000 pallets por dia, o ganho operacional é alto“, explica Nunes. A solução, disponível até em modelo de locação, garante padronização e qualidade, eliminando a variabilidade humana. A evolução natural são robôs móveis que localizam e paletizam cargas autonomamente, ainda em testes, mas que esbarram em desafios técnicos como autonomia de bateria e a necessidade de adaptação do piso de trabalho.

Alex Nunes, gerente de Processos e Inovação da Ativa Logística
Alex Nunes, gerente de Processos e Inovação da Ativa Logística | Foto: Divulgação

Um salto de produtividade mais significativo veio com a automação do descarregamento. O processo tradicional, que demandava cerca de quatro horas por veículo, foi condensado para uma hora e meia com a instalação de esteiras automatizadas de 12 metros. “Antes, tirava-se a caixa, montava-se o palete no veículo, e depois alguém levava para triagem. Agora, a caixa é colocada na esteira e, no ato da retirada na ponta, já fazemos a separação por praça. É a triagem ocorrendo durante o descarregamento“, descreve Nunes. A solução, também enquadrada em um modelo de locação de baixo investimento inicial, oferece um retorno rápido e deve ter sua quantidade dobrada nas operações da Ativa já em 2026.

No topo da pirâmide de investimentos está o sorter, um sistema de triagem automática de volumes inaugurado em 2024 na filial de Barueri. Com 4 km de esteiras – incluindo 44 saídas –, o equipamento processa até 6.000 volumes por hora, realizando triagem, pesagem e cubagem automaticamente com base na leitura de etiquetas. “É um salto grande. São poucas as transportadoras no Brasil com essa capacidade“, afirma Nunes. O investimento inicial, da casa dos R$ 12 milhões para este equipamento específico, simboliza a aposta da empresa em ganhos de escala e precisão.

A meta é equipar todas as 24 filiais com sistemas de automação de piso e envolvedores de paletes até o final de 2026, com um investimento total previsto na casa de R$ 2 milhões para essas soluções de menor porte no próximo ano.

Paralelamente à revolução física, uma revolução digital acontece nos processos administrativos via RPA (Automação Robótica de Processos). A Ativa já possui 119 robôs em operação, que executam tarefas repetitivas, desde a consulta e download de notas fiscais em sites de prefeituras até a extração e higienização de dados para dashboards. “Conseguimos enxugar, num primeiro ano, quase 80.000 horas operacionais em trabalhos repetitivos. Liberamos pessoas para atividades de maior valor agregado, como a gestão e monitoramento desses próprios processos“, detalha o gerente.

A inteligência artificial emerge como a próxima fronteira, não para gerar imagens, mas para criar um sistema nervoso central preditivo para a operação. A empresa desenvolveu agentes de IA que analisam dados históricos para calcular a probabilidade de erros operacionais – como troca de volumes – em destinos específicos. “Com base no comportamento passado, consigo prever o futuro. É a capacidade de análise de dados em grande escala substituindo o palco da intuição“, diz Nunes. Outra aplicação crítica é a auditoria fiscal automatizada, onde a IA monitora emissões de documentos em tempo real, alertando ou até mesmo cancelando automaticamente casos onde o valor do frete supera o da mercadoria, uma inconsistência grave.

A visão para 2026 é a convergência total entre o físico e o digital. O projeto mais emblemático nesse sentido é uma parceria com a startup La Place para desenvolver uma solução de visão computacional. Câmeras com IA monitoram o pátio e o armazém, convertendo imagens em dados estruturados, tais como tempo de permanência de veículos em docas, tempo de inatividade de cargas, janelas de portas abertas. “Não dependo mais de alguém alimentar o sistema. A câmera transcreve a realidade física para o digital sozinha“, explica Nunes. Esta camada de inteligência contextual promete otimizar rotas, planejar a alocação de recursos e antecipar gargalos antes que eles aconteçam.

Para Alex Nunes, o fio condutor de todas estas iniciativas é a simplificação e a antifragilidade. “Quanto mais claro e simples for o processo, menos margem para erro. A tecnologia está aqui para auxiliar, para tornar a rotina do operador mais simples e a operação como um todo mais previsível e resistente a falhas“, conclui.

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