App da Fortallog equipara frota terceirizada à própria

Com certificação OEA e crescimento de 14% no EBITDA, empresa liderada por Zakaria Benzaama revela avanços gestão de carga refrigerada no Norte-Nordeste

Por Gustavo Queiroz

- abril 23, 2026

Zakaria Benzaama, CEO da Fortallog

A Fortallog, braço logístico do Grupo Allog, registrou um crescimento anual de 14% no EBITDA no biênio 2024/2025, impulsionado por uma estratégia de verticalização, expansão para o mercado de cabotagem e, mais recentemente, pela digitalização do controle de sua frota mista. Em entrevista à Frota&Cia, o CEO Zakaria Benzaama detalhou as transformações que a empresa vem implementando, com destaque para a entrada no transporte refrigerado e a conquista de novos mercados.

Um dos pontos mais contundentes revelados por Benzaama é a mudança no modelo de gestão de frota. A empresa lançou, em 2026, um aplicativo próprio que permite integrar veículos terceirizados (agregados) à sua operação com o mesmo padrão de qualidade e rastreabilidade de uma frota própria. “Nós somos certificados OEA (Operador Econômico Autorizado) e podemos trabalhar com terceiros seguindo todos os 17 pontos da certificação”, afirmou o CEO. Segundo ele, a solução tecnológica resolve um dos maiores desafios do setor, que é garantir a integridade da carga refrigerada sem a necessidade de alta alavancagem em ativos fixos.

Caminhão da Fortal Log
Caminhão da Fortallog | Foto: Divulgação

O funcionamento do sistema, explicado por Benzaama, é rigoroso. Os agregados passam por uma avaliação completa de sua capacidade de transporte, governança e rastreamento. Aprovados, eles começam a utilizar o aplicativo para documentar cada etapa do transporte, desde a coleta até a entrega, com fotos, vídeos e registros de temperatura, lacres e eventuais problemas mecânicos. “Os registros são feitos de forma instantânea e, mesmo em áreas sem sinal, as evidências são sincronizadas assim que o sinal retorna, com georreferenciamento”, detalhou. As informações vão direto para a central de rastreamento da Fortallog e também ficam acessíveis ao cliente final.

Apesar da eficiência do modelo digital, o CEO foi enfático ao afirmar que a empresa não abrirá mão de uma frota própria significativa. “A ideia é sempre ter uma frota mista. Trabalhamos num país continental. Para o nosso negócio, um volume misto saudável é de 33% de frota própria do volume embarcado semanalmente”, explicou. Atualmente, a Fortallog opera com 15 veículos próprios (todos rodotrem) e uma rede de aproximadamente 90 agregados, sendo 60 fixos. Essa estratégia, segundo Benzaama, serve como proteção contra oscilações de mercado, como variações no piso mínimo de frete, preço do petróleo e conflitos geopolíticos.

O core business da empresa segue fortemente ligado à exportação de frutas, acompanhando a liderança da FTrade, do mesmo grupo, nesse segmento. A Fortallog transportou 6 mil contêineres (12 mil TEUs) de itens como manga de Petrolina, limão do Sul da Bahia, melão de Mossoró, além de coco, gengibre e polpas. Cerca de 98% da operação é focada em carga refrigerada.

Atualmente, o mix de negócios é composto por 80% de exportação e 20% de importação, atuando na distribuição de kiwi australiano, tangerina espanhola, pera, maçã, alho e tâmaras para redes de supermercado. A empresa possui Centros de Distribuição em Pernambuco, Bahia, Ceará, Maranhão, Piauí e uma unidade menor em São Paulo.

Inovação

Zakaria Benzaama, CEO da Fortallog
Zakaria Benzaama, CEO da Fortallog | Foto: GQ/Frota&Cia

Em termos de inovação tecnológica para o controle de temperatura, Benzaama revelou que a empresa está testando novos sensores capazes de captar não apenas a temperatura, mas também a abertura de portas e a luminosidade no interior dos contêineres. No entanto, o controle atualmente ainda é feito majoritariamente por evidências de imagem e vídeo enviadas pelo aplicativo.

Uma novidade estratégica de maior escala é o projeto-piloto para abertura de um novo mercado: a exportação de uva brasileira para a China. “Nós representamos a parte de logística da Abrafrutas. O Ministério da Agricultura já nos trouxe a validação. Estamos estudando com os produtores uma possibilidade de embarcar para a China”, afirmou o CEO, destacando que a iniciativa visa trazer mais calma ao mercado europeu e sustentar os preços.

O planejamento para esses movimentos, segundo Zakaria Benzaama, é baseado em plataformas que mensuram volumes de exportação, análise de spread cambial e, crucialmente, estudos de geopolítica. Ele citou como exemplo o impacto dos conflitos – iniciado pelos ataques de Israel/Estados Unidos contra o Irã – no Estreito de Hormuz. “Um fato longe da gente pode acarretar atraso na reposição de contêineres. Já vai faltar contêiner nas próximas duas semanas. Só os grandes armadores vão trabalhar com contratos”. Essa visão macro reforça a decisão da empresa de buscar novos equilíbrios.

A principal virada de negócios anunciada na entrevista foi a forte entrada no mercado interno. Desde janeiro, a Fortallog passou a operar mais de 50 carretas por mês para atender as regiões Sul e Sudeste, um movimento que a empresa pretende acelerar. “A perspectiva é que a gente chegue a 50% do volume revertido para o mercado interno”, projetou Benzaama.

Atualmente, a empresa já movimenta 50 contêineres mensais com um único cliente no mercado doméstico. O objetivo claro é combater a forte sazonalidade das exportações de frutas, uniformizando o faturamento ao longo do ano e aumentando a utilização da frota. “É importante que a gente equilibre o ano com um volume uniforme. Transporte é sempre a mesma coisa e não importa se vai para o mercado interno ou para cabotagem, o que o grupo precisa é qualificar para trazer lucratividade”, concluiu o executivo.

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