Em um mercado logístico cada vez mais pressionado por prazos, segurança e rastreabilidade, a Braspress – que completará 50 anos em 2027 – aposta no que seu diretor Comercial, Giuseppe Lumare Júnior, conhecido como “Pepe“, chama de “a grande novidade: fazer o normal bem feito“. Com 116 filiais totalmente interligadas, a empresa se posiciona no segmento de maior valor agregado, atendendo setores como moda, tecnologia e bens de consumo urgente. A estratégia combina automação pesada, inteligência no combate a roubos de carga e uma incursão crescente no modal aéreo, por meio da própria companhia aérea Brapress Air Cargo (BAC).
Segundo Pepe, a primeira vertente de inovação está na experiência digital do cliente. “Ofertamos rastreabilidade total, desde a coleta até o destino final, passo a passo”, conta. Além do tracking tradicional, a Braspress desenvolveu uma tecnologia que age como “preposto” do remetente, já que o destinatário consegue registrar divergências na ponta, e o sistema comunica automaticamente o originador. “Somos o elo que permite a conclusão do negócio“, resume o diretor.
Segurança

O Brasil “não é um país para amadores”, afirma Pepe. Para lidar com diferentes níveis de criminalidade, a Braspress estruturou uma célula de segurança com cinco coronéis da reserva, responsáveis por gestão de risco, rotas e escoltas. Entre as tecnologias empregadas estão rastreamento por satélite, veículos blindados, caminhões-cofre e o uso de iscas eletrônicas que permitem localizar cargas roubadas – inclusive em casos de furto interno ou “invasão de formiga” (quando diversas pessoas saqueiam uma carga rápida).
O resultado é um índice de sinistralidade muito abaixo da média do mercado, ainda que o investimento em segurança atinja 14% do resultado líquido da empresa – um custo repassado ao sistema, mas que evita perdas maiores. “Quando roubam uma carga nossa, sabem que vamos encontrar“, afirma Pepe.
O executivo explica que a empresa trabalha com modelagem preditiva baseada em histórico. “Estudamos ocorrências para definir áreas de exclusão de entrega, escoltas ou substituição de veículos por ajudantes com seguranças a pé“. Essa análise de eventos passados gera protocolos que antecipam riscos – uma forma prática de “olhar para trás para prever o futuro”.
Aéreo

Um dos movimentos mais contundentes é a expansão do transporte aéreo. Por meio da subsidiária BAC, a Braspress opera três Boeings 737-400, com voos diários para Manaus. O carro-chefe é o Close Service em que uma carga que nasce rodoviária, mas, ao chegar a um hub (como São Paulo), migra para o avião. “Coletamos em Porto Alegre com destino a Manaus. A expectativa de 30 dias reduz drasticamente ao colocar no avião. Assim, surpreendemos o cliente“, exemplifica Pepe.
Neste caso, o adicional de frete é compensado pela redução drástica de tempo, e o modelo só é viável onde há fluxo bidirecional de carga, como no polo industrial de Manaus, que gera volume tanto na ida quanto na volta. A empresa estuda novas rotas, mas esbarra na “rarefação econômica” do Brasil. “O Nordeste, por exemplo, é comprador, mas não vendedor de mercadorias, o que inviabilizaria a volta do avião vazio, por enquanto”, explica.
A Braspress segue estudando a adição de novas rotas aéreas, principalmente para Brasília, e a ampliação da frota elétrica. O diretor Comercial resume a filosofia: “O principal insumo da nossa produção é o tempo. Conseguimos reduzi-lo sem aumentos significativos de frete graças à escala, automação e ao conhecimento do mercado. Isso, para o cliente, vira mais giro de estoque e mais vendas.“
