Em visita oficial à América Latina, o enviado especial da ONU para a Segurança Viária, Jean Todt, lançou a campanha FaçaUmaEscolhaSegura, com o objetivo de pressionar por medidas mais eficazes para reduzir pela metade as mortes no trânsito até 2030. A iniciativa, em parceria com a empresa de mídia exterior JCDecaux, percorrerá Brasil, México, Guatemala, Panamá e Colômbia, países onde pedestres, ciclistas e motociclistas representam 60% das vítimas fatais.
No Brasil, a situação é crítica: a taxa de mortalidade no trânsito é de 15,7 por 100 mil habitantes, uma das mais altas da região. Motociclistas são os mais afetados, com crescente número de óbitos por falta de fiscalização no uso de capacetes adequados. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), os acidentes de trânsito causaram 145 mil mortes nas Américas em 2021, sendo a principal causa de morte entre jovens de 5 a 29 anos.
“É uma loucura. Sabemos como evitar esse massacre“, disse Todt, comparando as vítimas anuais à população de cidades como Campinas ou Cidade da Guatemala. Ele destacou soluções como fiscalização rigorosa, transporte público seguro, infraestrutura para pedestres e ciclistas, e tecnologias veiculares, como freios ABS. Um relatório da Bloomberg Philanthropies estima que 25 mil vidas poderiam ser salvas até 2030 se Brasil, Argentina, Chile e México adotassem as regulamentações da ONU.
O país tem o Plano Nacional de Redução de Mortes no Trânsito (2019–2028), mas falhas na fiscalização persistem, como o uso irregular de cinto de segurança no banco traseiro. Projetos como o Fundo de Segurança Viária da ONU (UNRSF) auxiliam na coleta de dados para políticas públicas.
O UNICEF também atua no tema, com a iniciativa “Geração que Move”, que já impactou 500 mil pessoas e engajou 5 mil jovens em São Paulo e Rio de Janeiro. “Mobilidade segura é um direito fundamental para crianças“, afirmou Flavia Michaud, chefe do UNICEF no Rio. A campanha #FaçaUmaEscolhaSegura tem o apoio de nomes como Rebeca Andrade (ginástica), Novak Djokovic (tênis), Charles Leclerc (F1) e Naomi Campbell (modelo). Atletas olímpicos latino-americanos também aderiram, reforçando a urgência do tema.
A agenda de Todt inclui reuniões com governos e sociedade civil para acelerar ações. Em setembro, o UNICEF promoverá debates durante a Semana Nacional da Mobilidade, enquanto o Brasil busca cumprir sua meta de reduzir mortes até 2028.
Dados alarmantes
- 1,19 milhão morrem por ano no trânsito no mundo (equivalente a Campinas).
- Acidentes custam 3% a 6% do PIB da América Latina.
- Brasil precisa avançar em inspeção veicular e proteção a pedestres.
