O novo programa de renovação de frota de veículos encontra dificuldades em ser financiado pelo governo, já que o Tesouro não consegue oferecer subsídios por causa da crise fiscal. As montadoras podem acabar sendo as responsáveis por arcar o programa.
Uma das alternativas com maior probabilidade de vingar hoje é baseada em um modelo utilizado nos Estados Unidos, no qual as montadoras oferecem bônus para os clientes.
O programa de renovação da frota funcionaria da seguinte forma: proprietários de carros com idade superior a 15 anos ou caminhões acima de 30 anos entregariam seus veículos a valor de mercado na rede de concessionárias das montadoras que decidirem aderir. Na compra do carro ou caminhão novo, receberiam um bônus (desconto) de 10% a 12% do valor do veículo. Os carros usados seriam transformados em sucata reciclável e tirados de circulação.
A proposta de passar a conta para as montadoras surgiu no Ministério da Fazenda. Os técnicos acreditam que o setor foi muito beneficiado com desonerações tributárias no governo Lula e no primeiro mandato de Dilma e agora tem que fazer sua parte.
O programa de renovação de frota é uma das apostas do governo federal para recuperar um dos setores mais fracos da economia e tentar abrandar a recessão. Depois de caírem 26,6% em 2015, as vendas de veículos recuaram 38,8% em janeiro deste ano.
Mas a ideia do bônus ainda suscita dúvidas em outras áreas do governo. O temor é que o programa seja visto como uma “enganação” pelos consumidores, pois as montadoras já vêm oferecendo fortes descontos para tentar reduzir seus estoques.
Outras alternativas de financiamento para o programa também estão sendo discutidas. Uma delas é criar um fundo – que seria bancado por um aumento no Dpvat (taxa veicular) de todos os motoristas – para indenizar quem entregar o carro usado. Essa possibilidade não teve boa receptividade no governo, porque repassa para boa parte da população o custo de um benefício para um setor específico.
A Anfavea, entidade que representa as montadoras, informou que ainda não se reuniu com o governo para discutir o financiamento do programa, que segue em aberto. Já a Fenabrave, que representa os distribuidores de veículo, preferiu não se manifestar porque o programa ainda não foi finalizado. O Ministério do Desenvolvimento, que coordena a negociação no governo também não comentou.
Fonte: Folha de S. Paulo
