A transformação da antiga divisão de veículos comerciais da Voith em uma empresa independente marca um novo capítulo para uma das mais tradicionais fornecedoras de tecnologias de transmissão para ônibus e veículos pesados. Agora sob o nome Driventic, a companhia busca ampliar sua presença no mercado e reforçar seu posicionamento em um momento de profundas mudanças na mobilidade global.
Segundo Lucas Rolim, responsável pelas operações de vendas e pós-vendas da Driventic na América do Sul, a decisão de separar a unidade de veículos comerciais da estrutura da Voith foi motivada pela necessidade de maior dinamismo em um segmento que exige respostas rápidas e desenvolvimento constante.
A Voith construiu sua trajetória atuando em áreas como equipamentos industriais, geração hidrelétrica, papel e celulose, transporte ferroviário e sistemas navais. Ou seja, mercados caracterizados por projetos de longo prazo e alto nível de customização. Já a divisão de veículos comerciais operava em uma lógica completamente diferente, voltada para produtos de série e atendimento rápido às demandas das montadoras.
“Precisávamos de uma estrutura mais ágil, com processos e indicadores adequados ao nosso negócio. O mercado automotivo exige velocidade de resposta e proximidade com o cliente”, afirma Rolim.
Mobilidade além do presente
A nova fase da empresa é sintetizada pelo conceito “Mobility Beyond Today” (“Mobilidade Além do Hoje”), adotado como posicionamento global da marca. A estratégia está diretamente ligada aos dois grandes vetores que moldam o futuro da indústria automotiva: a descarbonização e a eletrificação.
Embora a eletrificação seja frequentemente apresentada como destino inevitável para o setor, a avaliação da empresa é que a transição ocorrerá de forma gradual, especialmente em mercados emergentes como o Brasil.
“A eletrificação é um caminho sem volta, mas existem etapas intermediárias importantes. Não faz sentido ignorar tecnologias capazes de reduzir consumo e emissões enquanto a infraestrutura elétrica ainda está em desenvolvimento”, avalia o executivo.
Essa visão acompanha um debate cada vez mais presente entre fabricantes, operadores e especialistas do setor. Enquanto países europeus avançam rapidamente na adoção de ônibus elétricos, o Brasil ainda enfrenta desafios relacionados à infraestrutura de recarga, custos de aquisição e capacidade de expansão da rede elétrica.
Nesse contexto, tecnologias que aumentam a eficiência dos veículos movidos a diesel ou incorporam sistemas híbridos ganham relevância como ferramentas de transição.
O futuro das transmissões passa pela automação
Entre essas soluções, as transmissões automáticas ocupam papel estratégico. Embora amplamente difundidas em mercados mais desenvolvidos, elas ainda convivem com transmissões manuais em boa parte da frota de ônibus da América Latina. Essa realidade evidencia que o setor ainda possui um grande potencial de evolução antes mesmo de alcançar a eletrificação total.
Segundo Rolim, as transmissões automáticas oferecem vantagens que vão além do conforto operacional. A tecnologia contribui para a redução do consumo de combustível, diminui o desgaste dos componentes mecânicos e proporciona uma condução mais suave para motoristas e passageiros.
“Quando falamos em sustentabilidade, não podemos olhar apenas para veículos elétricos. A modernização das transmissões já gera ganhos relevantes em eficiência energética e redução de emissões”, explica.
A empresa acredita que motores a diesel e sistemas elétricos continuarão coexistindo por muitos anos, especialmente em mercados onde a renovação da frota ocorre de forma gradual. Nesse cenário, a automação das transmissões surge como uma das maneiras mais rápidas de elevar a eficiência operacional sem exigir mudanças radicais na infraestrutura existente.
Recuperação de energia e sistemas híbridos ganham espaço
Outro caminho apontado pela Driventic para a transição energética é a incorporação de sistemas híbridos. A empresa já trabalha com soluções capazes de recuperar energia durante as frenagens e reutilizá-la em sistemas auxiliares do veículo, reduzindo o desperdício energético e melhorando a eficiência geral da operação.
Na avaliação da companhia, o modelo híbrido pode representar uma solução intermediária particularmente interessante para o transporte coletivo, oferecendo redução de consumo e emissões sem depender integralmente da infraestrutura necessária aos veículos 100% elétricos.
Entretanto, o alto custo desses sistemas ainda limita sua disseminação em larga escala. Para a empresa, programas de incentivo governamental poderiam acelerar a adoção dessas tecnologias e ajudar a criar escala produtiva, reduzindo custos ao longo do tempo.
DIWA NXT: a próxima geração de transmissões

O sistema incorpora avanços voltados para eficiência energética, conforto operacional e otimização do desempenho dos veículos pesados. De acordo com a empresa, a transmissão representa o estágio mais avançado de sua linha de produtos para ônibus urbanos.
A expectativa é que a tecnologia comece a ser introduzida no mercado brasileiro por meio de fabricantes parceiros já a partir de 2027. O processo de substituição da atual geração de transmissões deverá ocorrer gradualmente até o final da década.
Lat.Bus marcará estreia da nova marca na América do Sul
A Lat.Bus 2026 terá papel especial na trajetória da Driventic A feira será a primeira grande apresentação pública da empresa na América do Sul desde a conclusão do processo de separação da Voith.
Durante o evento, a companhia pretende destacar sua nova identidade corporativa e apresentar aos visitantes uma experiência imersiva voltada para suas tecnologias e aplicações. A expectativa é utilizar a feira como plataforma para reforçar seu posicionamento no mercado e aproximar clientes, operadores e fabricantes da nova fase da marca.

