A Mercedes-Benz suspendeu toda a produção de caminhões e ônibus na fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, por tempo indeterminado e iniciou nesta segunda-feira, 15, demissões de trabalhadores, por meio de telegramas. A empresa não informa o tamanho do corte, mas diz que os primeiros a receberem comunicados de dispensa compõem o grupo de 1,4 mil trabalhadores que está em licença remunerada desde fevereiro.
Desde esta segunda-feira, a maioria dos 9,8 mil trabalhadores da unidade está em casa sem saber a data de retorno à fábrica. No início do mês, a empresa já havia informado que, “diante de um cenário que tem se agravado cada vez mais, não temos outra alternativa a não ser a redução do quadro de pessoal”.
Após encerrar um programa de demissão voluntária que teve 630 adesões, a empresa informou ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC ter ainda 1.870 trabalhadores ociosos. Na próxima quarta-feira, 17, a entidade realizará assembleia com os funcionários no portão da Mercedes para definir medidas de protesto.
“A empresa tem de ter responsabilidade social e apostar na negociação e no diálogo. Sabemos que existem alternativas a serem adotadas sem que seja necessário demitir. Toda ação tem uma reação. Os trabalhadores estão mobilizados e vão lutar pelos seus empregos”, diz Moisés Selerges, diretor do sindicato.
Medidas
A direção da Mercedes-Benz ressalta que, desde 2014, adotou diversas medidas de flexibilidade e gestão de mão de obra para gerenciar o excedente de pessoal que, no início do ano, era de mais de 2,5 mil pessoas. A fábrica de São Bernardo opera com menos da metade de sua capacidade de produção.
A montadora recorreu ao lay-off (suspensão temporária dos contratos), ao Programa de Proteção e Emprego (PPE) – que reduz jornada e salários –, férias coletivas, licença remunerada, PDVs e semana reduzida de trabalho. Atualmente, opera um dia a menos por semana. Mesmo após a demissão de parte do quadro, a empresa informa que terá de manter algumas dessas medidas de redução de produção.
De janeiro a julho, as vendas de caminhões da Mercedes-Benz caíram 23,3% em relação ao mesmo período de 2015, totalizando 8.783 unidades. O mercado total teve queda de 30,9%, para 30.273 caminhões. Já as vendas de ônibus da marca caíram 27,7%, enquanto no mercado total o recuo foi de 33,4%.
Fonte: O Estado de S. Paulo

