Os emplacamentos de veículos no Brasil somaram 503.768 unidades em agosto, segundo levantamento da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). O volume ficou 0,16% abaixo do registrado em julho, mas superou em 16,87% o resultado de agosto de 2025.
No acumulado de janeiro a agosto, foram licenciadas 3.723.713 unidades, incluindo implementos rodoviários e outros veículos. O número representa crescimento de 15,3% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Agosto teve 21 dias úteis, enquanto julho contou com 23. A diferença no calendário ajuda a contextualizar a pequena retração mensal.
Para Arcelio Junior, presidente da Fenabrave, o desempenho ocorreu em um cenário de crédito ainda caro. A taxa Selic encerrou agosto em 14% ao ano, após começar 2026 em 15%. Já a taxa de desemprego no trimestre encerrado em julho ficou em 5,3%, o menor índice da série histórica do IBGE para o período.
“Os resultados continuam positivos, mesmo em um ambiente no qual o custo do crédito ainda é elevado. A redução gradual da Selic e a manutenção de um mercado de trabalho aquecido são sinais favoráveis, embora ainda seja necessário acompanhar a evolução da economia nos próximos meses”, afirma o executivo.
Segundo a Fenabrave, os segmentos de automóveis, comerciais leves e motocicletas vêm apresentando resultados acima das projeções. A entidade relaciona parte desse desempenho a programas como Carro Sustentável e MOVE, que também contribuíram para reduzir a intensidade da queda em caminhões, ônibus e implementos rodoviários.
Mercado acumula alta no ano
O resultado dos oito primeiros meses mantém o mercado de veículos acima do patamar registrado em 2025. A evolução reúne o desempenho de diferentes categorias e considera veículos leves, pesados, motocicletas, implementos rodoviários e outros segmentos acompanhados pela Fenabrave.
A entidade afirma que os próximos resultados dependerão da trajetória dos juros, das condições de financiamento, do emprego e das medidas direcionadas ao setor automotivo. A continuidade das promoções e dos programas governamentais também poderá influenciar a demanda nos próximos meses.

Automóveis e Comerciais Leves
Automóveis e comerciais leves mantiveram bom desempenho em agosto. “Os segmentos continuam apresentando uma demanda contínua, que vem sendo estimulado pela alta competitividade das marcas, que têm ofertado promoções ao mercado. O resultado também é fruto da boa aceitação do Programa Carro Sustentável, que tem impulsionado o consumo”, afirma Arcelio Junior.

Caminhões
Houve retração mensal, mas a comparação com agosto do ano passado foi positiva, graças ao MOVE Brasil. “A queda não interrompe a melhora que estamos vendo na comparação com 2025. Existe uma necessidade estrutural de renovação da frota, mas como caminhão é investimento de longo prazo, fatores como nível dos fretes, custos operacionais e condições de financiamento precisam estar alinhados para o transportador”, analisa Arcelio Junior.

Ônibus
Os emplacamentos de ônibus recuaram em relação a julho, mas ficaram acima dos de agosto do ano passado. No acumulado de 2026, o segmento ainda registra resultado negativo. “Os ônibus têm uma dinâmica diferente de mercado, com compras e entregas em lotes, o que pode causar certa volatilidade mensal. Por isso, considero mais importante observar a comparação anual e a redução da diferença acumulada em relação a 2025. Há uma recomposição em curso, favorecida pelo Programa Move, embora ainda não possamos falar em recuperação completa do segmento”, afirma Arcelio Junior.

Implementos Rodoviários
Os implementos rodoviários seguem em movimento de recuperação em relação a agosto do ano passado, apresentando estabilidade no acumulado. “O segmento teve alta mais forte em julho e agosto traz uma acomodação desse movimento. O acumulado, muito próximo da estabilidade, aponta que o Programa Move Brasil foi bem utilizado pelo segmento”, comenta o Presidente da Fenabrave.










