Mercado de caminhões e ônibus no Brasil inicia 2026 com queda

Setor de pesados aguarda o impacto de programa de renovação de frota para fomentar as vendas

Por Gustavo Queiroz

- fevereiro 6, 2026

Imagem meramente ilustrativa gerada por IA

O setor brasileiro de veículos pesados inicia 2026 em um cenário de contrastes marcantes, registrando uma forte contração nas vendas domésticas em janeiro, enquanto deposita expectativas de recuperação no programa de incentivo Move Brasil, do BNDES, que aprovou R$ 1,3 bilhão em financiamentos em seu primeiro mês de operação.

De acordo com os dados detalhados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) para janeiro de 2026, o mercado de caminhões emplacou 6.447 unidades, o que representa uma queda expressiva de 31,5% em relação ao mesmo mês de 2025 e de 34,5% na comparação com dezembro do ano passado. A retração foi generalizada em todas as categorias de peso, com os segmentos de caminhões pesados (queda de 38,7%) e leves (queda de 43,0%) registrando as menores performances na comparação anual.

O mercado de ônibus seguiu trajetória semelhante, com apenas 1.180 chassis licenciados, uma retração de 33,9% frente a janeiro de 2025, onde os modelos urbanos, com 1.059 unidades, foram ligeiramente menos impactados que os rodoviários, que despencaram 50%.

A análise por fabricante revela um mercado em contração para todos, mas com nuances competitivas. No segmento de caminhões, a Mercedes-Benz liderou em volume absoluto com 1.820 unidades emplacadas, ainda que com uma queda de 20,2% frente a dezembro. A Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO) empatou em volume, registrando também 1.820 unidades, mas com uma retração mensal menor, de 15,6%. A Volvo se destacou por apresentar a menor queda entre as principais montadoras, de apenas 1,7% na base mensal, ao emplacar 867 caminhões.

No nicho de ônibus, a Mercedes-Benz manteve a liderança com 505 chassis vendidos, seguida pela Volvo com 258, embora ambas tenham registrado quedas superiores a 30% em relação ao mês anterior.

Este desempenho fraco ocorre em paralelo ao início das operações do programa Move Brasil, uma linha de crédito do BNDES que oferece taxas de juros subsidiadas entre 11,8% e 12,7% ao ano para a renovação de frotas, patamares consideravelmente abaixo da Selic meta vigente. A expectativa da Anfavea e das montadoras é que os R$ 1,3 bilhão já aprovados em janeiro comecem a se refletir nos números de emplacamentos nos próximos meses, impulsionando uma recuperação do setor.

Contudo, o cenário é temperado por ventos contrários externos. As exportações de caminhões montados caíram 37,5% em janeiro, com a Argentina, principal mercado de destino, registrando uma redução de 5% na demanda, sinalizando uma desaceleração que preocupa as fabricantes com cadeias produtivas integradas entre os dois países.

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