Marcopolo apresenta Torino 2027, G8 TEC e Volare híbrido na Lat.Bus 2026

Empresa comemora 77 anos e aposta em três pilares para reposicionar seu papel no ecossistema da mobilidade

Por Gustavo Queiroz

- agosto 11, 2026

Marcopolo Lat.Bus 2026

A Marcopolo escolheu o dia de seu 77º aniversário, 6 de agosto, para antecipar à imprensa o que apresentará na Lat.Bus 2026, maior feira de transporte coletivo da América Latina, que ocorre entre 11 e 13 de agosto no São Paulo Expo. A fabricante levará cerca de 30 veículos ao evento, com três grandes lançamentos: o renovado ônibus urbano Torino 2027, a evolução tecnológica do rodoviário Paradiso G8 Tech e o Volare Attack 10 híbrido movido a etanol, cuja comercialização começa agora.

Mais do que novidades em produto, a empresa sinalizou uma mudança de postura. “a grande mudança que a gente está fazendo é efetivamente entender o nosso papel — um papel mais amplo, de ser também provocador, promotor e integrador”, afirmou o diretor André Armaganijan, CEO da Marcopolo, ao abrir a apresentação. “Nosso propósito é maior do que simplesmente apresentar um belo produto. É envolver bancos, buscar soluções de financiamento, apoiar o cliente nesse processo”, complementa.

Luciano Resner, André Armaganijan e Ricardo Portolan, diretores da Marcopolo
Luciano Resner, André Armaganijan e Ricardo Portolan, diretores da Marcopolo

Lançado originalmente em 1983 e com mais de 120 mil unidades vendidas desde então, o Torino é um dos produtos mais emblemáticos da Marcopolo no segmento urbano. A versão 2027, apresentada na nova cor “Branco Lunar”, chega com transformações profundas, fruto de pesquisas com operadores e análise comparativa com concorrentes. “A disponibilidade de ônibus rodando nas ruas é o que traz a receita para o operador”, resumiu o diretor de Engenharia da Marcopolo, Luciano Resner, ao detalhar os três pilares do projeto: eficiência operacional, confiabilidade e conforto.

Marcopolo Torino
Marcopolo Torino | Foto: GQ/Frota&Cia

Entre as inovações técnicas, destaque para o novo sistema elétrico Evia, que conecta toda a parte elétrica do veículo e permite diagnósticos rápidos via Bluetooth por celular, reduzindo o tempo de parada para identificação de falhas. A central elétrica foi reposicionada para facilitar o acesso do eletricista.

As portas, redesenhadas com estrutura em alumínio e soldagem robótica, são 30% mais leves e tiveram seu mecanismo exaustivamente testado para reduzir a necessidade de ajustes constantes. O sistema de climatização também foi repensado por meio de novos dutos de ar e separação da fiação elétrica, resultando no aumento da velocidade do ar em 40%, sem elevar o consumo.

No conforto do motorista, a Marcopolo desenvolveu um isolante térmico para o compartimento do motor dianteiro que reduz em mais de 5 graus a temperatura interna, uma das principais queixas da categoria. As poltronas individuais ganharam nova geração, com encosto de cabeça elevado e tecidos modernos. O conjunto ótico dianteiro foi remodelado para melhor visibilidade noturna.

O Torino atual permanecerá em linha por algum tempo, com o novo modelo sendo introduzido gradativamente a partir de setembro. O preço do 2027 fica entre 5% e 8% acima da versão anterior, dependendo da configuração, sendo que a diferença, segundo a empresa, se paga com a redução de custos operacionais ao longo da vida útil do veículo. Mais de 20 clientes já assinaram projetos com o novo modelo.

Marcopolo G8 TEC Paradiso 1800 DD
Marcopolo G8 TEC Paradiso 1800 DD | Foto: Divulgação

Novo G8 TEC

O Paradiso G8, lançado em 2021 e presente em mais de 20 países, recebe sua primeira grande atualização. Batizado de G8 TEC, o rodoviário incorpora um kit aerodinâmico desenvolvido em parceria com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), projeto que durou um ano e meio e incluiu simulações computacionais, testes em túnel de vento e provas em pista.

O elemento central é o slat, um aerofólio inspirado na indústria aeronáutica, instalado nos pilares dianteiros. “A gente conseguiu criar um design em que ele não atrapalha a estética do ônibus, fica quase imperceptível, mas tem uma eficiência fantástica”, explicou Resner. O resultado prático se dá através da redução de 15% no arrasto aerodinâmico e economia média de combustível de 3,5%, número que, segundo a empresa, já justifica o acréscimo de cerca de 5% no preço do veículo.

A tecnologia embarcada também avança. O espelho eletrônico perdeu o braço externo e agora fica praticamente colado à lateral do veículo, com câmeras de alta definição e capacidade de gravação, sendo uma “caixa preta” para ônibus, resistente a temperaturas extremas e impacto. Opcionalmente, o G8 TEC oferece o DMS (Driver Monitoring System), sistema com inteligência artificial que monitora sinais de fadiga, uso de celular ou distração do motorista, emitindo alertas em tempo real.

No interior, o rodoviário ganhou nova iluminação ambiente, revestimentos laterais reformulados e poltronas da família Semi-Leito Master com maior largura nos assentos. A empresa também ampliou o uso de materiais recicláveis  e, segundo informações divulgados, um único ônibus utiliza o equivalente a 3 mil garrafas PET recicladas em componentes como tecidos e porta-pacotes. O sistema de supressão de incêndio, antes restrito a alguns clientes como os do Chile, passa a ser item de série. O G8 TEC substituirá integralmente a versão anterior a partir de setembro, com o kit aerodinâmico disponível como item opcional a partir de janeiro de 2027.

Volare híbrido

Marcopolo Híbrido + Etanol
Marcopolo Híbrido + Etanol | Foto: Divulgação

O micro-ônibus Volare Attack 10 híbrido é talvez a novidade de maior apelo tecnológico. Apresentado há dois anos na Lat.Bus como protótipo, o modelo agora inicia sua comercialização efetiva e representa a primeira etapa de um plano mais amplo da Marcopolo para eletrificação de sua linha urbana.

O veículo utiliza a arquitetura elétrica em série (Range Extender): a tração é 100% elétrica, enquanto um motor gerador movido a etanol recarrega as baterias conforme necessário. O motor a combustão nunca traciona as rodas — sua única função é produzir eletricidade. O resultado, segundo a empresa, é uma redução de 98% na emissão de NOx, o gás mais nocivo à saúde entre os emitidos por veículos. “O híbrido sempre fez parte do nosso roadmap. O objetivo era evoluir da solução diesel para o etanol e, no futuro, utilizar outras fontes renováveis”, afirmou Resner.

A autonomia do modelo pode chegar a 650 km. O preço é aproximadamente o dobro de um veículo a diesel equivalente, mas a empresa aponta que o custo total de propriedade ao longo da vida útil se torna competitivo, especialmente em operações de fretamento rural e mineração, onde a infraestrutura de recarga elétrica é escassa.

O governo federal já demonstrou interesse neste modelo para o programa Caminho da Escola, especialmente em aplicações rurais. A Marcopolo afirma estar calibrando a introdução do produto por segmentos e geografias, com foco inicial em regiões produtoras de etanol, como o interior de São Paulo. A arquitetura híbrida flex deverá ser expandida para o Torino nos próximos anos, em projeto financiado pela Finep.

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