A digitalização da logística começa a transformar a forma como as empresas do setor fazem negócios no Brasil. A Gestran e a Mobiis anunciaram uma parceria que acompanha uma transformação do mercado logístico: a formação de ecossistemas capazes de concentrar diferentes serviços em uma plataforma. O movimento reforça uma conexão entre as empresas, já que a Mobiis nasceu da fusão entre a Pathfind e a Fretefy, esta última criada originalmente como uma spin-off da Gestran.
A operação responde a uma demanda das transportadoras por soluções integradas em um setor responsável por movimentar cerca de 65% de toda a carga brasileira, segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT).
“As transportadoras precisaram conviver com um quebra-cabeça tecnológico. É um sistema para controlar a frota, outro para contratar fretes, um terceiro para rastrear veículos e mais algumas plataformas para auditoria, roteirização e gestão operacional. A fragmentação eleva custos, reduz a produtividade e dificulta a digitalização de um dos setores da economia brasileira”, explica Paulo Raymundi, CEO da Gestran. “A parceria nasce para conectar essas necessidades e entregar mais valor aos clientes”, afirma.
A integração une duas frentes que operam de forma separada no mercado. A Gestran concentra sua atuação na gestão de Frotas, Transportadoras e Frotistas, enquanto a Mobiis desenvolve soluções voltadas à inteligência das operações logísticas.
A integração das plataformas cria um ecossistema capaz de acompanhar desde a administração da frota até a contratação de fretes, a roteirização, o rastreamento e o monitoramento das cargas, permitindo que clientes concentrem diferentes processos em uma estrutura tecnológica.
Escala operacional da Mobiis
A parceria incorpora a escala operacional já construída pela Mobiis no mercado. A empresa conecta mais de 3.500 operadores logísticos e já intermediou R$ 705 milhões em fretes contratados, movimentando cargas avaliadas em R$ 35,4 bilhões. A operação reúne 376 mil cargas movimentadas, 381 milhões de quilômetros rodados, 813 mil pedidos formados, 500 mil reservas criadas e R$ 116 milhões em Conhecimentos de Transporte Eletrônico (CT-es) auditados. A expectativa é que, com a integração das soluções da Gestran, esses números sejam potencializados por uma gestão das operações logísticas.
“A união conecta soluções de gestão de frotas, marketplace de fretes, roteirização, rastreamento, monitoramento, auditoria de documentos fiscais e inteligência logística, permitindo que transportadoras e embarcadores reduzam etapas operacionais e centralizem indicadores de desempenho”, explica o CEO da Gestran, que tem como expectativa inicial ampliar a base de clientes em 20% com a parceria.
Segundo Raymundi, os indicadores mostram que o setor começa a migrar da digitalização de processos isolados para uma lógica baseada em integração. “O futuro da logística será para quem consegue conectar informações, reduzir atritos entre diferentes sistemas e transformar dados em decisões. É essa mudança que está acontecendo agora no mercado”, afirma o executivo.
Consolidação das logtechs brasileiras
O avanço dos ecossistemas acompanha um movimento de consolidação das logtechs brasileiras. Em vez de desenvolver todas as soluções internamente, empresas do setor passaram a formar alianças para acelerar a inovação, ampliar a escala e responder a uma demanda por operações digitais, conectadas e orientadas por dados.
“Além da integração comercial, existe uma troca de experiências entre as equipes, o que contribui para acelerar a inovação, aprimorar integrações entre plataformas e desenvolver soluções que acompanhem a evolução das demandas dos clientes e do setor”, completa Raymundi.
O momento é oportuno: o transporte rodoviário de cargas no Brasil movimenta US$ 92,5 bilhões, segundo a IMARC Group, enquanto o mercado global de softwares para logística movimenta US$ 17,47 bilhões, de acordo com a Fortune Business Insights.
