Allison aposta em câmbio MD9 e T3275 XFE para novo ônibus

Diretor explica integração veicular, 9 marchas overdrive, lock-up precoce e retardador que reduz consumo em ônibus a gás

Por Gustavo Queiroz

- setembro 11, 2026

Celso João, diretor de Engenharia de Integração Veicular da Allison Transmission

A Allison Transmission participou da Lat.Bus 2026 apresentando sua evolução de engenharia de aplicação de produto para integração veicular, com destaque para a caixa MD9 e a transmissão T3275 XFE. Celso João, diretor de Engenharia de Integração Veicular da empresa, explicou que uma transmissão automática moderna não é simplesmente aplicada ao veículo, mas precisa se integrar a um conjunto com rede neural integrada, resultando em performance otimizada em desempenho e economia de combustível. Segundo ele, essa integração deve resultar em desempenho, economia especialmente de combustível e otimização do conjunto como um todo.

No estande, a MD9 foi exposta em corte para revelar seus componentes internos. Trata-se de uma transmissão automática de classe intermediária para veículos leves e médios, composta por dois elementos de multiplicação hidráulica. O primeiro é o conversor de torque, componente centenário que funciona por meio de fluxo de fluido, composto por uma bomba conectada diretamente ao motor, um estator e uma turbina que conecta a saída do conversor ao trem de engrenagens. Esse conjunto realiza multiplicação de torque de maneira contínua, aproveitando o fluxo de vórtice do óleo, sem qualquer componente eletrônico em seu interior.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Allison MD9
Allison MD9 | Foto: Divulgação

Associado a um trem planetário, o conversor de torque provoca reduções de rotação. Na MD9, quatro conjuntos planetários resultam em nove marchas à frente e uma à ré, sendo três delas overdrive, com relação menor que um, multiplicando a rotação de saída. A transmissão possui embreagens rotativas que transportam o torque do conversor ao trem planetário, e embreagens fixas que travam componentes do planetário para provocar as reduções necessárias. A parte eletrônica, incorporada via ICV, traz inovações no escalonamento de marchas, explorando as relações overdrive para manter a rotação do motor em faixas favoráveis ao consumo de combustível.

A grande tendência das transmissões automáticas, segundo Celso João, é o aumento do número de marchas para obter um escalonamento mais bem distribuído ao longo do funcionamento do veículo. A MD9 se aplica a veículos de até aproximadamente 25 toneladas, incluindo caminhões, ônibus e ônibus escolares, com limites estabelecidos para cada aplicação em termos de torque, potência de entrada e peso.

Novo ônibus

A caixa automática Allison T3275 XFE equipa o chassi Agrale MT 18 LE
A caixa automática Allison T3275 XFE equipa o chassi Agrale MT 18.0 LE

No novo chassi Agrale MT 18.0 LE, exposto na feira, a Allison apresentou a transmissão T3275 XFE, da série 3000. O sufixo XFE significa Extra Fuel Economy, característica obtida pelo escalonamento de marchas e pelo tipo de conversor de torque, que permite a entrada da embreagem lock-up muito cedo, eliminando o escorregamento do conversor sempre que possível. A transmissão conta ainda com um retardador hidrodinâmico acoplado à parte traseira, freio auxiliar especialmente importante para motores a gás natural, que não possuem freio motor.

Celso João destacou que a combinação entre transmissão automática e motor CNG é especialmente vantajosa, pois o motor de combustão interna se associa bem tanto na interface motor-transmissão quanto no ciclo operacional. A Allison dispõe de uma família de conversores curvos de absorção, calibrados para diferentes curvas de torque, garantindo resposta satisfatória independentemente das características do motor a gás. O chassi Agrale, já produzido na Argentina há bastante tempo com mais de 7.000 unidades em Buenos Aires, chega ao Brasil com o motor Weichai de 270 cavalos e 1.150 Nm, utilizando a transmissão Allison otimizada para essa aplicação.

Próximos passos

Para a Fenatran 2026, que ocorre em dois meses, a Allison ainda não definiu completamente seu portfólio, mas tradicionalmente leva aplicações cativas como caminhões de coleta de lixo e bombeiros.

Um segmento em crescente aceitação é o de caminhões de mineração de alta capacidade, com 100 a 120 toneladas, que estão adotando transmissões automáticas da série 4000. Montadoras chinesas como XCMG e Sunny estão explorando esse mercado com conjuntos de motor de alto torque, transmissão automática e eixo traseiro com cubo planetário super reduzido, permitindo respostas de desempenho e durabilidade superiores às transmissões automatizadas. A engenharia da Allison no Brasil coopera com a equipe chinesa para otimizar essas aplicações às condições específicas da mineração brasileira, já que cada localidade apresenta características distintas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Compartilhe nas redes sociais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *