Indústria de lubrificantes vive uma corrida sem fim

No esforço de acompanhar a evolução de veículos comerciais, Indústria de lubrificantes como a Valvoline investem em durabilidade e desempenho

Por Gustavo Queiroz

- junho 18, 2025

Indústria de lubrificantes

Os avanços tecnológicos incorporados aos veículos comerciais, para atender à crescente pressão pela redução de emissões, aliado à oferta de combustíveis alternativos ao diesel, vem obrigando os fabricantes de lubrificantes a investir no desenvolvimento de novos produtos para atender a essa demanda.

A indústria de lubrificantes está em uma corrida sem fim”, afirma o gerente Regional da Valvoline, Vinicius Alberti.Novas tecnologias em trem de força surgem o tempo todo para caminhões e ônibus, exigindo lubrificantes específicos. A tendência é que os produtos se tornem cada vez mais especializados“.

Vinicius Albert, gerente Regional da Valvoline
Vinicius Alberti, gerente Regional da Valvoline

Segundo ele, tais inovações começam nos veículos leves e, depois, migram para os pesados. “Já existe uma demanda crescente por bases sintéticas com baixas viscosidades, como 5W30, 10W30 e 10W40. O mercado está caminhando para formulações que atendam exigências como economia de combustível e controle de emissões de poluentes, seguindo padrões como o API“.  O mesmo acontece com o uso de sistemas de pós-tratamento como o DPF (filtro de partículas), que exige lubrificantes com baixo teor de cinzas sulfatadas, fósforo e enxofre.

No esforço de atender ao mercado, a Valvoline projeta lançar novos produtos no segundo semestre, incluindo lubrificantes 5W30 e 5W20, visando atender motores com galerias de lubrificação mais estreitas e sistemas auxiliados por eletrônica. “Tudo isso busca melhorar a eficiência energética e o desempenho das frotas“, afirma Alberti.

A busca por produtos mais sustentáveis é outra frente importante na indústria de lubrificantes. “A grande corrida é por formulações que permitam maior vida útil. Isso envolve pacotes de aditivos mais robustos, com detergentes, dispersantes e antioxidantes avançados, que ajudam a reduzir resíduos e diminuir o impacto ambiental“, comenta Vinicius. Em adição, o executivo  lembra que os lubrificantes sintéticos já atendem tais exigências, permitindo intervalos de troca mais longos.

Qualidade do diesel

Apesar desses avanços, o especialista conta que um dos grandes desafios no caso brasileiro é a qualidade do combustível, especialmente o biodiesel, que pode formar borras e afetar componentes mecânicos. “O lubrificante atua na limpeza da câmara de combustão, mas problemas como entupimento de filtros e bicos injetores ainda são comuns devido à degradação do biodiesel“, alerta Alberti.

Com a chegada de normas como o Euro 7 no futuro, a tendência é que os lubrificantes evoluam ainda mais, na visão do gerente. “A especificação CK4, por exemplo, já é um avanço, mas precisamos de formulações ainda mais eficientes para atender às novas regulamentações“.

Além disso, a busca por viscosidades ultrabaixas (como 0W16) deve crescer, embora o custo ainda seja uma barreira. “Na Europa, já se fala em 0W8. No Brasil, isso ainda vai demorar, mas é uma questão de tempo“, antecipa Alberti.

O futuro dos lubrificantes para veículos pesados será marcado por inovações em sustentabilidade, eficiência e compatibilidade com novas tecnologias. “O importante é entender que essa evolução não para. O que é tendência hoje pode ser obrigatório amanhã“, finaliza Vinicius

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