Limitações técnicas retardam o avanço dos biolubrificantes

A substituição de óleos minerais por biocombustíveis ainda esbarra em questões como disponibilidade, custo e desempenho técnico

Por José Augusto Ferraz

- junho 19, 2025

Vibra investe no desenvolvimento de biolubrificantes

A indústria de lubrificantes enfrenta um duplo desafio nos dias atuais: reduzir sua pegada de carbono sem comprometer o desempenho de motores pesados e sistemas de transmissão. A substituição de bases minerais por matérias-primas renováveis (biocombustíveis), como óleos vegetais e gorduras residuais, ainda esbarra em questões como disponibilidade, custo e desempenho técnico.

Juliano Prado, vice presidente da Vibra
Juliano Prado, vice-presidente da Vibra

Segundo Juliano Prado, vice-presidente da Vibra, a cadeia de suprimentos para biolubrificantes não está tão consolidada quanto a de derivados de petróleo. “Além disso, precisamos garantir que esses produtos tenham estabilidade térmica, resistência à oxidação e compatibilidade com motores modernos“, explica.

Não sem motivo, a Vibra tem investido em parcerias com centros de pesquisa e fornecedores especializados, para desenvolver formulações que igualem ou superem as dos lubrificantes convencionais.

Um dos maiores obstáculos é assegurar que lubrificantes sustentáveis atendam às exigências de motores de alta carga e longas jornadas. “Em aplicações críticas, como caminhões e ônibus, a degradação acelerada pode ser um problema”, afirma Prado. “Por isso, estamos focando em aditivos avançados, antioxidantes, modificadores de atrito e dispersantes, para compensar as limitações das bases renováveis.”

Produção complexa

Outro entrave é a vida útil mais curta de alguns biolubrificantes, que oxidam com maior facilidade. Por isso, a Vibra trabalha em formulações com pacotes de aditivos robustos para estender sua durabilidade.

Normas como as da ANP, API e ISO também precisam evoluir. “Lançamos lubrificantes com a especificação API SP/GF-6, os primeiros no Brasil, mostrando que desempenho e sustentabilidade podem andar juntos”, informa o VP.

Os lubrificantes sustentáveis ainda custam mais devido à matéria-prima e à complexidade de produção. Porém, o executivo projeta que “a diferença diminuirá com escala e incentivos fiscais“. Quanto à aceitação, frotistas hesitam em pagar mais sem garantias de retorno. “Temos demonstrado que, no Custo Total de Propriedade (TCO), esses produtos reduzem consumo de combustível e desgaste de componentes”, ressalta.

Na visão do executivo, fechar o ciclo sustentável da cadeia de lubrificantes exige ampliar a coleta de óleos usados. “Investimos em rerrefino, transformando resíduos em matéria-prima de qualidade”. A inteligência artificial também acelera o desenvolvimento de novas formulações e já vem sendo usada para simular combinações de aditivos e otimizar alguns processos.

Linha de produção de lubrificantes da Vibra
Linha de produção de lubrificantes da Vibra

Prado estima que os biolubrificantes irão dominar o mercado em até 10 anos, impulsionados por regulamentações e demanda por descarbonização. “A Vibra quer liderar essa transição, aliando inovação e responsabilidade ambiental”, promete.

Segundo suas contas, de 1 a 3 anos haverá um avanço em aplicações de última milha e ônibus urbanos, enquanto em 5 anos a expansão deverá alcançar os caminhões leves e médios. Somente no longo prazo, equivalente a 10 anos os biolubrificantes irão dominar o segmento de pesados, dependendo de infraestrutura e custos. Enquanto isso, a indústria corre contra o tempo para equilibrar desempenho, preço e sustentabilidade.

 

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