Imposto Seletivo tem preocupado ANFAVEA

Igor Calvet comentou sobre o assunto durante o painel de encerramento do ABX25

Por Victor Fagarassi

- setembro 19, 2025

Igor Calvet

O Imposto Seletivo é um dos temas que mais inquieta o setor automotivo atualmente, introduzindo um elevado grau de incerteza para fabricantes, fornecedores, distribuidores e toda a cadeia produtiva. “Se algo tem nos preocupado é esse tributo, estabelecido no âmbito da Reforma Tributária a partir de janeiro de 2027”, declarou Igor Calvet, presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

“Estamos a menos de um ano e meio do início das novas normas e ainda não temos noção da cobrança tributária que irá recair sobre os nossos produtos. No final, podemos ter um crescimento na quantia de impostos para os automóveis, o que não era a intenção inicial do governo”, advertiu o executivo.

A fala de Calvet foi realizada durante o painel de encerramento do ABX25, encontro organizado pela Automotive Business no São Paulo Expo, e apoiada pelos demais participantes, todos CEOs de grandes companhias: Rafael Chang, da Toyota América Latina, Ciro Possobon, da Volkswagen Brasil, Mauro Correia, da HPE, e Martin Galdeano, da Ford América do Sul, além de Diego Fernandes, COO da GWM Brasil.

O Imposto Seletivo deverá ser aplicado de forma adicional a outros encargos sobre automóveis de todos os tipos de propulsão, o que, de acordo com a Anfavea, tem o risco de desestimular compradores de modelos zero quilômetro, estendendo a utilização de veículos mais antigos, menos seguros e mais contaminantes – indo completamente contra a atual política industrial do próprio governo federal, o Mover, que promove investimentos em produtos cada vez mais sustentáveis e com itens de segurança de última geração.

Calvet também salientou a urgência em progressar rapidamente nas definições do programa Mover. “Temos uma vasta lista de portarias a serem divulgadas. O Mover ainda não é o grande programa definitivo, porque ainda não foram finalizadas todas as normatizações. Estabilidade era e continua sendo o termo fundamental.”

Apesar do momento desfavorável, nenhuma organização indicou até agora qualquer tipo de reavaliação dos investimentos, calculados em R$ 190 bilhões na soma de fabricantes e fornecedores. “Nosso setor é resistente. Alcançamos em agosto o recorde de registros de novas tecnologias, 11% do mercado nacional, sendo que um quarto desse volume já é constituído por veículos produzidos no Brasil”, concluiu o presidente da Anfavea.

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