A Hitachi desembarca na edição 2026 da LAT.BUS apoiada na aquisição recente da Clever Devices e na execução do mais abrangente projeto de Sistemas Inteligentes de Transporte (ITS) em curso na região. O evento, que ocorre entre 11 e 13 de agosto no São Paulo Expo, servirá como vitrine para a demonstração de uma arquitetura de software e telemetria que já opera em escala metropolitana e em cidades de porte médio, com base na mesma plataforma estrutural.
A principal frente de atuação da companhia no Brasil é o Sistema de Monitoramento da Gestão Operacional (SMGO) contratado pela SPTrans, que se encontra em fase avançada de implantação na capital paulista. O escopo técnico do contrato prevê a cobertura integral da frota municipal, composta por aproximadamente 14 mil veículos distribuídos em 1.300 linhas, com impacto direto na experiência de deslocamento de cerca de 9 milhões de passageiros por dia útil. O sistema, quando plenamente operacional, passará a consolidar dados de posicionamento, desempenho mecânico e aderência programática em tempo real, alimentando painéis de Business Intelligence (BI) para a gestão dos consórcios e da própria administração pública.
O projeto paulistano, entretanto, não é o único parâmetro técnico da operação da Hitachi no País. A cidade de Londrina, no Paraná, opera com a plataforma em regime de produção plena desde 2025, cobrindo a totalidade da frota de 384 ônibus e todas as linhas urbanas do município. A implantação paranaense funciona como ambiente de validação operacional dos algoritmos de predição e da telemetria embarcada, permitindo à equipe de engenharia da Hitachi calibrar parâmetros de latência, precisão de georreferenciamento e integração com os sistemas de bilhetagem eletrônica locais antes da ampliação para mercados de maior densidade.
De acordo com Maurício Corte, vice-presidente da Hitachi para a América Latina, a estratégia comercial da empresa para a região baseia-se na premissa de que a mesma base tecnológica empregada em projetos de grande porte, como o de São Paulo, pode ser replicada com adaptações modulares para cidades de diferentes portes. “Enquanto São Paulo demonstra a nossa escala, Londrina mostra a nossa tecnologia já operando e gerando resultados“, afirmou o executivo. O depoimento reflete a abordagem de engenharia que a companhia adotou após a incorporação da Clever Devices, que consiste na oferta de sistemas globais com camadas de customização local, ajustando algoritmos de roteirização dinâmica, regras de priorização semafórica e interfaces de gestão de frota às legislações municipais e às estruturas de consórcio vigentes.
A adaptação de sistemas desenvolvidos originalmente para mercados como Nova York, Chicago (EUA) e Milão (Itália) ao ecossistema brasileiro envolve, na prática, a reconfiguração de módulos de integração com provedores de GPS, a compatibilização de protocolos de comunicação com as centrais de controle existentes e a modelagem de indicadores de desempenho (KPIs) que reflitam as métricas de qualidade exigidas pelos contratos de concessão. Esse processo de engenharia de requisitos tem sido conduzido simultaneamente aos contratos de implantação, com equipes dedicadas à documentação e ao teste de regressão dos sistemas embarcados.
Outras atrações
Paralelamente à atuação no transporte rodoviário, a Hitachi utilizará a LAT.BUS para apresentar seu portfólio de soluções para sistemas sobre trilhos, incluindo metrô, trens metropolitanos e Veículos Leves sobre Trilhos (VLT). A estratégia visa posicionar a plataforma da empresa como um sistema unificado de gestão de mobilidade, capaz de integrar dados de diferentes modais em uma única camada de análise e planejamento.
Essa abordagem multimodal é apresentada pela companhia como desdobramento natural de sua experiência em centros urbanos com redes de transporte combinadas, onde a interoperabilidade entre ônibus e trens é condição para a otimização do fluxo de passageiros e para a redução de tempos de transbordo.