Grupo G10 revela gestão que o tornou referência no agro

Foco na inovação, com direito à imersão de funcionários no Vale do Silício, mostra o empenho da transportadora que tem operações em todo o país na área do agronegócio

Tudo que envolve o grupo G10 Transportes, composto por empresas de renome com sede em Maringá (PR), remete ao superlativo: o maior transportador de produtos agrícolas do país, com 16 milhões de toneladas transportadas em 2022, um dos campeões no que diz respeito à compra de caminhões, pois somente para esse ano adquiriu 600 modelos das marcas Scania, Librelato e Facchini, todos Euro 6, que vão se juntar à frota atual de 2 mil veículos. No quesito faturamento, a expectativa  é encerrar o ano na casa dos R$ 3 bilhões, acima dos 2,5 bilhões alcançados em 2022, colocando-o entre os players mais proeminentes do transporte nacional.

A imensidão dos números que ilustram toda essa extensão está em uma gestão empenhada em várias frentes na área administrativa, com ênfase na absorção das novas tecnologias, com iniciativas inéditas para uma empresa de TRC, como a imersões de 26 gerentes no maior polo de inovação do planeta, o Vale do Silício, na Califórnia, em 2022. “Fomos a primeira empresa do TRC que montou um grupo de gerentes de 26 pessoas e mandou para o Vale do Silício para uma imersão. Isso é muito comum em grandes corporações e pessoas que vão por conta própria. Nós tomamos a iniciativa e contratamos universidade lá, fizemos visitas em centros de inovações e buscamos respostas para as seguintes indagações: vai ter o caminhão autônomo? Vai ter o caminhão elétrico? Se sim, quando? Qual seria o custo? Quais as tendências de mercado?”, conta Claudio Adamuccio, diretor presidente do grupo.

É com esse perfil questionador que Adamuccio,  que está no comando do conglomerado, composto pelas empresas Transpanorama, Falleiro, Cordiolli, Rodofaixa, VMH, G10  Autoposto, TransportesG10, Auto PostoG10, SeminovosG10,  G10Parking, CTQT e Florescer, fundado há 22 anos, contou na entrevista concedida à Frota&Cia como o G10 está fazendo história no setor de transportes:

Frota &Cia – Como é estar no comando de um grupo com tantas extensões em todo o território nacional?

Claudio Adamuccio – Bastante desafiador. Nunca um ano é igual ao outro, pois sempre surge algum fator novo. Nunca tivemos dois anos iguais. Ou é pandemia, guerra…entrada de novas exigências de Euro 5, Euro 6 (caminhões). Surgimento de novas tecnologias menos poluentes. Há sempre desafios. Há 30 anos que estou no setor e tenho vivenciado tudo isso.

Frota & Cia – Como estão as aquisições para este ano?

Claudio Adamuccio – Em termos de aquisições de frota, fechamos a compra de 600 caminhões que devem ser entregues ao longo de 6 meses. Todos Euro 6. Nas próximas semanas devem chegar os primeiros 50. Optamos pelas marcas  Scania, Librelato e Facchini. Esses novos modelos vão se somar a nossa frota atual que está em 2 mil caminhões. Atendemos todo o país, com foco no agronegócio. Transportamos desde os insumos até os produtos industrializados. Portanto, nossa atuação inclui fertilizantes, defensivos, sementes e calcário. E também toda a cadeia de suprimento para  o agro, como o produto in natura retirado da fazendas. Como os óleos vegetais, os farelos, o etanol, o açúcar. Ou seja, toda a cadeia de suprimentos e de produtos já processados da cadeia do agro. Fechamos 2022 com 16 milhões de toneladas transportadas. No quesito faturamento, a expectativa  é encerrar o ano na casa dos R$ 3 bilhões, acima dos 2,5 bilhões alcançados em 2022.

Frota &Cia – Como um grupo que conta com mais de 200 unidades de embarque em todo o país reage diante dos impactos de acontecimentos como a quebra de safra?

Claudio Adamuccio – Pelas características do Brasil de ser um país continental, às vezes,  a quebra de uma safra no sul, por exemplo, é compensada por outras regiões. Então, sentimos o impacto, sim. A cada ano, eu diria que das 200 unidades nossas, 20, 30, 40%,  de repente, têm um desempenho menor, uma quebra de safra. Então, 150 conseguem alcançar produtividade que compensa as eventuais quebras, minimizando muitíssimo o peso disso nos nossos negócios. Além disso, sempre que uma  nova fronteira for aberta, estamos lá da para dar suporte devido à nossa presença em praticamente todos os estados. Por exemplo, existem pastagens extensivas onde a terra é boa e que se for substituída por agricultura, lá está o G10 presente, dando suporte a essa nova região. E estamos continuamente expandindo onde quer que tenha um pé de soja, de milho, de algum grão, em geral, vai ter uma unidade nossa para dar suporte. Nós estamos trabalhando com todas as cooperativas, todas as empresas do agro são nossas clientes, sejam europeias, americanas, asiáticas ou nacionais.

Frota & Cia – Qual o segmento agrícola onde o G10 tem mais foco?

Claudio Adamuccio – Em fertilizantes, oscilamos entre 1º, 2º ou 3º lugar do ranking de volume de toneladas transportada no Brasil. Estamos entre os 3  primeiros lugares, em sementes, e um dos maiores em algodão.  Cada produto tem suas particularidades, suas licenças… As sementes precisam ser transportadas em ambiente climatizado, e quando transportadas têm que  chegar com a lavoura, a terra pronta já preparada para recebê-las. Então tem que dar suporte com caminhões mais modernos, motoristas muito bem treinados porque não pode ter imprevistos. Se chegar mais tarde ao local de destino, com caminhão quebrado, ela vai perder a sua fertilidade e a terra o seu tempo ideal de plantio. Então temos especialidades bastante específicas com sementes, com algodão…

Frota & Cia – Quando fundaram o G10, há 22 anos, imaginariam que seria essa potência?

Claudio Adamuccio – Não, as coisas foram acontecendo. O empresário tem que estar com a mente aberta para fazer de problemas soluções, ver crises como oportunidade. A cada ano a gente pensa no degrau de cima. Há empresários que planejam um horizonte de 20 anos. Para mim é um exercício difícil, pois a cada ano o mundo muda de maneira tão rápida  que a probabilidade de que aquilo aconteça naquele formato é quase nula. Então a gente pensa em 5 anos, mas sabendo que a cada mês pode ter que mudar as diretrizes. Planejamos 5 anos, mas revisamos o orçamento a cada nova necessidade ou surpresa. Pode ser revisado trimestralmente ou de acordo com as emergências. Por exemplo, 2022, foi totalmente atípico, pois escasseou suprimentos, faltou caminhões e os preços ficaram fora de controle. E tudo que se planejou de 2020 para2022 não aconteceu. O petróleo disparou dos 58 dólares pré- pandemia, chegando a 125 dólares o barril em um momento. Nós fazemos o norte e trabalhamos com correções a cada surpresa, a cada mudança que haja no percurso seja ela qual for.  Mesmo em 2022, com a crise, adquirimos ativos e fizemos investimentos. Mesmo agora com a questão dos juros elevados e Selic, que está em 13,75%, o G10 continua acreditando no Brasil. Tanto que nosso plano de investimentos para esse ano ultrapassa 300 milhões.

Frota&Cia – Quais os maiores desafios que o G10 enfrenta no setor?

Claudio Adamuccio – O primeiro é segurança. Subdivido em segurança de acidentes por questões de estradas sem acostamentos, sem terceira faixa, quanto à infraestrutura rodoviária. Aí tem que se preocupar com a segurança contra roubos, patrimoniais, de ativos. Segurança é algo muito crítico e desafiador.

O segundo é o custo financeiro que tornou-se crítico em 2023  e está em  um patamar extremamente elevado por causa dos juros. Terceiro ponto crítico, a mão de obra qualificada: se pegar a correlação entre veículos vendidos e motoristas que fizeram a sua carteira para a categoria E, a que nós precisamos, nota-se um descolamento: são 100 mil caminhões precisando de motoristas no ano e o numero de carteira categorias E é só de 30 mil. Então, a demanda por mão de obra qualificada é uma barreira difícil de transpor.

Quarto ponto é a burocracia, pois há necessidade de 40 tipos de documentos diferentes para uma transportadora. São mais de 50 tipos de licenças, além de documentos que precisam estar com a transportadora,  gastando muito tempo, energia e dinheiro com burocracia, que é algo gigante.

Frota & Cia – Qual é a maior vantagem da união que formou o G10?

Claudio Adamuccio –Hoje o grupo se chama G10 transportes SA, que virou uma SA de capital fechado com 5 sócios cotistas, com o tamanho, volume e gestão mais profissional. Quando era mais novo, eu observava o futuro. Entendi que ser pequeno era fácil e que ser grande era fácil. O difícil é ser médio. Então, dentro dessa análise, com 28, 30 anos, quando eu comandava uma empresa pequena,  sabia cada placa de caminhão, nome de motoristas…tudo de cabeça. Não precisava de controles sofisticados. Sabia o nome das pessoas…então há gestão pessoal e próxima, resolvendo problemas até antes mesmo de eles existirem. Quando se é grande se tem departamentos, diretorias, softwares. compliance, governança…Mas e o médio? Ele não tem capital, nem a governança e nem sabe mais a placa do caminhão, o pneu que usa. Perde o contato com detalhes da empresa. Sabendo da dificuldade do que era ser médio, fundei o G10 e da noite para o dia já tinham várias cabeças pensantes discutindo os problemas, ser o médio, mas conseguindo agir como o pequeno, porque eram várias cabeças ao redor de uma mesa. Discutindo e olhando por vários ângulos de um prisma. E com isso, essa fase do médio foi superada. Hoje temos uma empresa bem departamentalizada, com profissionais de alto gabarito, muito bem treinados.

Frota&Cia – Como o G10 faz para se manter à frente? Qual a estratégia?

Claudio Adamuccio – Fomos a primeira empresa do TRC que montou um grupo de gerentes de 26 pessoas e mandou para o Vale do Silício para uma imersão. Então isso é muito comum em grandes corporações e pessoas que vão por conta própria. Nós tomamos a iniciativa e contratamos universidade lá, fizemos visitas em centros de inovações e buscamos respostas para as seguintes indagações: vai vir o caminhão autônomo? Vai vir o caminhão elétrico? Se sim, quando? Qual seria o custo? Quais as tendências de mercado? Realizamos essa viagem em  2022 e os gerentes voltaram com mil ideias depois de passarem uma semana no Vale do Silício, conhecendo o maior centro de inovação do planeta. Então temos esse viés de olhar o futuro do transporte, verificar tendências antes de acontecerem e para onde vai o negócio futuramente. Visitamos a feira de Hannover, fomos também até Israel para conhecer o país das startups, visitamos a maior feira de tecnologia do mundo em Las Vegas, em janeiro deste ano, para conferir as inovações no setor automotivo. Agimos de uma forma que nos faz pensar em estar mais prontos do que alguns dos concorrentes.

Frota & Cia – E já colheram os frutos dessas experiências? Como elas estão influenciando o G10 atualmente?

Claudio Adamuccio – Fizemos aqui em Maringá, em 2022,  um “hackaton” Abrimos para mais de 180 candidatos entre funcionários e universitários.  Buscamos as nossas maiores dores e convidamos pessoal de universidades locais, colaboradores, gerentes que fizeram mentorias, e até trazemos uma diretora da IBM e um dos maiores especialistas do país em montagem de apresentações de startups para capital de risco, para ensinar a garotada a montar uma startup em apenas 3 minutos, tempo que foi devidamente cronometrado. No Vale do Silício, acontece exatamente isso e os inventores têm 3 minutos para convencer investidores sobre a importância de seu projeto. Então, investimos em inovação, tecnologia preparando as mentes para mudança de mindset. Foram 24 horas contínuas de Hackaton.  Copiamos o modelo do Vale do Silício. E estamos planejando fazer esse evento a cada dois anos.

No hakhaton, mostramos uma dor da empresa, ou seja, um problema, e eles precisaram apresentar soluções para aquilo. Foram vários grupos. Formamos a banca, contamos com coordenadores e até pessoal da Universidade do Paraná esteve presente. Apresentamos problemas, o que fazer para melhorar o custo do diesel? E aí a segunda questão abordou a burocracia…o que fazer para melhorar o fluxo de documentos?   Já o terceiro problema foi atração de talentos. Maringá tem muita áreas de tecnologia, com muita demanda de pessoal de TI e há falta de mão de obra qualificada. O grupo que venceu ganhou prêmio em dinheiro, além de uma imersão em São Paulo. A Mercedes-Benz recepcionou o grupo vencedor que visitou o centro de logística da empresa. O hackaton é voltado à busca de ideias e não está á procura de desenvolvedor de aplicativos. O G10 vai transferir as ideias coletadas no hackaton para uma softhouse e desenvolvê-las.

 

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