Combustíveis aditivados ganham protagonismo diante dos desafios do biodiesel no transporte rodoviário

Mercado aposta em tecnologias de aditivação para proteger motores e aumentar a eficiência das frotas

Por Victor Fagarassi

- junho 9, 2026

Combustíveis aditivados ganham protagonismo diante dos desafios do biodiesel no transporte rodoviário

O avanço da transição energética no transporte rodoviário brasileiro está criando um novo cenário para os combustíveis aditivados. Com a ampliação gradual da participação do biodiesel na mistura obrigatória do diesel, cresce também a necessidade de soluções capazes de preservar a eficiência dos motores, reduzir custos de manutenção e garantir maior confiabilidade operacional para transportadoras e embarcadores.

Nesse contexto, os combustíveis premium deixaram de ser vistos apenas como produtos de desempenho superior e passaram a ocupar um papel estratégico na gestão das frotas. O movimento pode ser observado na aceitação do Shell V-Power Diesel, lançado nacionalmente em 2025 para substituir o Shell Evolux Diesel.

Segundo a companhia, a transição ocorreu em toda a rede de distribuição e postos da marca sem intercorrências. Desde o lançamento, o produto registrou crescimento superior a 20% no volume de vendas, acompanhado por uma expansão semelhante na sua presença de mercado.

A estratégia da Shell foi desenvolver uma formulação alinhada aos desafios atuais do diesel brasileiro, especialmente aqueles relacionados ao aumento da participação do biodiesel. Diferentemente do diesel mineral puro, as misturas com conteúdo renovável exigem maior atenção à estabilidade do combustível, armazenamento e formação de depósitos.

“Consideramos o impacto do biodiesel e os custos atrelados a essa mistura no dia a dia dos caminhoneiros, das operações de transportadoras, clientes B2B e dos próprios postos de combustíveis”, destaca Brenno Souza, Gerente de Marketing Combustíveis.

Entre os principais benefícios apontados pela fabricante estão o aumento do número de cetano, que melhora a qualidade da combustão, a redução da formação de espuma durante o abastecimento e a presença de aditivos detergentes capazes de manter limpos os componentes internos do motor.

Para as operações de transporte, os ganhos vão além do consumo de combustível. Uma combustão mais eficiente contribui para reduzir emissões, diminuir a formação de fumaça e melhorar a resposta do motor. Já a menor formação de espuma durante o abastecimento pode reduzir o tempo de parada dos veículos, um fator importante para a produtividade das frotas.

Outro aspecto relevante é a compatibilidade com diferentes gerações de motores. A formulação foi desenvolvida para atender desde caminhões mais antigos até modelos equipados com sistemas modernos de pós-tratamento de emissões, incorporando recursos como separação de água, estabilização da oxidação e maior capacidade de limpeza dos sistemas de injeção.

Lançamento do Diesel Shell V-Power em dezembro do ano passado
Lançamento do Diesel Shell V-Power em dezembro do ano passado

Biodiesel impulsiona nova demanda

A perspectiva da indústria é que os combustíveis aditivados se tornem ainda mais relevantes nos próximos anos. O aumento dos teores de biodiesel previsto pela política energética brasileira tende a elevar a necessidade de combustíveis capazes de minimizar problemas relacionados à formação de borras, oxidação e depósitos nos sistemas de alimentação.

Para a Shell, a evolução da matriz energética nacional não reduz a importância do diesel de alta performance. Pelo contrário. A companhia acredita que a aditivação será uma ferramenta cada vez mais importante para permitir que a transição energética ocorra de forma eficiente e economicamente viável para operadores de transporte e máquinas.

Nesse cenário, a disputa entre fabricantes deverá migrar cada vez mais da simples oferta de combustível para a entrega de soluções capazes de prolongar a vida útil dos motores, reduzir intervenções de manutenção e maximizar a eficiência operacional.

Com uma frota brasileira predominantemente movida a diesel e uma renovação de veículos que ocorre de forma gradual, especialistas do setor apontam que os combustíveis aditivados tendem a ocupar um espaço crescente na estratégia de gestão das transportadoras. Mais do que um diferencial de performance, eles passam a ser vistos como aliados para enfrentar os desafios técnicos trazidos pela crescente participação dos combustíveis renováveis na matriz de transporte do país.

Compartilhe nas redes sociais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *