Belphégor, o caminhão que desafiou o convencional nos anos 60

Inspirado por série de TV, modelo com direção hidráulica e freios a ar revolucionou o transporte comercial na década de 60

Por Gustavo Queiroz

- outubro 27, 2025

Citroën Belphégor

Há seis décadas, a Citroën introduziu no mercado um veículo comercial importante em sua trajetória o Citroën Type N350, conhecido pelo apelido “Belphégor”. Lançado em outubro de 1965, o modelo unia um design arrojado para a época, inovações técnicas significativas e uma robustez comprovada, elementos que lhe garantiram um lugar de destaque na Europa.

O caminhão se destacava pelo seu design futurista, uma assinatura do designer Flaminio Bertoni, o mesmo criador de ícones da marca como o Traction Avant, o 2CV e o Ami 6. Num período em que os veículos comerciais eram predominantemente funcionais e de linhas conservadoras, o Type N350 quebrou convenções com uma cabine avançada e detalhes únicos. Entre as suas soluções mais notáveis estavam as duas janelas extras, posicionadas acima dos faróis e na base da cabine. Este recurso, aparentemente simples, ampliava consideravelmente o campo de visão do condutor, facilitando manobras complexas e a circulação em terrenos acidentados ou urbanos de difícil acesso.

Citroën Belphégor | Foto: Divulgação
Dianteira da cabine do modelo Citroën Belphégor | Foto: Divulgação

A sua identidade visual tão peculiar lhe valeu a alcunha “Belphégor”, inspirada no seriado televisivo francês homônimo de sucesso, exibido na mesma época, cuja atmosfera intrigante e misteriosa fez com que o público associasse às linhas pouco convencionais do caminhão. Para além da estética, o N350 era um concentrado de tecnologia. Foi equipado com direção hidráulica, um avanço notável para um veículo comercial da época, e um sistema de freios de alta pressão herdado do lendário Citroën DS, assegurando uma capacidade superior de frenagem e maior segurança.

A Citroën oferecia o Type N350 em mais de 140 variações de configurações, permitindo aos clientes escolher entre motores a gasolina ou diesel. A sua capacidade de carga era adaptável, variando entre os 3,5 e os 8 toneladas, cobrindo uma vasta gama de necessidades de transporte. As dimensões do modelo mais comum rondavam os 5,34 metros de comprimento, 2,14 metros de largura e 2,28 metros de altura, com um peso vazio de 2.120 kg e uma cabine espaçosa capaz de acomodar até cinco ocupantes. A velocidade máxima ficava limitada a 70 km/h.

Citroën Belphégor | Foto: Divulgação
Adaptação como daminhão de bombeiros do Citroën Type N350 | Foto: Divulgação

Esta adaptabilidade permitiu que o N350 fosse a base para configurações especializadas, sendo um dos exemplos mais notáveis a versão para bombeiros, desenvolvida em 1969. Esta variante foi equipada com escada extensível, sirene e tanques de água, demonstrando a confiança da marca e dos seus clientes na fiabilidade e na capacidade do chassis para missões críticas.

Ao celebrar os 60 anos do Type N350, a Citroën não apenas revisita um capítulo relevante do seu passado, mas também relembra o seu DNA de inovação e desafio às convenções. O “Belphégor” foi mais do que um simples veículo de trabalho, pois unia estética ousada, engenharia pioneira e uma funcionalidade prática.

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