Acordo de livre-comércio entre Brasil e Argentina pode levar até 5 anos

Por Freelers

- fevereiro 22, 2016

O Brasil e a Argentina pretendem fechar um acordo de livre-comércio no setor automotivo em até cinco anos, afirmou o ministro Armando Monteiro (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), após reunião em Buenos Aires nesta quinta, 18.

Não há, porém, prazo oficial. Pelo tratado atual, para que haja isenção de impostos, o Brasil precisa comprar US$ 1 em peças e veículos da Argentina para cada US$ 1,5 vendido ao vizinho. Esse acordo vence em 30 de junho.

Até lá, os governos deverão estabelecer as novas regras do setor. Monteiro afirmou que deverão ser mais amplas e vigorar por prazo superior a um ano. “Nossa proposta é ter mais ambição e um marco renovado.” Entre as condições que precisarão ser cumpridas nos próximos cinco anos para chegar ao livre-comércio está uma maior integração produtiva, com os países fabricando modelos diferentes.

Será preciso também inserir nesse modelo as empresas de autopeças.

Outro empecilho será o regime diferenciado de incentivo à indústria. O Brasil, por exemplo, tem o Inovar-Auto, que exige 65% de conteúdo nacional na cadeia automotiva e vigora até 2017. Monteiro afirmou que as equipes técnicas, que até abril começarão a se reunir, buscarão mecanismos para reduzir essas assimetrias.

Outros mercados

Segundo o ministro, o tratado também deverá ampliar a cooperação tecnológica e fazer com que as empresas obtenham escala para vender em outros mercados.

Além de discutir o setor automotivo, Monteiro e Cabrera decidiram reativar a Comissão Bilateral de Comércio, que estava parada desde 2011 — ano em que os países registraram seu recorde de transações comerciais. Desde então, houve um recuo de 42%. O ministro argentino visitará o Brasil em março para o primeiro encontro da comissão, que será trimestral.

Também há a intenção de aprofundar as relações no Mercosul. Monteiro disse ainda que o diálogo com a Argentina sempre foi bom, mesmo durante o governo de Cristina Kirchner (2007-2015). “Mas agora há sinais pró-comércio”, acrescentou.

Em relação ao livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia, os dois afirmaram que pretendem fechar a troca de ofertas até junho.

Monteiro disse também que os países querem fechar novos acordos comerciais, sobretudo com Canadá e Índia, e se aproximar da Aliança do Pacífico (Chile, Colômbia, México, Peru e Costa Rica).

Fonte: Folha de S. Paulo

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