O projeto europeu TITAN, financiado pelo União Europeia, validou uma tecnologia capaz de transformar biogás em hidrogénio renovável e em carbono sólido, uma solução com potencial para acelerar a descarbonização do transporte na Europa e reduzir até 237 milhões de toneladas de CO₂ acumuladas até 2045.
Em termos técnicos, o processo utiliza micro-ondas para converter correntes reais de biogás em um gás rico em hidrogênio (tendo taxas de conversão de metano acima de 85%) e em um material sólido de carbono ferroso. Após 48 meses de projeto, a tecnologia alcançou o Nível de Maturidade Tecnológica TRL 5. Isso significa sair do campo de testes e estar validada para operações reais.
Para o setor dos transportes, os resultados são promissores. O hidrogénio produzido pelo processo TITAN mostrou eficiência elétrica superior à eletrólise da água: entre 51 e 57 g de H2 por kWh, contra cerca de 20 g/kWh na eletrólise. Em escala industrial, o projeto estima que o custo de produção entre 3,9 à 4,5 euros/kg de H2. Esse valor coloca o bio-hidrogênio como alternativa competitiva ao hidrogênio renovável feito por eletrólise.

Grande potencial para Europa
Além da utilização em veículos movidos a célula de combustível, o projeto aponta que a produção descentralizada de hidrogênio pode beneficiar operações logísticas. A instalação de unidades próximas a polos agrícolas ou centros de distribuição reduziria a necessidade de transporte do combustível por longas distâncias e facilitaria a implantação de corredores regionais de abastecimento.
Outro diferencial da tecnologia é a geração de carbono sólido durante o processo. Estudos conduzidos pelo consórcio indicaram que esse material apresenta potencial para armazenamento de longo prazo, agregando benefícios ambientais ao evitar a liberação de carbono na atmosfera.
O roteiro do TITAN aponta para uma produção potencial de até 600 mil toneladas de hidrogénio por ano até 2030, escalando para quase 4 milhões de toneladas/ano a partir de 2045. Segundo os pesquisadores, essa escala teria potencial para atender parte relevante da demanda de hidrogênio dos setores de transporte e indústria, contribuindo para uma redução acumulada de até 237 milhões de toneladas de CO₂ até meados da próxima década.
Entretanto, é importante destacar que tudo isso depende da adoção de políticas públicas na Europa. Sem essas mudanças, a rápida implementação e escalabilidade da tecnologia podem ficar travadas.
O que é o Projeto TITAN
Ele faz parte do programa europeu Horizon Europe, principal mecanismo de financiamento para pesquisa e inovação da União Europeia desde 2021. Dentro do programa, o projeto está enquadrado na área de Clima, Energia e Mobilidade, focada em soluções para a transição energética e a descarbonização dos transportes. O custo total do projeto foi de aproximadamente 3 milhões de euros.
