Após ser o epicentro de um grande escândalo de corrupção do governo Dilma Rousseff, o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte) paralisou os investimentos em obras.
Ao longo do primeiro semestre deste ano, o órgão autorizou apenas nove concorrências públicas para obras rodoviárias que somam R$ 1,2 bilhão, de acordo com relatório de acompanhamento interno do órgão. O montante é cerca de 8% do orçamento total, de R$ 15,4 bilhões, previsto para 2012.
Indicado para fazer uma “faxina” no órgão, o diretor-geral da autarquia, general Jorge Fraxe, é hoje criticado por funcionários e empresas do setor privado por não ter conseguido aliar um regime “tolerância zero” contra desvios com uma gestão capaz de destravar os projetos de carteira.
“Hoje o Dnit é o órgãomais idôneo do governo federal, mas à custa de não fazer obras”, disse um dos técnicos de engenharia do Dnit em condição de anonimato. O maior projeto aprovado neste ano foi o de ampliação da BR-116 que vai de Rio Pelotas (na divisa de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul) até Jaguarão, na fronteira do Brasil com o Uruguai, orçado em R$ 770 milhões.
Na pauta de licitações, há 30 projetos em análise, sendo 14 deles já suspensos. O rigor no comando do órgão tem levantado expectativas de que em 2012 haverá um montante ainda maior de recursos não utilizados pelo Dnit. No ano passado, o departamento devolveu ao Tesouro Nacional cerca de R$ 9 bilhões que não foram utilizados.
“Esta vendo pela primeira vez um órgão que tem um dos maiores orçamentos da União devolver dinheiro por não ter como usá-lo”, diz a fonte. Funcionários dizem que o maior problema do órgão é a falta de gestão e não o rigor na análise dos projetos como reflexo da razão da crise política do ano passado.
Fraxe não conseguiu atender à reportagem, mas, em nota, o Dnit afirma que, “mesmo com algumas deficiências estruturais, tem executado seu trabalho, inclusive no que se refere às principais obras de infraestrutura do governo.”
Brasil Econômico
