O avanço da eletrificação da mobilidade está promovendo uma mudança gradual, mas significativa, no mercado de lubrificantes. Embora os motores a combustão ainda representem a maior parte da frota circulante no Brasil, fabricantes do setor já direcionam investimentos para atender às novas exigências dos veículos híbridos e elétricos. É o caso da Valvoline, que vê a gestão térmica como uma das principais oportunidades de crescimento para os próximos anos.
Segundo Alberto Freitas, head de Vendas da Valvoline, a indústria vive um momento de adaptação às novas tecnologias automotivas. “Os lubrificantes precisam acompanhar essa evolução, principalmente no que diz respeito à eficiência e à transferência térmica”, afirma.

Nos veículos totalmente elétricos, o destaque deixa de ser apenas o lubrificante do motor e passa para fluidos destinados à transmissão e, principalmente, ao sistema de arrefecimento das baterias. Esses produtos são responsáveis por manter temperaturas adequadas de operação, fator considerado crítico para o desempenho e a durabilidade dos acumuladores de energia.
De acordo com Alberto, o mercado de fluidos de arrefecimento, conhecidos internacionalmente como coolants, tende a ganhar relevância à medida que a eletrificação avança. “Quando analisamos apenas os veículos elétricos, o maior volume de fluido está justamente no sistema de arrefecimento. Em potencial de negócio, esse segmento se mostra mais expressivo no longo prazo”, explica.
Nos híbridos, o cenário é ainda mais favorável para a indústria. Além do óleo lubrificante utilizado no motor a combustão, há demanda por fluidos específicos para baterias, transmissões e sistemas térmicos, ampliando as oportunidades de fornecimento.
A transformação também abre espaço para novas aplicações fora do setor automotivo. A Valvoline já comercializa em outros mercados fluidos especiais para sistemas de refrigeração de data centers, utilizados em tecnologias de resfriamento por imersão. Segundo a empresa, soluções originalmente desenvolvidas para baterias de veículos elétricos estão sendo adaptadas para atender à crescente demanda por infraestrutura de processamento de dados.
Atualmente, entre 30% e 40% dos esforços globais da Valvoline estão direcionados ao desenvolvimento de soluções voltadas à eletrificação. Apesar disso, Alberto ressalta que o mercado tradicional continuará relevante por muitos anos. “A frota brasileira ainda é fortemente dependente dos motores a combustão e o consumo de lubrificantes segue em crescimento. A transição vai acontecer, mas de forma gradual”, conclui.

