Os emplacamentos de veículos no Brasil mantiveram trajetória positiva em maio, consolidando o segundo melhor resultado para o mês desde 2011, de acordo com dados divulgados pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores). O setor como um todo registrou 492.426 unidades emplacadas no quinto mês do ano, volume que representa alta de 2,7% em relação a abril e de 12,3% sobre maio de 2025. No acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, foram comercializadas 2.226.984 unidades, avanço de 15,4% na comparação com o mesmo período do ano passado.
De acordo com o presidente da entidade, Arcelio Junior (foto), o desempenho reforça a demanda por veículos e mobilidade mesmo diante de um cenário de juros ainda elevados. O executivo atribui o resultado positivo à combinação de programas de incentivo, como o Carro Sustentável e o Move Brasil, além de lançamentos e promoções das montadoras.
Ele ressalta, porém, que o setor permanece extremamente dependente de crédito, renda, confiança do consumidor e previsibilidade para investimentos, e que qualquer movimento de redução da taxa básica de juros pelo Banco Central ajuda a melhorar as condições de compra, influenciando diretamente a decisão de consumidores e empresas.
O segmento de automóveis e comerciais leves segue como um dos principais vetores de crescimento do mercado, com aumento de 18,2% nos primeiros cinco meses do ano sobre igual intervalo de 2025. A demanda consistente e a renovação do consumo, aliadas aos programas vigentes, explicam a trajetória ascendente. A perspectiva é de aquecimento ainda maior nos próximos meses com o lançamento do Move Brasil – Táxi e Aplicativos, que oferecerá R$ 30 bilhões em incentivos, com taxas de juros reduzidas e carência de seis meses para início do pagamento, destinados à aquisição de automóveis e comerciais leves de até R$ 150 mil para taxistas e motoristas de aplicativos que se enquadrarem nas condições estabelecidas. A medida deve elevar as projeções de vendas para 2026, segundo Arcelio Junior.
Veículos comerciais
Em sentido oposto, os segmentos de caminhões, ônibus e implementos rodoviários registraram retração em maio, refletindo o compasso de espera do mercado pela segunda etapa do Move Brasil, que começou a ser operacionalizada em 29 de maio e prevê aporte adicional de R$ 21,2 bilhões para aquisição de caminhões, ônibus, microônibus e implementos agrícolas.
No caso dos caminhões, as vendas caíram tanto na comparação mensal quanto na anual, após o esgotamento dos recursos da primeira fase do programa, ocorrido em abril. A decisão de compra nesse setor está diretamente ligada ao custo do crédito e à atividade produtiva, envolvendo planejamento empresarial de longo prazo, análise de financiamento, previsibilidade de receita e custo operacional. Com o início da nova fase, a expectativa é de gradual recuperação nos próximos meses.
Comportamento similar é observado nos implementos rodoviários, que também recuaram em maio e no acumulado do ano, acompanhando o ritmo da atividade econômica e da renovação logística. Já o segmento de ônibus, historicamente influenciado por renovações de frotas urbanas, compras públicas, programas de transporte escolar e decisões de operadores privados, vinha na expectativa dos R$ 2 bilhões ofertados pelo Move Brasil 2, o que deverá reduzir o ritmo de queda e possibilitar certa recuperação. Arcelio Junior lembra que esses mercados dependem de ciclos específicos, projetos, licitações e capacidade de investimento, fatores que serão beneficiados pelos novos incentivos.
No setor de máquinas agrícolas, os dados de tratores e colheitadeiras, apresentados com um mês de defasagem por não dependerem de emplacamento, mas de levantamentos junto aos fabricantes, seguem pressionados. O mercado de tratores reflete um ambiente de maior cautela no setor produtivo, com margens reduzidas, endividamento do produtor rural e custo de crédito elevado, apesar da boa expectativa de safra. As colheitadeiras, por envolverem maior valor agregado, têm decisões de compra mais espaçadas e fortemente influenciadas pelas condições de financiamento, renda no campo e planejamento das safras. O presidente da Fenabrave menciona que o programa Move Agrícola, anunciado pelo governo em abril mas ainda não implementado, e o plano de renegociação de dívidas em avaliação pelo governo federal, poderão dar fôlego ao setor, que permanece em compasso de espera.




