A logística urbana vive uma nova revolução. Impulsionadas pelo crescimento do e-commerce e pela demanda por conveniência, as entregas rápidas — muitas vezes realizadas no mesmo dia ou em poucas horas — ganham espaço nas grandes capitais brasileiras. O movimento se intensifica com iniciativas como o lançamento do serviço Amazon Now, da Amazon, que promete entregas em até 15 minutos.
Esse avanço está diretamente ligado à evolução da chamada logística de última milha, considerada hoje o principal desafio — e também o maior diferencial competitivo — das operações de entrega. Segundo André Mortari, CEO da LETS, viabilizar entregas rápidas exige uma operação altamente integrada e sincronizada. “Toda a cadeia precisa funcionar como um organismo único, desde o estoque até a entrega final”, explica.
A chamada última milha corresponde ao trajeto final da entrega, entre o centro de distribuição e o consumidor. Fatores como trânsito intenso, alta densidade de pedidos e dificuldades de roteirização tornam essa fase a mais desafiadora da operação. Além disso, ela pode representar mais de 50% dos custos logísticos totais, exigindo alto nível de eficiência para manter a viabilidade do serviço.
Um dos pilares desse novo modelo é a logística de proximidade. Para reduzir o tempo de entrega, empresas têm investido em micro hubs urbanos (pequenos centros de distribuição localizados próximos aos consumidores). Essa estratégia permite encurtar distâncias e aumentar a flexibilidade operacional, inclusive com o uso de modais alternativos, como bicicletas e entregadores autônomos. Com isso, torna-se possível cumprir prazos cada vez mais curtos, incluindo entregas no mesmo dia ou em poucas horas.
Tecnologia atua como “torre de controle” das operações
A base das entregas ultrarrápidas está na tecnologia. Plataformas de orquestração logística funcionam como uma torre de controle, integrando sistemas de venda, estoque, transportadoras e roteirização em tempo real. Com isso, decisões são automatizadas e otimizadas constantemente: qual parceiro fará a entrega, qual a melhor rota e como redistribuir pedidos diante de imprevistos.
Além disso, algoritmos avançados permitem roteirização dinâmica em tempo real, rastreamento completo das entregas, gestão simultânea de múltiplos parceiros e previsão de demanda e prevenção de falhas.
Para que a entrega rápida aconteça, diversos atores precisam atuar de forma coordenada como varejistas, operadores logísticos, as transportadoras e as plataformas que integram toda cadeia. Entretanto, nem sempre isso é fácil, já que muitas empresas operam com sistemas fragmentados, dificultando a troca de informações e a agilidade na tomada de decisão.
O que diferencia quem consegue escalar entregas rápidas
De acordo com especialistas, empresas que conseguem escalar esse modelo de operação combinam três fatores principais:
- Estoque próximo ao consumidor
- Forte integração tecnológica
- Rede flexível de parceiros logísticos
Esse equilíbrio permite maior agilidade, redução de custos e melhor experiência para o cliente final. Apesar da sofisticação da operação, o consumidor não percebe essa complexidade — e esse é justamente o objetivo. A experiência precisa ser simples, rápida e previsível. Por trás de uma entrega em minutos, existe uma engrenagem altamente coordenada, que combina tecnologia, infraestrutura urbana e gestão logística avançada.
